[SPOILERS] As perguntas que me coloco neste momento são: Qual a capacidade de alguém que comece a ver “Fringe” terá para embarcar neste mundo de pseudociência e continuar nele por muito tempo? Até quando alguém conseguirá desfrutar dos episódios sem começar a desenvolver determinadas resistências ao que é apresentado?
Claro que isto depende de pessoa para pessoa. No meu caso, se a última cena do primeiro episódio, onde o personagem John Scott é levado para interrogação cinco horas depois de ter morrido – o que é já um dos grandes mistérios da série, visto o Mark Valley ser parte integrante do elenco e como, supostamente, morreu, tenho bastante curiosidade em saber que lugar terá o personagem na série, mas isso será uma história para outra altura –, já me deixou algo resistente ao conceito que a série assume, o facto deste segundo episódio começar com mais um caso bizarro (do tipo de casos que veremos muitas vezes, certamente) ainda me deixou mais de pé atrás. E eu gosto do bizarro. Mas também sou daqueles que acham que o que é de mais, farta.
Mesmo com esse sentimento de resistência presente logo de início, em termos de suspense e tensão, os primeiros instantes do episódio foram, sem dúvida, os melhores. O ritmo alucinante de toda a sequência, muito bem acompanhado pelas novas melodias de Michael Giacchino, foram uma perfeita introdução para um episódio que acabou por deixar algum amargo de boca. Com o desenrolar da investigação e o consequente revelar dos mistérios, o interesse no caso foi diminuindo e aquilo que os primeiros minutos tinham conseguido, o de prender a atenção, foi-se diluindo com a passagem do tempo. Além de que a forma como o caso foi solucionado foi, mais uma vez, a rasar os limites da suspension of disbelief (algo que, quase de certeza, está destinado a acontecer com frequência nesta série).
Ao contrário daquilo que me tinha ficado em memória desde que vi o episódio-piloto, há algum tempo, desta vez alguns dos actores, e até os seus próprios personagens, não me convenceram totalmente. A Anna Torv pareceu-me sempre algo distante, desanimada, provavelmente, resultado dos acontecimentos pessoais recentes pelos quais o seu personagem passou, mas, mesmo assim, pareceu-me sempre demasiado alheia. Isto para não falar que a sua química com o Joshua Jackson foi quase nula.
Por falar neste último, e isto talvez já entre no campo dos preciosismos, mas é extremamente irritante a forma como o actor acentua frequentemente as suas falas (pior que ele, lembro-me, de repente, do espalhafatoso Michael Rapaport, do “Prison Break”). E isto é ainda mais notório porque todos os outros são pessoas de vozes graves e de pouca projecção, e o Joshua Jackson não. Por outro lado, apreciei bastante o à-vontade de Blair Brown na sua personificação de Nina Sharp.
Por último, e não querendo arrastar muito mais uma discussão já bastante debatida, digam-me lá que este episódio não exala “X-Files” por todos os poros?

[starrater]




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