[SPOILERS] Se o primeiro episódio desta incursão na vida da família mais rica de Nova Iorque se iniciou com uma morte, o segundo episódio tem um funeral. Tétrico? Deprimente? Sim. Talvez. Se estivéssemos a falar de pessoas normais. Mas não com os Darlings. Eles vivem num Mundo diferente. Com regras diferentes. Inacessíveis ao comum dos mortais.
A fama arrasta consigo muita coisa. E, entre elas, sobressai sempre a forma como a privacidade dos poderosos é devassada. Nos Darlings, é sempre em grande. Capas de revistas, colunas de jornais e até um programa televisivo.
Compreende-se a avidez dos media. Como numa balança mal calibrada, de um lado o funeral pesaroso de Ellen (Bellamy Young), a esposa de Patrick (William Baldwin), Secretário de Justiça, morta acidentalmente. No outro lado da balança, um julgamento que se prevê mediático. Letitia, a matriarca da família, com um affaire amoroso com Dutch (Peter Strauss), advogado de família, agora acusada publicamente a sua morte.
O funeral de Ellen não poderia ser uma cerimónia simples. Ou sentida. É preparada até ao mais ínfimo pormenor, como se de uma partida de xadrez se tratasse. Desde elogios fúnebres dissecados até à última sílaba, passando por convites a personalidades conceituadas, para finalizar na música preferida pela defunta: Kenni G.
No meio deste turbilhão, Nick (Peter Krause) procura manter-se à tona. Seguindo as pisadas do pai, como advogado da família, sente-se cada vez mais puxado para o interior caótico dos relacionamentos privados dos Darlings. Vivendo uma crise conjugal, acentuada pela descoberta do beijo trocado entre a esposa e o Darling mais novo, Jeremy (Seth Gabel), vê com alguma relutância o pedido da esposa para manter viva a chama o casamento: um novo bebé!
Mas essa é, ainda assim, a menor das suas preocupações. Tripp Darling (Donald Sutherland) é, debaixo daquela pele de avozinho sofisticado, um lobo voraz, que faz da amoralidade a sua palavra-chave. Mesmo com um dispendioso advogado contratado com a pompa e circunstância do momento para defender a sua esposa, a mente do patriarca dos Darlings move-se à velocidade da luz. Para quê perder tempo em morosos processos judiciais, de resultados incertos, se pode colocar Nick como o defensor do bom nome e inocência de Letitia (Jill Clayburgh)?
Logicamente que, neste raciocínio cristalino, a ética não teve permissão para se intrometer. Nick é filho de Dutch. Letitia é acusada de ter assassinado Dutch. Que melhor prova de inocência do que colocar o filho da vítima a defender a acusada?
Ao segundo episódio é finalmente explicada a presença de Nola (Lucy Liu). Enigmática, bela e sensual, depois de se rebolar nos lençóis com o D.Juan dos Darlings, esse Jeremy cheio de amor para dar, ela aparece. Nos degraus do Tribunal. E com fama de pittbull. Advogada de acusação, para espanto e ultraje de um atarantado Jeremy, que percebe assim as suas palavras de despedida, depois de uma longa noite de amor: “aconteça o que acontecer, cada momento que tivemos foi real e eu gosto de ti”.
Ao mesmo tempo, a prisão de Letitia provocou um pequeno terramoto financeiro no vasto império dos Darlings. E Nick, cada vez mais omnipresente, vê-se como decisor na escolha do futuro herdeiro na condução dos negócios da família. Vice-presidente é um cargo importante. E satisfatório para o ego. Até Simon Elder (Blair Underwood), arqui-inimigo dos Darlings, insidioso, se intromete na tomada de decisão de Nick, acossado por todos para uma escolha condicionada.
Se alguns pensariam que o funeral serviria, no mínimo, para relaxar, nas condolências apresentadas, enganaram-se. Com os Darlings tudo é trepidante. E um mero serviço fúnebre pode terminar…num tumultuoso confronto com a polícia. Letitia, em prisão domiciliária, desobedece à ordem judicial para acompanhar as exéquias da nora. O resto…bem, o resto só visto, com cenas de pugilato, agressões verbais e reencontros amorosos.
O resultado da contenda permite colocar frente-a-frente dois irmãos desavindos. E não, não são dos Darlings. Nick George e Brian (Glenn Fitzgerald), a ovelha negra da família, fruto da relação extra-conjugal de Letitia com Dutch. No confinado espaço de uma cela, presos por algumas horas, as picardias e antipatias geradas por anos de ódios, transformam-se numa elegia: a de Nick ao seu meio irmão, com a revelação de que foi ele o escolhido para o cargo de vice.
Tudo poderia terminar aqui. Mas qual Maquiavel na sua sala de estratégias, Tripp continua a ser um general arguto. Na conferência de imprensa para, publicamente, mostrar aos accionistas e público em geral o nome do seu sucessor, a bomba cai. Com estrondo. Nick George. Vice-presidente. Uma jogada inesperada, com repercussões futuras. Mas quais?

[starrater]




Blogue Sangue Fresco
Cinema Notebook
Sons of Anarchy Portugal





