[SPOILERS] Não é fácil esperar meses a fio por novos episódios de qualquer série, mas obrigarem-nos a esperar quinze meses pelos episódios finais de uma das melhores séries policiais de sempre é uma autêntica tortura. Mas finalmente a tortura acabou e “The Shield” regressa com o primeiro de 13 episódios que prometem fechar em grande esta história.
When I was young I was invincible / I found myself not thinking twice / I never thought about no future / It’s just a roll of the dice / But the day may come when you got something to lose / And just when you think you’re done paying dues / You say to yourself “Dear, God What have I Done?” / And hope it’s not too late cause tomorrow may never come
A escolha da música ideal para um episódio de uma série é crucial, e “The Shield” tem sabido usar de forma muito inteligente a música para complementar a acção. Se “Disarm” dos Smashing Pumpkins, na quinta temporada, nos deixou angustiados pelos seus ecos premonitórios, e “I Hung My Head” de Johnny Cash, na sexta temporada, foi uma saudosa homenagem a uma vida perdida, este “Reach For The Sky” dos Social Distorcion reflecte de forma perfeita a situação em que as personagens, especialmente Shane (Walton Goggins), se encontram.
Um ponto que sempre foi de honra para estes homens é a família – a de sangue e de armas -, algo comprovado pela forma corajosa como Lem estava disposto a sacrificar-se pelos seus irmãos de armas. Tudo é permitido, menos envolver as famílias. E é por isso que, quando a mulher e a filha de Vic (Michael Chicklis) são ameaçadas, tudo se altera. A represália pela atitude de Shane em “Spanish Practices” não é de estranhar, mas a imagem de Mara (Michelle Hicks) grávida e amarrada durante o ataque a Shane, com o choro do filho de ambos ao fundo, é assustadora, deixando-nos adivinhar que ninguém irá escapar impune desta vez. A história e as personagens estão mais negras, e nem mesmo Ronnie (David Rees Snell), que sempre se distanciou das piores acções, consegue escapar desta volta: ao matar Zadofian, juntou-se ao barco que lentamente começa a afundar-se, e acrescenta mais uma vítima à lista de danos colaterais de Vic.
Não tendo o fulgor de outros inícios de temporada, “Coefficient of Drag” mostra-nos claramente que a história caminha a passos largos para o final. Ao longo das últimas seis temporadas, Vic e os restantes membros da sua Equipa de Intervenção foram impiedosos mas eficazes, roubaram e mataram, limparam as ruas à custa da violência e conseguiram sempre safar-se. Mas a impunidade que os tem marcado parece estar a terminar. Os fantasmas do passado começam a cercá-los, e as mentiras a enrolar-se de tal maneira que escondem mesmo a verdade. As guerras com os arménios, que começaram na segunda temporada e que prometem continuar a dominar esta, misturam-se agora com o ataque ao cartel, em mais um problema exacerbado por Shane, que Vic irá ter de aguentar.
Se esta fusão de duas crises não augura nada de bom para a equipa, torna-se ainda mais difícil de aceitar para o espectador. Vic sempre foi um defensor de soluções simples para os vários problemas – veja-se a forma como resolve o conflito na loja, entrando com um carro pela janela para salvar os seus colegas – mas vê-se agora obrigado a formar nova aliança com Shane para resolver a crise por este criada. Entre os arménios, o cartel, a conspiração que tenta descobrir com Aceveda (Benito Martinez) e os dilemas profissionais que, mesmo com a ajuda de Pezuela (F. J. Rio), não se encontram resolvidos, há demasiadas histórias diferentes à solta, o que torna a trama por vezes confusa. Felizmente Shawn Ryan já deu provas de que consegue ser fiel à sua história e às suas personagens, e espera-se por isso que tudo venha a ser resolvido.
Com tantos dilemas do lado de Vic e da equipa, as histórias secundárias desta trama tendem a passar um pouco despercebidas, mas neste episódio tivemos mesmo assim a oportunidade de assistir ao regresso do hilariante Billings (David Marciano), burlado por Dutch (Jay Karnes) a regressar ao activo, aos erros grosseiros de Tina (Paula Garcés, o elo mais fraco das sete temporadas desta série), que podiam ter custado a vida a Danny Sofer (Catherine Dent), e ao comando de Wyms (CCH Pounder), que permanece a única personagem incólume em toda a série. Mas tal como as linhas marcadas no chão a sangue, sabemos que muito ainda está para vir, e que ninguém está seguro nesta história. Resta-nos esperar para ver o que acontece.

