Eli Stone (ABC) – 1.ª temporada

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Muitos dirão: “oh, mais uma série de advogados…”. Pelo menos, foi o que eu disse para mim próprio quando tive o primeiro contacto com esta série da ABC. E é a mais pura verdade. “Eli Stone” é mais uma série sobre os meandros da lei norte-americana, sobre uma firma de advogados que defendem caso após caso, e vivem num rodopio de relações interpessoais. Visto. Visto. Visto. Mas tem uma diferença das restantes: o seu protagonista, personagem que dá o nome à série, começa a ter visões, que julga serem proféticas, relacionadas com os casos que tem de defender em tribunal, supostamente influenciadas por um tumor cerebral.

É verdade que todo este aspecto relacionado com as visões, aquilo que dota a série de singularidade, cheira um pouco a “Ally McBeal”, mas enquanto a excêntrica advogada da Cage & Fish vivia alucinada sem qualquer sentido prático, em “Eli Stone” as alucinações têm um propósito muito concreto: encontrar pessoas e ajudá-las representando-as em tribunal.

Apesar de nos podermos debater entre o não gostar da série pelos clichés do costume – o facto de Eli trabalhar para uma das maiores firmas de São Francisco, de ser um dos advogados de topo da empresa e passar a defender os “pequeninos”, de estar noivo da lindíssima filha do patrão –, as relações entre Eli e os restantes personagens, essencialmente, as existentes com o seu irmão, a sua secretária, a jovem advogada que o assiste e com o seu acupuncturista (a mais estranha e, talvez por isso mesmo, a mais interessante), bem como a relação com o se pai (que apenas existe em flashbacks, mas é a mais importante da série) e o sentimento resultante dos casos apresentados acabam por nos convencer e converter definitivamente. Isto mesmo quando, durante as visões, nos colocam os personagens em números musicais, e a tentação será qualquer coisa aproximada a arrancar os nossos próprios cabelos ou a espetar os dedos nos olhos.

Se compararmos “Eli Stone” a outras séries sobre advocacia existentes actualmente, percebemos facilmente que não tem as personagens fortes de “Boston Legal”, que não tem a crueza de “Canterbury’s Law” ou os enigmas de “Damages”, mas tem um enorme coração. E isso, por vezes, basta.

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