[SPOILERS] Questão do dia (não sei porquê, mas qualquer texto que escrevo sobre esta série parece começar sempre com uma destas): Será que “Heroes” voltou aos tempos áureos da primeira temporada ou continua arrastar-se pelas ruas da amargura a que a série se viu votada durante a segunda época?
Nem uma, nem outra. Estes dois primeiros episódios da terceira temporada parecem uma mistura das duas temporadas anteriores, onde a série, por um lado, parece querer reerguer-se e sair do fosso criativo em que se encontrava, mas, no entanto, continua a revelar algumas deficiências demasiado caricatas e uma inquietante propensão para o enleio.
A terceira temporada começa com mais uma incursão pelo futuro, com Peter a ser caçado por Claire, por razão desconhecida, e a prometer que vai voltar atrás e reparar o mal feito. Ela não cai na conversa e dispara na mesma, mas Peter é aquele super-herói praticamente indestrutível, pára o tempo e sai de cena, regressando ao passado. Aquilo que acho mais engraçado nesta série é que há sempre um vislumbre do futuro onde tudo é terrível e depois, no presente, tudo é remediado sem consequências de maior com a alteração constante das linhas temporais e do desenrolar da História (apesar de, neste caso, até existirem consequências directas da viagem no tempo, isto a fazer fé no que diz Angela Petrelli).
Ao regressar ao passado, Peter transporta-nos para o final da segunda temporada, para o momento em que Nathan é alvejado, e revela-nos que, afinal, foi ele próprio que atirou no irmão de modo a impedir que o mundo conhecesse a existência de pessoas com superpoderes e, consequentemente, que os “normais” deixassem de querer submeter os predestinados “heróis” a constantes testes e outras experiências piores. Já no hospital, Nathan acaba mesmo por morrer na mesa de operações, mas, pouco tempo depois e de forma algo estranha, acorda (pois, claro, esta é aquela série que os personagens morrem, mas depois, afinal, não morreram…). E, quem diria… Encontrou Deus. Assim que consegue, levanta-se da cama do hospital e vai até à capela… Dar dádivas a Deus por este o ter salvo. (A sério, Tim Kring? É mesmo este caminho que queres seguir?). Todavia, alguns momentos mais tarde, uma outra (antiga) personagem entra em cena: Linderman. A dúvida de que se ele está morto ou não é desfeita mais perto do final do episódio, mas o engraçado é que ele reclama a si o facto de ter dado a vida de volta a Nathan. Estranho… Só falta mesmo dizerem que Linderman é Deus… Ou o Diabo… Ou algo do género que se lembrem de inventar…
Quem achava que o Peter do futuro se foi embora, enganou-se. Não foi e fez estragos. Mandou a consciência do Peter do presente para o corpo de um dos vilões que se encontram aprisionados no famoso Nível 5, enviou Matt para o meio de África – que a primeira coisa que se lembra de dizer quando acorda no meio do deserto é “está aí alguém?” (O quê?? Ó por amor de Deus… Ou melhor, de Linderman…) –, e aconselhou Claire a não vir em auxílio de Nathan, deixando-a à mercê de Sylar, que a encontrou com uma facilidade tremenda. Em demasia, até. Mas neste personagem, o que não faltam são pormenores de estranha ambiguidade. Por exemplo, mostra-se ser tão poderoso que consegue dominar por completo uma pessoa só com um gesto de mãos, mas não consegue abrir uma porta fechada à chave e com uma simples corrente a segurá-la. Consegue ser calculista e frio o suficiente para procurar e retirar um determinado poder, mas deixa-se capturar sucessivamente e com uma facilidade tremenda. E que raio de conversa foi aquela que não matava a Claire porque ela não podia morrer? Mais um personagem indestrutível? Oh, c’omon!
E, por falar em Claire, é através desta personagem que surge a maior gaffe do episódio, e quem sabe até da série, uma daquelas de amadorismo puro, que quem escreveu certamente se terá arrependido posteriormente: então a menina diz à mãe que sente dor como qualquer outra pessoa… Mas eu não me lembro de a ver a sofrer em qualquer uma das vezes em que foi completamente queimada, em que caiu de dezenas de metros de altura partindo todos os ossos do corpo, e por aí fora. Dor implica sofrimento. Coisa que nunca esteve presente nesta personagem. Antes pelo contrário.
