[SPOILERS] A saga dos Darling, parte II. Poderia começar assim a análise ao início da segunda época, onde a vida da família mais rica de Nova Iorque é dissecada ao pormenor.
Para quem perdeu o fim à meada, nos 10 episódios que compuseram a primeira época, prematuramente encerrada pela greve dos argumentistas, os Darling são uma família. Disfuncional, como quase todas. Poderosa, como nenhuma. Como os tentáculos de um polvo, a influência da família na vida da grande metrópole faz-se sentir, em todos os aspectos: nos negócios, na política, onde o herdeiro Patrick Darling IV (William Baldwin) tem renovadas ambições políticas, e até no glamorouso mundo social.
O patriarca da família, Tripp Darling (Donald Sutherland) é o pilar que mantém a estrutura familiar a funcionar, pese as discussões, os escabrosos escândalos, os dramas. Se Tripp Darling é o patriarca, a esposa Letitia (Jill Clayburgh) é o elo de união, o porto de abrigo, o ninho onde os filhos retemperam forças, curam feridas e saram desgostos. Procurando, de alguma forma, colocar um pouco de ordem no caos está Nick George (Peter Krause), advogado da família, seguindo as pisadas do pai, precocemente morto num desastre suspeito de aviação.
Ao ritmo ligeiro das banalidades, a série mostrou qualidade, mas sempre deixando um ligeiro travo a frustração. Faltava algo. Comédia? Drama? Thriller? Ou uma mistura explosiva das três?
A segunda temporada inicia-se com uma morte. Com um aniversário também. E com uma reconciliação. Esta, entre pai e filho. Entre Tripp e Patrick. Entre velha e sábia raposa e o filho dilecto, cujo caminho foi criteriosamente preparado para a ascensão política. A vítima da “ceifadora” está intimamente ligada a Patrick. Aliás, é a sua esposa, Ellen (Bellamy Young), que vive enclausurada num mundo de luxo, vendo o seu marido, o político de reputação intocável, procurar o afago de um travesti em seu detrimento. O álcool surge como companhia e amizade de Ellen. E como testemunha silenciosa dos últimos momentos de estertor, quando uma queda no WC se revela fatal para ela. E conveniente para o resto da família. Um último arrufo entre marido e mulher. Depois de um tiro na perna, na primeira temporada, Patrick assiste a novo momento de fúria, provocado por essa mistura explosiva entre o ciúme e o álcool em excesso. Uma morte, mesmo que acidental, sempre atrapalha quem tem ambições políticas. Mas, para os Darling, existem sempre outras opções. Mesmo que estas sejam a de mudar cadáveres de local…
Karen (Natalie Zea), eternamente apaixonada por Nick, vive um tórrido romance com Simon (Blair Underwood), inimigo figadal do seu pai, dono e senhor de um vasto império. Ambos possuem personalidades fortes, manipuladoras, num jogo de ilusão e engano sobre o lado para o qual penderá a fidelidade dos dois. E o “I love you” proferido, num assomo de paixão, por Simon, faz parte da estratégia ou é fruto do sentimento, cristalino? Uma relação sedimentada em intriga, engano, mistério e traição poderá frutificar?
A nova temporada viu desaparecer, literalmente, o par predilecto de outro Darling. Jeremy (Seth Gabel), playboy nascido em berço de ouro, é irmão gémeo de Juliet (Samaire Armstrong), a quem devota uma enorme afeição. Alguns dos momentos hilariantes, na primeira temporada, tiveram os dois como centro das atenções. Mas Juliet, uma espécie de clone de Paris Hilton, vivendo escondida numa camada de futilidade, mas possuindo uma alma de grande sensibilidade, levou sumiço. Sem explicação. Pelo menos, conhecida.
Momentos-chave, para próximos episódios:
A relação entre Nick e a sua esposa, Lisa (Zoe McLellan). O crescente mal-estar entre ambos é visível. Apaixonados, mas cada vez mais distantes. Nick, obcecado na demanda de justiça, relativa ao pretenso assassinato do seu pai, é engolido cada vez mais pelo estilo de vida dos Darling. O fausto, quando provado, pode ser viciante. E ele que o diga, pois recebe um iate de oferta, pelo aniversário. E uma prenda “á la Marylin Monroe”, com direito a striptease no escritório, por parte de Karen.
A semente, pequenina ainda, de uma possível relação extra-conjugal, por parte de Lisa, assediada romanticamente pelo estouvado Jeremy, já tinha sido lançada, no decurso da primeira temporada. Depois do beijo no último episódio, a dúvida persistia nesta temporada. Haverá algo mais? A resposta é um rotundo SIM. Em pleno dia de aniversário, novamente preterida pelos inefáveis Darlings, Lisa deixa-se seduzir. Foi novamente um beijo, apenas. Mas ardente. Sôfrego.
Clark (Shawn Michael Patrick), motorista dos Darling, low profile, homem dos sete ofícios, sejam eles mudar um pneu ou esconder o cadáver de Ellen, devorado pelas chamas na casa de campo da família, terá uma participação mais activa na história?
E o que dizer do final, espantoso e surpreendente, com a polícia a irromper pela festa de anos de Nick, para prender Letitia Darling pelo assassinato de um homem com que ela teve uma longa relação extra-matrimonial? O pai de Nick, morto pela mulher que amava e desejava? Será?
Que papel estará destinado a Lucy Liu? Bela, enigmática, sensual e misteriosa, seduzindo um instável Jeremy, para uma noite de paixão na limusina. Obra do acaso, ou outra trama bem elaborada? Porque, já se sabe, “The Darlings don’t do small and simple.”

[starrater]




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Vou ver por Portugal. Está quase!
Ainda não vou começar a ver isto, mas só queria comentar isto…
“(…) Mas Juliet, uma espécie de clone de Paris Hilton, vivendo escondida numa camada de futilidade, mas possuindo uma alma de grande sensibilidade, levou sumiço. Sem explicação. Pelo menos, conhecida. (…)”
Ela não tinha combinado ir viver com o novo namorado para o país dele, no final da primeira temporada, ou estou a sonhar?
Não Daniel, não combinou coisa alguma. Kyle, o tal namorado que apareceu repentinamente no episódio “The Nutcraker”, vindo das Seychelles, manifestou inclusivé a intenção de ficar indefinidamente em Nova Iorque.
Aliás, a relação entre ambos, pouco aflorada nesse episódio, termina com Juliet oferecendo o seu presente mais precioso ao namorado: a sua vinrgindade.
Depois disso, não existiram mais cenas com ambos, por isso é mera especulação dizer-se que foram para o País natal dele. Será, provavelmente, a justificação a dar no próximo episódio, mas lá está, nesta altura Juliet levou sumiço. Sem qualquer explicação.
OK, foi confusão minha então. É o que dá a série ter terminado há “tanto tempo”… Obrigado pelo esclarecimento, Paulo.