[SPOILERS] “Jesus, Vic, everything we do to get out of this shit just drags us down deeper.” Palavras sábias de alguém que já viu aquilo que Vic (Michael Chiklis) se recusa a reconhecer.
Durante mais quanto tempo é que Vic continuará a pensar que consegue enganar tudo e todos? Enganar Rezian (Ludwig Manukian), enganar Pezuella (F. J. Rio), os colegas e a própria família? Durante mais quanto tempo é que Vic pensa que poderá continuar impune? Neste que é o acto final, espera-se que Vic e os colegas da Equipa de Intervenção venham finalmente a pagar as suas dívidas e a ser responsabilizados pelo que fizeram, mas pelo que vimos neste episódio, a sorte parece decidida a ficar do lado dos demónios.
Para quem está do lado de cá da televisão, é muito fácil criticar e fazer juízos de valor sobre a qualidade ou não de um episódio, mas a verdade é que “The Shield” nos habituou a muito mais do que vimos neste “Money Shot”. A facilidade com que Shane (Walton Goggins) consegue roubar as armas do depósito da polícia é intrigante e mesmo enigmática – ninguém o viu a sair? Quem é que abriu o portão? Não há registos da apreensão do carro? -, mas a forma como Rezian, um experiente chefe de uma perigosa máfia, acredita em tudo o que Vic e Shane lhe dizem em detrimento dos seus mais fiéis parceiros, é completamente inacreditável. Haverá alguém que não tenha ficado incrédulo ao ver Vic a fingir (sem grande convicção, diga-se) ter ouvido um rádio da polícia, segundos antes dos agentes federais invadirem o parque de estacionamento? E logo de seguida desejar que toda a cena em que Vic finge encontrar a escuta no gabinete de Rezian nunca tivesse sido filmada? Mas mais importante do que isso… acreditará alguém que conceder três desejos a Rezian é garantia de que as famílias Mackey e Vendrell estarão seguras a partir de agora?
Aquilo que se pede, a dez episódios do final desta saga, é que as várias tramas que temos vindo a acompanhar ao longo dos últimos sete anos convirjam e nos dêem uma resolução definitiva desta história. Mas para o conseguir não é necessário ressuscitar todo e qualquer figurante das últimas temporadas, como é o caso das personagens terciárias Axl e Burnout, que ocupam tempo que devia ter sido dedicado a outras mais importantes, como Aceveda (Benito Martinez). E por falar em Aceveda… o que irá acontecer a Vic agora que Aceveda roubou a caixa com o material de chantagem? Os dois encontram-se novamente em lados opostos, e as ameaças de Vic nunca devem ser tomadas de ânimo leve, mas a verdade é que Aceveda já mostrou ser perigoso quando quer. Esperemos que voltem brevemente a este assunto.
Sem avançar de forma definitiva a trama principal, este terceiro episódio de “The Shield” deu-nos ainda assim alguns bons momentos de interacção entre os vários membros da Equipa de Intervenção. Shane e Vic parecem estar a aproximar-se: Shane entrega a única cópia do polémico relato sobre os crimes da Equipa, e Vic aceita que a morte de Lem foi a única saída para o dilema em que se encontravam na quinta temporada. A questão é que ambos estão a mentir. Como confidencia a Mara (Michele Hicks), Shane fez outra cópia do ficheiro, e Vic estava claramente a mentir durante o seu discurso final. Resta saber quem irá abrir o jogo primeiro. Cada vez mais afastado desta história encontra-se Ronnie (David Rees Snell), que a cada episódio se mostra mais preocupado com o poço em que estão a cair, e que está claramente descontente com o regresso de Shane à equipa. Embora não tenha tido grande destaque nas primeiras temporadas, Ronnie já sofreu bastante por causa desta equipa: teve a cara queimada por Guardo na segunda temporada, perdeu a sua parte do dinheiro na terceira, chegou mesmo a matar para defender Vic… e no entanto, quando precisa de ajuda, não tem ninguém para o defender. As marcas do ataque do cão, tal como as queimaduras na cara, podem vir a desaparecer com o tempo, mas o rancor que certamente guarda não será tão fácil de apagar.
Num episódio em que as histórias secundárias tiveram tanto destaque quanto a trama principal, é novamente Dutch (Jay Karnes) que tem o caso mais bicudo. “The Shield” já nos apresentou, por diversas vezes, casos controversos, mas o desta semana é deveras repugnante. A ideia de violar uma rapariga para a forçar a ver o caminho correcto (isto é, o caminho das relações heterossexuais) é assustadora e inacreditável mas, ao mesmo tempo, relembra-nos que o próprio Julien (Michael Jace) se serviu da religião e das relações sexuais com mulheres para “deixar” de ser homossexual. Numa série que se pode orgulhar de nunca deixar pontas soltas, a história de Julien é um dos casos mais flagrantes de algo que foi convenientemente esquecido. Teria sido, por isso, muito mais interessante ver a reacção de Julien durante este caso, do que assistir a um fraco discurso de Danny (Catherine Dent) para convencer a vítima da semana, que foi escrito apenas para fazer avançar a história de Danny e ligá-la à de Wyms (C.C.H. Pounder).
Depois de 78 episódios, Shawn Ryan mostrou em “Money Shot” um raro momento de fraqueza. Esperamos que nos compense nos dez episódios finais.

[starrater]




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Não resisti a dar uma espreitadela:)
E isto apesar dos spoilers. Acabei ontem de ver a 3ª temporada. Vou iniciar a 4ª este fim-de-semana (YES), mas a curiosidade foi demais :shiny:
Espero que esta última época, a da redenção e/ou criminalização dos “demónios” aconteça com a qualidade de sempre. Seria fechar com chave de ouro!
Detestei este episódio. Depois de vêr os outros e de pensar que esta temporada ia ser a melhor de todas, este episódio veio estragar tudo.
@paulo: Shame on you, vires ler spoilers. Por outro lado… vais agora começar a 4ª temporada? Boa, muito boa… Glenn Close em grande.
@gona26 – também não achei assim tão mau… apenas mais fraco do que aquilo que esperava. Mas também temos de ver que um episódio mais fraco de The Shield continua a ser muito melhor do que muitas tretas que se encontram por essa net fora.