[SPOILERS] Há muito que se lhe diga sobre uma série que, sete anos depois, continua a surpreender. E se a trama principal continua um pouco confusa, a verdade é que “Genocide” apresenta uma reviravolta interessante nesta sétima temporada de “The Shield“.
Uma das queixas que tinha nos episódios anteriores era o facto de Vic (Michael Chiklis) estar a conseguir enganar tudo e todos de maneira extremamente fácil. Não é muito verosímil ter, em todos os episódios, Vic e Shane (Walton Goggins) a conseguirem deitar mais achas para a fogueira que é a guerra entre os arménios e o cartel sem se queimarem uma única vez, e muito menos acreditar que ninguém na esquadra perceba que está a ser enganado. Infelizmente, a sorte dos dois está a acabar, e embora tenham conseguido mais uma vez escapar-se do perigo imediato, surge um elemento novo, um peão escondido, que poderá deitar tudo a perder.
Numa temporada que está constantemente a trazer à cena antigas personagens de temporadas passadas, o destaque que a agente do FBI Olivia Murray (Laurie Holden) tem tido parecia um pouco estranho. Não poderia ser apenas mais uma conquista para Vic, como o foi Becca Doyle na quinta temporada, mas também não estava a ter um papel predominante, parecendo ser apenas mais um peão ao serviço de Vic. Mas como Aceveda (Benito Martinez) descobre, Olivia está na verdade ao serviço de Pezuela (F.J.Rio), pondo desta forma em risco tudo aquilo por que Vic lutou. Resta agora saber o que irá Olivia fazer com a informação de que dispõe – irá contar a Pezuela? Ou irá pedir a ajuda de Vic para se livrar do peso que tem sobre a sua cabeça? Seja qual for a sua escolha, o cerco começa a apertar-se, e não vai ser tão fácil continuar este jogo.
Num episódio em que os confrontos dominaram (Vic vs. Pezuela, os arménios vs. o cartel), são outros, mais próximos, que nos deixam apreensivos. Muitos tentaram destruir a Equipa de Intervenção: de Aceveda aos gangues, de Kavanaugh aos traficantes, todos tentaram, sem sucesso, derrubar Vic, mas o sentimento de irmandade que existia entre os seus membros conseguiu protegê-los ao longo dos anos. Só que agora que a série está a chegar ao final, poderão ser os conflitos internos a deitar tudo a perder. Depois da morte de Lem, tudo parece ter-se alterado, e a Equipa de Intervenção nunca mais foi a mesma: Ronnie (David Rees Snell) continua a distanciar-se, e Shane mostra cada vez mais a sua falta de carácter. Também dentro da família Mackey, os ânimos parecem cada vez mais exaltados, agora que Cassidy (Autumn Chiklis) cresceu e se apercebeu de que o pai não é o santo que julgava. Se a expressão de Vic ao constatar que Shane não se interessa pelo destino do bairro é esclarecedora, o desespero que revela ao ser confrontado pela sua própria filha sobre os seus crimes passados deixa-nos pressentir o desfecho trágico desta história.
Apenas é de lamentar que a personagem que esteja a ganhar cada vez mais destaque mais importância nesta série, e que poderá ser um dos elementos que irá deitar abaixo Vic e tudo o que ele representa, como é o caso de Cassidy, seja interpretada por uma actriz tão fraca. Os momentos em que aparece em cena são cada vez mais penosos, mas a diferença entre uma boa interpretação e uma interpretação medíocre nunca ficou tão claro como durante a cena entre Cassidy e Danny (Catherine Dent).
Para além de todos estes dilemas, “Genocide” traz-nos de volta aquilo de que há muito se sentia falta – o verdadeiro Dutch (Jay Karnes), detective-mor de Farmington. Quem viu todas as temporadas anteriores percebeu que, por muitos defeitos que tenha, o faro de investigador de Dutch raramente se engana, e é por isso que, quando ele desconfia ter encontrado um assassino em série, nós acreditamos na sua opinião. E mesmo se a ajuda de Billings (David Marciano) não tenha sido suficiente para desvendar o caso neste episódio, temos a certeza de que não será a última vez que vamos ouvir falar de Lloyd Denton (Kyle Gallner).

[starrater]




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Mais um bom episódio á moda de The Shield