[starrater]




Blogue Sangue Fresco
Cinema Notebook
Sons of Anarchy Portugal






Quando tomei conhecimento desta série (por acaso foi no teu blog), já ia ela na 5.ª temporada. Bem sei que é uma excelente série, mas ainda não tive tempo de pegar nela. Será quando ela acabar.
Sobre as tuas reviews não é preciso dizer nada. Já és uma pro :shiny:
Pois, e somos 2, Pedro…
Tomei contacto com The Shield demasiado tarde. Mas ainda a tempo de recuperar o tempo perdido. Lentamente, sabendo estar a saborear algo de raro, como se bebesse um nectar divino. É assim que tenho visto a duas primeiras temporadas. Agora, a iniciar-me na 3ª, com um sorriso de satisfação por saber que ainda me falta muito, mas mesmo muito, material do bom para continuar a ver. Como dizes, uma das melhores séries policiais de sempre.
ps: Ah, e as tuas reviews são, também ela, um motivo digno de pontuação elevada. Pena é que te fiques apenas por esta (e não foi o ZB que me encomendou o sermão:))
Caramba, com tanto elogio ainda fico peneirenta.
Por agora o tempo não dá para mais, mas quem sabe, quando começarem outras séries… em Janeiro de 2009… talvez reviews daqueles 10 (11? 12?) episódios que faltam de uma série que eu cá sei :whistle:
Pedro Maciel – Quando puderes, experimenta – vale realmente ver esta grande obra.
Paulo Pereira – Se ainda vais na terceira temporada prepara-te, porque o que vem por aí vai deixar-te arrasado.
vi uns episodios no axn duma season mais avançada e achei uma palhaçada esta serie, talvez por nao ter visto o principio mas do que vi nao gostei nada…
tambem nao estou a criticar quem ve esta serie, pois eu, vejo series que muita gente nao gosta ou critica…
O resto do pessoal que me perdoe, mas a Syrin é tipo o Aimar (mas a jogar melhor) da equipa. :shiny:
Quem ou o que é um Aimar? huh?
LOOOOL syrin.
É 1 jogador do Benfica :shiny:
Ainda bem que perguntaram antes de mim quem era a criatura, estava na duvida se seria um elogio lol.
Ainda só apanhei episódios soltos da série mas depois da review estou tentada a começar!
Esta série eu não acompanho, porque já a descobri muito tarde.
Mas tive o cuidado de ler esta review e só tenho elogios a fazer.
Cativa a atenção e dá vontade até de ir ver. É o melhor elogio que posso fazer.
Good job, syrin!
Ah, Carolina, mas a questão permanece… seria um elogio? Esse tal de Aimar é bom jogador? Ou também gosta de The Shield?
E sim, eu espero que as minhas reviews convençam mais pessoal a ver esta grande série, só espero é que não vos dêem grandes spoilers. A mim contaram-me o final da 5ª temporada, e eu fiquei furiosa!
Mais de um ano depois, cá estou eu!
A mim contaram-me o final da 5ª temporada, e eu fiquei furiosa!
Eiiii. Que cena feia!! Então não apanhaste o choque devido! Eu vi a cena e não conseguia acreditar. Até voltei atrás para ver de novo. Como se fosse necessário enfrentar a realidade. E disse vezes sem conta”Não.Isto não! Não me façam isto”. Impressionante o realismo a que uma série pode chegar.
Em relação a este episódio (ohhh.Que seca já estar na última temporada), não tenho nada a acrescentar à review. Foi um começo não tão forte, mas mesmo assim muito bom.
Outra coisa que adoro na série é começarem os episódios (e especialmente os inícios de temporada)no sítio onde ficaram no anterior. Pode parecer óbvio, mas muitas séries dão saltos temporais (horas, dias, meses) e perde-se um pouco da história. Aqui isso quase nunca acontece. Continua-se a sentir a tensão, o desconforto e tudo o resto que as situações provocaram, pois elas continuam lá.
O Pablo Aimar é um GRANDE jogador, syrin
Off Topic: Alguém aqui viu o Pilot do Sons Of Anarchy?
Podes estar descansada Syrin. O Aimar é o craque (embora ainda tenha demonstrado pouco). É tipo: ele e mais 10 em campo. É essa a ideia.
Não sei se ele vê The Shield. Se calhar só vê telenovelas (ele é argentino) :shiny:
Acredita que chamar-te Aimar é um elogio.
Quanto á série e á review só tenho uma palavra a dizer: excelente.