Se, só por si, fazer rir sempre foi uma tarefa árdua de cumprir, arranjar novas formas do o fazer, ainda potencia mais essa dificuldade. E “Samantha Who?” é um exemplo disso, duma série que pegou numa eventualidade trágica – um acidente e uma perda de memória – e o quis tornar em algo divertido e proporcionador de comicidade, mas que nunca conseguiu ir além de um nível mediano de entretenimento.
Ao longo de 15 episódios, a nova série da ABC nunca conseguiu atingir um patamar cómico em que muitas outras séries, como “The Office”, “30 Rock” ou mesmo “How I Met Your Mother”, se encontram, não teve um episódio que se pudesse chamar de hilariante e, em algumas ocasiões, conseguiu mesmo chegar a roçar o ridículo (esquecer de como se faz sexo!?).
Não fosse o fantástico desempenho de Christina Applegate, bem secundada por três outras mulheres de grande calibre (Jean Smart, Jennifer Esposito e Melissa McCarthy), e a série rapidamente cairia na abnegação e consequente esquecimento. Porém, até este aspecto inspira uma dualidade de sentimentos, pois mesmo as interpretações sendo de primeira, não deixa de ser algo incómodo uma certa dependência que a série tem da sua protagonista. Isto para não falar nos inócuos papéis masculinos, sobretudo o de Tim Russ, que interpreta um porteiro que pouco mais que nada representa para a série.
Os momentos de maior interesse são os flashbacks de Samantha, onde podemos comparar quem ela foi e quem ela se tornou, mas estes acabam por ser os mais discutíveis. Será mesmo que uma perda de memória pode realmente implicar o ganho de uma consciência? Será mesmo que as pessoas conseguem mudar a sua essência de um dia para o outro? Será que ao recuperar a memória, essa mesma essência não seria também recuperada?





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