[SPOILERS] Passaram 293 dias, 6 horas e 44 minutos (mais coisa menos coisa) desde o último episódio de “Pushing Daisies”. Tempo suficiente para as expectativas irem ao forno e aumentarem de volume com o fermento da saudade. Os nove capítulos da primeira temporada souberam a pouco e foram uma espécie de infância encantada da qual não quisemos sair. Chegou agora a altura de provar a passagem para vida adulta e depois de ver este regresso os factos são estes.
Foi dos melhores arranques de uma série televisiva que vi nos últimos tempos. O início passa a perna ao previsível “anteriormente em” e constrói um pequeno resumo narrado com a vida actual dos protagonistas. Desde o bailado entre Chuck (Anna Friel) e Ned (Lee Pace) de modo a coabitarem, até ao banho de abelhas, tudo é um festival de magia e criatividade, são tantas ideias a piscar ao mesmo tempo que os nossos olhos andam de um lado para o outro a tentar reter o máximo, a largar um enorme sorriso. Depois de enquadrados (os novos) e maravilhados (os novos e os velhos) seguimos para a história, que agarra no trio de revelações deixadas na primeira temporada: a Tia Lily (Swoosie Kurtz) não é de facto tia mas sim mãe de Chuck; Emerson (Chi McBride) tem uma filha e Ned revela à sua amada que é responsável pela morte do seu pai. Com esta última já resolvida, as outras prometem trazer novidades, à medida que o detective rezingão constrói um livro infantil, onde espera ser encontrado, e a antiga sereia apresenta o seu retiro a Olive Snook (Kristin Chenoweth).
Esta barbie destroçada, eterna apaixonada pelo mestre das tartes, despede-se e vai parar a um convento de freiras, num conjunto de cenas muito caricatas e divertidas, onde se destaca aquela apresentação à Música no Coração! Deixando então livre a sua antiga casa, o que possibilita a Chuck uma independência que ela nunca teve, para grande desgosto de Ned que vê a sua companheira de quarto tornar-se sua vizinha. Passo importante no desenvolver desta peculiar relação, onde o contacto é inimigo e onde um safanão era de facto necessário. A química entre os dois actores continua a ser de facto extraordinária e sentiu-se aqui uma certa redução no mel, o que é bom.
Mel este que é o centro do crime da semana. Uma empregada de uma companhia de produtos de beleza à base de mel é brutalmente assassinada e cabe ao nosso trio desvendar o mistério. Para isso Chuck infiltra-se como empregada na dita companhia, veste-se a rigor e procura pistas num edifício decorado de forma brilhante em forma de colmeia. Ned acaba por ir lá parar e uma série de peripécias com mel e abelhas têm lugar até ao desenlace final, que foi talvez o único ponto fraco deste episódio, muito previsível a meu ver. Antes de terminar, vemos cada uma das personagens colocadas nas suas novas posições, nas suas casas como diz na perfeição o narrador e quando pensávamos que acabaria aí, vemos o pai de Ned no café do próprio filho! Promete!
“Pushing Daisies” é um caso de amor crónico ou de ódio visceral. Para os que adoram, este foi o melhor dos começos, pois deu-nos tudo aquilo que tínhamos e não teve medo de desenvolver energicamente a linha de argumento, não teve receio de nos dar mais! Não é nada fácil um formato tão fantasioso e sujeito a um molde rígido como este respirar inovação por todos os poros. Para os que adoram está aqui um mundo sem limites, que nos recorda Burton e que nos lembra o quanto os sonhos fazem falta. Para os que odeiam, a realidade é já ali ao virar da esquina, boa viagem.

[starrater]




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Óptimo episódio, óptima critica, até me deu vontade de ir ver outra vez! As cenas com Olive são sempre fantásticas e as de Ned e Cuck deliciosas (continuando a analogia do mel =P). Já conto os dias para o próximo episódio!
Detestei o episódio. Basicamente foi mais do mesmo. Pushing já fez muito melhor na 1ª temporada.
Fantástico episódio desta fantástica série.
Não acompanho a série. Sou, provavelmete, um daqueles afectado pelo ódio visceral.
Mas a crítica lê-se de um fôlego. Avidamente. Só pelo que escreves, com tamanha devoção, tornando a realidade mais eufemistica, preparando o terreno para a entrada numa série que ousa ser diferente, vale a pena dar-lhe uma 2ª oportunidade. Ou, em alternativa, deliciarmo-nos [lá vem a estafada colagem ao mel] com a tua prosa.
Concordo com o Ricardo quando diz que “Pushing já fez muito melhor na 1ª temporada.”
Este início de temporada foi fraco, na minha opinião.
Carolinafs e gonca26 estamos em sintonia, esperemos que o nível se mantenha assim elevado=)
Paulo obrigado pela visita, é bom ver que consegui com as palavras dar uma segunda chance a Pushing Daisies, e acredita que ela bem merece=)
Ricardo e DNL, realmente não concordo com vocês, acho que houve um equilíbrio enorme entre o desenvolvimento das personagens e a resolução do crime, tudo com uma força e uma frescura surpreendentes!
Abraços e beijos
Muito bom regresso. É outro mundo esta série… que venham mais assim.
Hum… para a semana vou reorganizar a biblioteca à moda da da Chuck. Sempre quero ver o choque do meu chefe. LOL.
Eu devo ser das poucas que está no meio – nem adoro, nem odeio esta série. É fantasiosa demais em certo ponto, mas por outro lado tem diálogos divertidos, deixas muito boas (o Emmerson Codd teve uma excelente neste episódio) e de vez em quando, consegue surpreender, como na primeira temporada aquele brilhante “Morning has broken”.
Mas o que mais gostei foi da crítica. Óptimo texto, Miguel, parabéns!