Se alguém me perguntasse qual o encanto de “The Office“, qual a razão que me leva a ver cada episódio, eu diria sem pensar duas vezes, que são os seus personagens. E porquê? Porque os personagens desta série da NBC são alguns dos mais hilariantes alguma vez vistos na televisão norte-americana, quase tão extravagantes como alguns ícones da comédia britânica. Pudera. Eles são baseados em personagens de um grande sucesso britânico, criado por um dos maiores cómicos saído de Terras de Sua Majestade nos últimos tempos, Rick Gervais.
Muito longe da sua inicial colagem ao original, a versão americana de “The Office” amadureceu, ganhou o seu próprio espaço e é hoje sinónimo de qualidade, de alto gabarito, tendo-se tornado facilmente numa das melhores séries cómicas de sempre. Consegue cativar-nos a cada cena que passa e, mesmo que por vezes pareça demonstrar algum desgaste, consegue afastar por completo esse sentimento de mais do mesmo no episódio seguinte. E isto, muito devido ao seu conjunto de heterogéneas personagens, cada uma capaz de nos deixar a rir interminavelmente em frente ao televisor.
De um lado, temos os excêntricos, personagens completamente loucos que se colocam nas situações mais caricatas que poderemos imaginar, deixando-nos com um sorriso nos lábios por cada gesto e expressão que fazem, por cada palavra debitada (por cada, “that what she said”), por cada momento impróprio ou propositadamente inoportuno. Do outro, fazendo o contraponto, os personagens sóbrios, comedidos na sua excentricidade, que conseguem manter a sanidade e a razão no meio de toda a loucura sem nunca deixarem de ter a sua piada.
É verdade que o humor de “The Office” não é compatível com o humor de toda a gente, que ao início se torce o nariz, se desiste de ver ou prefere qualquer outra coisa que esteja à mão. “The Office” é uma série que cativa ao longo do tempo, à medida em que se conhecem os seus personagens e a partir do momento em que nos começamos a identificar com os mesmos, de quando nos apaixonamos pelas suas singularidades, pelos seus maneirismos. Até ficarmos completamente «agarrados». É o perfeito exemplo daquilo que disse em tempos o poeta: «primeiro estranha-se, depois entranha-se».
Agora, já «entranhado» pela magia da série, olha-se para uma quarta temporada e, mesmo não encantando tanto como as duas anteriores, apercebemo-nos que ainda nos consegue deslumbrar com bastante facilidade, que ainda nos consegue manter fiéis aos personagens e que ainda consegue puxar-nos largos sorrisos e fortes gargalhadas com as peripécias em que os mesmos se envolvem. Não há volta a dar. É uma paixão para a vida.





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