[SPOILERS] Há sete anos que se joga uma partida de xadrez em Farmington, e é Vic quem tem vindo a comandar o jogo. Mas agora que “The Shield” está a chegar ao fim, uma jogada em falso pode causar danos irreversíveis e ameaçar a sobrevivência de todos
“This war we’ve started, it’s already spinning out of control.” Não é de estranhar que Vic (Michael Chiklis) pronuncie estas palavras quando descobre que a vida de Rezian (Ludwig Manukian) está em perigo; o que é de estranhar é que não o tenha previsto antes. Vic não é ingénuo e não tem medo de soluções extremas para problemas que parecem insolúveis, mas a verdade é que a forma como tem lidado com o problema causado por Shane (Walton Goggins) não é a melhor.
Orquestrar uma guerra entre dois inimigos poderosos é um grande risco, especialmente quando não se controla verdadeiramente nenhuma das partes, e o que se viu neste episódio é que o controlo que Vic tem sobre a situação é ténue. Salvar Rezian era a única forma de manter as famílias Mackey e Vendrell seguras, mas isso obrigou a que o nome de Shane ficasse ainda mais associado ao de Rezian. Por outro lado, Vic arrisca demasiado ao poupar a vida a Aramboles e ao chantagear Pezuella (F. J. Rio), numa atitude que parece um pouco contraditória. Os dez mil dólares que Vic pede a Pezuella lembram o Vic antigo, aquele das duas primeiras temporadas, que não hesitava em fazer acordos sujos para lucrar financeiramente enquanto ajudava a limpar, com grande eficácia, o “seu” bairro dos maiores criminosos. Já deixar partir Aramboles remete-nos para o Vic mais recente, aquele que surgiu depois do dinheiro dos arménios ter desaparecido em chamas, e que tentou, infrutiferamente, salvar um amigo. À medida que a história avança, a personalidade de Vic parece evoluir – resta saber é que Vic irá chegar ao derradeiro capítulo desta história.
Mas porque esta guerra ainda agora começou, “Snitch” deixa a trama principal em lume brando e leva-nos de volta para as ruas, para outro dos temas que sempre marcou esta série – o mundo dos gangues. Ao mesmo tempo absurda e assustadora, a história da lista dos dez piores gangues oferece-nos a melhor imagem de todo o episódio. Ver uma rua inteira a dançar, num ritual de celebração macabro, durante a prisão dos dois assassinos juniores é, ao mesmo tempo, uma visão assustadora e um espelho da nossa realidade, uma realidade em que a violência sem sentido contagia cada vez mais as crianças. Mas mais do que isso, esta história é também a oportunidade perfeita para se mostrar a incompetência dos cargos superiores e a tentativa de distorcer a realidade para a adaptar às necessidades do momento. A tentativa de ligação dos crimes cometidos pelos gangues à influência da Al-Qaeda, por muito absurda (e hilariante) que soe, é um reflexo de uma administração que prefere encontrar justificações externas para os problemas internos, numa tentativa de esconder a verdadeira realidade do seu próprio país. Como Vic ironicamente comenta, enquanto as agências anti-terrorismo perderem tempo à procura dos últimos criminosos internacionais, ele estará a tratar dos verdadeiros criminosos 100% americanos. E é por isso que, por muito mal que Vic tenha feito ao longo dos anos, a sua eficácia no trabalho policial nunca será posta em causa.
Dar uma imagem completamente imparcial de uma realidade é quase impossível, e por muito que os produtores de “The Shield” tenham tentado, nem sempre conseguiram deixar de nos dar alguns pequenos “sermões”. Um exemplo disso, é a conversa entre Claudette (C.C.H. Pounder) e o jovem assassino que, embora um pouco deslocada, não deixa de ser poderosa. Mas porque nada é feito ao acaso nesta série, a queixa apresentada contra a comandante pode ser apenas o começo de uma história que poderá vir a ameaçar todos. E desta vez a intervenção de Dutch (Jay Karnes) poderá não ser suficiente para salvar a sua antiga parceira.
Como tem sido hábito ao longo das temporadas, a história dedicada a Dutch é, mais uma vez, a parte mais descontraída. Desta feita, Dutch e Billings (David Marciano) tentam descobrir o assassino de uma jovem no meio de uma população pouco cooperante. As discussões entre Dutch e Billings são sempre o ponto alto de cada cena, e neste episódio deixaram-nos até ver que, quando quer, Billings nem é um mau profissional. No entanto, já se começa a sentir saudades de um Dutch mais sério e mais profissional, o mesmo de “Dragonchasers”, que conseguiu surpreender tudo e todos pela sua astúcia. Espera-se que este regresse em breve, e que a Jay Karnes seja dada novamente a oportunidade de brilhar.

[starrater]




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O Julien faz alguma falta. Gostei muito do episódio e da review! :goodjob:
Acho que o episódio foi bastante dado aos conflitos entre os diferentes personagens. Dutch/Billings, Danny/Tina, o que me agrada bastante porque sempre gostei dos personagens fora da strike team. É pena que o Julien ter desaparecido desde que passou a fazer parte da equipa e que o Aceveda já não tenha tanto peso.
Sinceramente já estou farta do conflito Danny/Tina, que não ajuda nada a história. E sim, também sinto falta do Julien… foi uma das personagens com história mais controversa que eles simplesmente deixaram de lado.
Parece-me que o Aceveda ainda irá regressar, porque também está envolvido na história da conspiração.
Ah, já agora – já estou farta do papel cada vez maior da filha do Chiklis, ela não é nada boa actriz. Enquanto fazia apenas algumas aparições especiais tudo bem, mas agora que tem cada vez maior destaque nota-se que não tem calibre para o papel.
em qualquer outra série este episódio teria sido quase deslumbrante! mas isto é “the Shield”, esperamos sempre mais e melhor, aquela “loucura crua” que nos deixa agarrados ao sofá ao ver cada minuto do episódio! parece-me que este início de temporada está a construir lentamente um final de temporada nada menos que apoteótico! a série não merece outra coisa no seu desfecho!
Exactamente. Eu gostei muito do episódio, mas mais pelas histórias secundárias do que da trama principal. E os Spook Street a dançar vão ficar na memória.