[SPOILERS] Esta série não é, definitivamente, para mim. “90210” é como uma fotocópia a preto mal tirada: é cópia do original, mostra-nos o mesmo conteúdo, mas mais gasto e sem cor, e quando acaba de servir o seu propósito manda-se para o lixo. E foi exactamente para onde foram estes dois episódios: para o balde da reciclagem.
Acredito que, para o público-alvo a que a série se destina, a mesma possa lá ter os seus interesses, mas, a sério, não se cansam de mais miúdos tão ricos que levam miúdas em jactos privados a jantar numa cidade diferente? Mimados ao ponto dos pais encetarem numa luta contra o director da escola para que a filha só faça um trabalho escrito quando lhe apeteça pois a menina tem de lidar com o stress da sua festa de aniversário que se avizinha? Que logo pela manhã recebem um belo dum ****** dentro de um carro à vista de quem se predispor a ver? Que não conseguem lidar com o drama de quererem ser actrizes e recorrem a drogas? Ainda não se fartaram? A sério?
Pois eu, há muito que me fartei. Disso e do facto dos filhos dos ricos, além de terem nascido num berço de ouro, serem sempre pessoas dotadas de excelente aparência física – ok, o eyecandy é sempre bem-vindo, mas pergunto-me se só os pobres têm filhos feios? –, de haver sempre uma miúda lindíssima que é uma autêntica bitch e que anda sempre com uma trupe de bitches atrás, de haver sempre uma miúda que era a melhor amiga da que referi anteriormente e que agora é a sua maior inimiga, ou de haver sempre uma miúda nova na escola que quer andar com as miúdas populares, mas acaba na companhia dos socialmente rejeitados. É uma realidade (será?) que não me convence e que não me interessa minimamente conhecer.
Mas, se o que eu acabei de referir já me deixou a revirar os olhos, ainda mais saturado fiquei quando decidiram empacotar nos primeiros quarenta minutos mais 534 linhas de argumento diferentes.
A sorte é que os jovens actores até nem são assim tão maus e tornam a visualização do episódio mais tolerável, mas não deixa de ser curioso que numa série feita assumidamente para adolescentes, os personagens que mais interesse têm são mesmo os adultos, sobretudo, a avó Tabitha, que se apresenta como um excelente comic relief para a série, particularmente, porque os directores de casting ou produtores da série ou quem escolheu Jessica Walter para o papel, tirou realmente um trunfo do baralho.
E ver a Jennie Garth e a Shannen Doherty até foi interessante – e eu nem sou fã da série original, apesar de ter visto vários episódios –, mas depois de tanto hype à volta das suas participações na série, esperar uma hora (!) para ver a Brenda, que, ainda por cima, só aparece em duas cenas durante os episódios, revelou-se algo tão bom como a sensação que temos ao abrir uma prenda de aniversário e ver que nos deram mais uma lata de espuma para barbear.
Para finalizar, duas notas:
O diálogo WTF (!?) dos dois episódios:
Harry: Can I call you a cab?
Mãe da Naomi: Oh, I have a better idea. Why don’t you drive me home?
Debbie: Ooh, or even better, i could drive you home, and we could swap stories about Harry’s penis.
Mãe da Naomi: I have enough of my own. Thank you.
E o facto da série querer vir rivalizar com “Anatomia de Grey” no que diz respeito à banda sonora.
Ah, quase que me esquecia. Do pouco que gostei do episódio, a partida com os porcos foi uma dessas cenas. O facto de terem colocado as camisolas 1, 2 e 4 nos porcos, para que os outros pensassem que existiam quatro à solta em vez dos três que eles libertaram, foi de génio!
E, já agora, caso alguém tenha dúvidas depois de ler o texto, esta foi mesmo a primeira e última crítica que fiz a esta série.

[starrater]




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[...] O episódio teve ainda outro pormenor completamente alucinado: o diálogo mais bizarro que eu me lembro dos últimos tempos (deste o que se encontra no final deste post). [...]