[SPOILERS] Lisa (Zoe McLellan), a belíssima esposa de Nick, o faz-tudo da família Darling (Peter Krause), já tinha lançado a premonição: “vai haver uma altura em que terás que escolher entre a família deles… e a nossa”.
Bem, implicitamente Nick já efectuou a escolha. E, ao que parece, ganharam os Darlings. Cada vez mais soterrado nos problemas da família mais rica de NY, Nick desempenha o papel de um jogador polivalente. É advogado, aceitando defender a matriarca da família, Letitia (Jill Clayburgh), acusada por pretensamente ter assassinado o seu pai. É psicólogo, ouvindo os queixumes mimados de Patrick (William Baldwin), Darling criteriosamente esculpido por Tripp (Donald Sutherland) para se tornar um ícone da política. E, se a angariação de votos tiver que passar por forjar sentimentos acerca da morte da própria esposa, Patrick fá-lo-á. Mesmo que isso o consuma interiormente. Nick é também um mágico, na linha de Houdini, capaz de arranjar a mais mirabolante solução para qualquer problema existente no seio da família. Mesmo quando Patrick resolve, em directo e em pleno debate político, revelar a verdade sobre a morte da esposa, Ellen (Bellamy Young). Num passe de mágica, quando a voz pigarreia antes do momento decisivo, aparece Carmelita (Candis Cayne). A paixão ardente e proibida de Patrick.
Insidiosamente, a personalidade de Nick vai-se alterando, moldada à dos Darlings. O anterior e criterioso advogado aparentemente sucumbiu aos exemplos de falta de ética e malabarismos morais com que convive. Cada vez mais Nick assume-se como uma cópia de Tripp, seguindo as pisadas do patriarca da família, numa relação de tutor-aluno.
Neófito nessas andanças, Nick descobre, quase sempre da pior maneira, que existem muitas maneiras de guardar segredos. A principal testemunha de acusação de Letitia é… a sua mãe. Que ele não vê há 30 anos. E que durante esse tempo recebeu periodicamente avultadas quantias de dinheiro de… Letitia. O mundo dos Darlings é uma montanha-russa de emoções, com surpresas ao virar de cada esquina.
Três décadas depois, o reencontro. Em França, País hospedeiro de Clare(Rae Ritke). Com alguma animosidade na relação, previsível depois de um hiato tão grande, Nick mostra-se um aprendiz fiel das qualidades de Tripp. Um verdadeiro jogador. De emoções. Humanas. Dominando sabiamente a arte da manipulação, Nick consegue informações. E, mais do que isso, subverter um potencial efeito devastador do testemunho de Clare. Porque, bem vistas as coisas, Clare pode ser a mãe biológica, mas Letitia é aquela que o acolheu, quando abandonado, altruísta nos sentimentos. Haveria alguma dúvida para que lado pendesse a fidelidade de Nick?
Numa série que se encontra num autêntico “banho-maria”, a personagem de Brian (Glen Fitzgerald) mereceria mais protagonismo. O ex-padre, pecador confesso, com uma personalidade truculenta, agressiva, exaltada, de coração empedernido, capaz de roubar o táxi a uma velhinha com colar cervical, é no entanto um pai extremoso, percorrendo meio mundo se isso significar que o seu rebento fica feliz ou menos carente.
Momento mais do episódio: O reencontro entre duas rivais. Lisa e Karen (Natalie Zea). Dois minutos de intenso fogo cruzado, à porta do apartamento que Nick divide com a sua família. Armas de destruição maciça na ponta da língua, num pingue-pongue verbal corrosivo e para maiores de 18. Ou o melhor exemplo de como duas mulheres adultas se podem insultar, sem estragar o eyeliner ou desmancharem os sorrisos. Só para profissionais…
Momento mais – parte II – Se Maomé não vi à montanha, a montanha vai a Maomé. Lema de vida do playboy Jeremy Darling (Seth Gabel). Namorar secretamente a advogada de acusação da sua mãe tem algumas desvantagens. A ausência de vida social, a dois, é uma delas. Se isso, num namoro normal, poderia ditar o fim de uma relação, com Jeremy serve para a elevar a outro patamar. Nem que para isso se tenha que contratar a banda predilecta da namorada, para um concerto intimista, no apartamento.
Momento menos do episódio: Simon (Blair Underwood) e Karen. Karen e Simon. Relação de segredos, sedimentada em intriga e manipulação, mas que parece ter estagnado, repetitiva nos seus mistérios, aborrecida nos diálogos. Precisa-se urgentemente de uma reciclagem…

[starrater]




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Isto está um bocado mau…
“Isto” será propriamente o quê? Ou nem tentaste dizer nada e apenas fizeste (mais) um comentário estereotipado?