Saltando até Tóquio, encontramos Hiro, o personagem cliché, e o seu sidekick, Ando. Parece que o Kaito Nakamura, pai de Hiro, lhe deixou uma mensagem vídeo no caso de morrer. Cliché. Na mensagem, ele avisa que Hiro não deve abrir um cofre. Claro que a primeira coisa que Hiro faz é correr a abrir o cofre. Duh! Ah! Mas dentro do cofre estava uma outra mensagem vídeo com Kaito a repreender o filho por este o ter aberto na mesma (cliché) e a revelar-lhe que ele deveria proteger uma fórmula. Ora, só que não é que nesse preciso momento uma nova “heroína”, vinda sabe-se lá de onde e o porquê de aparecer mesmo na altura certa (cliché), surge em cena e rouba-lhe a tal fórmula que Hiro deveria guardar com a sua própria vida!
Mais à frente, e ainda em relação à enfadonha dupla de japoneses, chega-nos o hipercliché do futuro catastrófico. É inacreditável como “Heroes” usa e abusa deste tipo de storyline, da catástrofe que vai chegar e que tem de ser evitada: aconteceu na primeira temporada com a explosão de Nova Iorque; na segunda com a libertação do vírus Shanti; e agora, com Tóquio a ser atingida por algo. Além disso, ficamos a saber que Ando irá ganhar poderes e que haverá um frente-a-frente entre ele e Hiro. Mas quem será o herói e o vilão? Hiro acredita que Ando se tornará vilão, mas será mesmo assim? Por mim, espero que este futuro se concretize, pois significaria que o Hiro morreria.
De volta aos EUA, mais precisamente a Nova Iorque, duas das menos interessantes e já demasiado cansativas personagens da série, Suresh e Maya (com um novo poder, o de se ter tornado num belo dum “eyecandy”), descobrem que os poderes são despoletados pela adrenalina e o indiano cria um soro biológico que permite ao homem comum tornar-se num super-herói. Claro que Suresh tem de o experimentar em si próprio (cliché), apesar de Maya o incentivar a destruí-lo, e torna-se num misto de Homem-Aranha com Super-Garanhão (!?)… O problema chega no final do episódio, quando a aplicação do soro começa a revelar ter consequências imprevisíveis e indesejáveis (cliché). O estranho é, pelo menos aparentemente, terem decidido abandonar definitivamente toda a storyline do vírus Shanti.
Como se toda a confusão anterior não bastasse, agora surge-nos Tracy, uma personagem idêntica a Nikki excepto numa coisa: o seu poder. É verdade que esta Tracy possui uma habilidade bem mais interessante do que Nikki, conseguindo congelar algo com um simples toque, mas a dúvida maior é a de onde querem Tim Kring e a sua equipa chegar com esta nova personagem? Ou qual a sua relação com Nikki (e será que esta morreu mesmo)? Ou, ainda, se não virá daqui mais um tiro no pé de Kring, para juntar aos outros?
Para o fim, e o texto já vai desmedidamente longo, o melhor: Angela Petrelli, visões, Nível 5 e vilões. Se o facto de o poder de Angela Petrelli ser ver o futuro revela uma grande falta de imaginação, o que ela vê, e nos mostra, tem o seu quê de intrigante. Hiro, Peter, Noah e Matt Parkman estão mortos, enquanto Nikki/Tracy, Adam Monroe, Morty Parkman e Sylar a rodeiam. Claro que esta visão não serve mais do que para gerar conversa, já que será algo que nunca terá lugar, mas, ainda assim, foi bastante interessante. Mas o melhor, mesmo o melhor, chegou no fim em forma de revelação surpreendente, quando a matriarca da família Petrelli revela a Sylar que ele é seu filho! (BOMBA!!) Por esta é que eu não esperava, e será uma, com certeza, uma linha de argumento que irá ser explorada durante esta temporada. Aguardo com ansiedade os desenvolvimentos relativos a esta bombástica confidência.
