Ora, aqui está um excelente exercício de memória: como escrever sobre uma série que se viu há quase oito meses atrás. (ALGUNS SPOILERS)
Não sei se existe algum nome para a questão, algum título atribuído ao fenómeno, mas parece ser cada vez mais comum as boas séries perderem qualidade durante as suas segundas temporadas. Claro que esta generalização talvez seja demasiado exagerada, mas a verdade é que séries recentes, e de qualidade elevada, como “Desperate Housewives”, “Friday Night Lights”, “Heroes”, “House”, “Lost” ou “Prison Break”, por exemplo, sofreram notórias quebras qualitativas na temporada seguinte à de estreia. E “Dexter” pode juntar-se a essa lista.
Mesmo que as falhas na segunda temporada de “Dexter” não sejam tão profundas como as de algumas das séries acima mencionadas, a verdade é que a saga do serial killer preferido de muito gente ficou aquém da sua primeira temporada.
Com um início titubeante, sentido sobretudo a nível de linhas de argumento secundárias menos conseguidas, como o confronto La Guerta/ Pasquale ou o passado de Doakes, outras pouco eficazes, como a presença da mãe de Rita que trouxe pouco à série, ou ainda outras algo forçadas, como a história da toxicodependência de Dexter mas, principalmente, a ingenuidade de Rita perante a mesma, ainda por cima, quando a personagem já tinha tido uma experiência com um toxicodependente, o seu marido, Paul, ou ainda a desnecessária cena final em Paris.
Contudo, mesmo que a primeira parte da temporada tenha deixado um pouco a desejar – excepção feita ao episódio “The Dark Defender” –, a segunda metade voltou a mostrar o vigor narrativo de outros tempos. O conflito de sentimentos (que Dexter diz não ter), potenciado pela crescente agitação na vida do personagem, desde o termino da relação com Rita, a descoberta em Lila de um porto seguro para a sua verdadeira identidade, o jogo do gato e do rato com Doakes, a necessidade de redobrar os seus esforços para iludir Debra, Lundy, Angel e todos os outros, ou a vontade de deixar de se esconder, propiciaram excelentes momentos de televisão e asseguraram que os padrões de qualidade estabelecidos pela série no passado se tenham reavivado.
No geral, mesmo não tendo sido tão satisfatória como a temporada de estreia, a segunda época de “Dexter” continuou a demonstrar porque esta é uma das melhores séries da actualidade.





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