Por fim (“Finalmente!”, dizem num suspiro os resistentes), o Nível 5 e os vilões. Após matar Bob, Sylar tenta roubar os poderes de Elle, mas esta emite uma fortíssima descarga eléctrica deixando Sylar inconsciente e libertando os prisioneiros mantidos no Nível 5, entre os quais se contam HGR e o Peter do presente, cuja consciência se encontra presa no interior do corpo de um deles. Se bem que eu não sou nada a favor da inclusão de novas personagens num grupo já tão extenso (a não ser que as tenham qualidade e interesse, o que não tem acontecido até aqui nesta série), a verdade é que vilões que queimam vítimas inocentes em bombas de gasolina só por prazer têm a minha aprovação. Veremos o que sairá daqui.
Acho que está na altura de colocarmos os pontos nos is: “Heroes” nunca será mais do que uma mistela de drama de pacotilha com acção de segunda (ponham os olhos em “Buffy” e “Angel” para ver como se faz uma série de acção com engenho), exibindo interpretações não mais que razoáveis, um enredo enleado, repetitivo e cheio de chavões, com uma ou outra reviravolta de interesse lá pelo meio que fazem as pessoas voltar de semana para semana. Mas, às vezes, consegue entreter sem nos insultar a inteligência. E isso, para algumas pessoas, basta.

[starrater]




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Tu adoras o Hiro.
Aquilo da revelação bombástica és tu a ser irónico, ou é mesmo verdade?
Acho que Heroes voltou bem e que para ja estes episódios não se comparam com a 2ª temporada.
para sua informaçao claire sente dor sim ela confessou isso a west durante a segunda temporada quando eles conversaram sobre o poder dela..ela disse que sentia dor na hora mais que era passageira e vc pode obsercar que ela sempre faz cara de dor sofre ate se regenerar 100% ex? assista denovo a queda do voo com west apos o choque de elle ela caiu e demorou intantes para se regenerar senao concerteza teria evitado a ” morte ” de seu pai
Ora bem, vários vários meses depois, cá estou eu para comentar Heroes.
Depois daquela sofrível segunda temporada, já nem me lembro bem em que pé é que as coisas estão, mas enfim, também não perdi nada de muito especial.
Aquela do Nathan foi… WTF.
Eu gosto de futuros alternativos, mas como disseste, o que é demais já chateia.
A história da Claire e do Sylar foi… enfim, indescritível.
Maya e Suresh – yawn!!!
Nikki/Tracy – boring!!! E o que raio está o Sheridan a fazer aqui?
Gostei mais de saber que este é o Peter do futuro e especialmente das interacções dele com a mãe Petrelli que é, de longe, a minha personagem favorita desta série.
Mas o melhor deste episódio foi… o Ando a fazer um Kameame (ou como raio é que aquela coisa se escrevia. Era vermelho, mas era igual ao do Dragonball. mwhahahahaha!)
Amanhã já cá volto para comentar o segundo episódio. Diz-me lá, ZB, estavas ou não ansioso por ler os meus comentários?!
Tu és mesmo masoquista. Começas com PB, agora vens para Heroes. O que vem a seguir? 90210? Grey’s?
Nope. A seguir, Terminator 2.
Estas séries dão jeito, ponho-as a dar e vou fazendo as tarefas do dia a dia – arrumando a casa, limpando o pó, etc…
hoje estou a esvaziar o portátil, a passar tudo para o disco. Assim já se passaram 2 episódios e nem apanhei seca.
Diz-me lá, ZB, estavas ou não ansioso por ler os meus comentários?!
Claro que sim! Venham eles.
Sabem, para mim o maior problema desta série é o facto de pegar em tudo o que há de mau na banda desenhada, e deixar para trás o que há de bom. E há muitas coisas boas.
Butterfly-effect: esta teoria, por exemplo, é uma das mais exploradas na bd, e nunca houve consenso. Há quem acredite que é impossível alterar o futuro, e que qualquer mudança que façamos só irá resultar numa realidade alternativa, de forma a combater o paradoxo do avô (se eu matar meu avô no passado, o meu pai nunca teria nascido, e eu nunca teria nascido, por isso nunca teria viajado até ao passado, etc…) Acho que deviam deixar-se de fututos e passar antes para realidades alternativas. Era mais seguro.
Já agora, a revelação da Angela Petrelli – OMG. Estou a ter flashbacks para a família Summers. E isso não é bom. Onde é que anda um Mr. Sinister quando precisamos dele… sigh