[SPOILERS] O circo chegou à cidade. Neste caso chegou a “Pushing Daisies”, que depois das abelhas vê pousar os trapezistas, os palhaços e os anões. E se o recambolesco é a palavra-chave de toda a série, mergulhá-la no universo circense torna o espectáculo ainda mais fértil, ainda mais fantástico, ainda mais do que se escreve aqui a seguir.
No seguimento do primeiro episódio somos apresentados a Ned (Lee Pace) e ao seu novo acordar solitário, uma nova realidade fruto da emancipação de Chuck (Anna Friel), que mora ali mesmo na porta ao lado. Mas, apesar da proximidade, o nosso protagonista vê esta fina separação física de tijolo e cimento como algo mais grave, como um novo começo e um gradual afastamento dos sentimentos que os unem. A dinâmica do casal é muito bem conseguida e conduzida, obrigando-os a enfrentar novas situações, a evoluir como par, e isto é um factor muito importante para a saúde da história. As discussões entre os dois, os baixos, são compensados por um final absolutamente excepcional, em alta. Com um começo fresco e novo, juntos, todos os dias.
E todos estes dias são dias de crime. Aqui neste caso começamos com o desaparecimento de uma jovem rapariga e com a sua gélida mãe a requerer os serviços de Emerson (Chi McBride). Este, lendo no cliente a sua própria história, aceita investigar e rapidamente chegam a um circo. Lá dão de caras com o primeiro corpo, um mimo, seguido de um palhaço, e de outro, e de outro, e de outro, e por aí fora numa cena magnífica, de ver e chorar por mais. Interrogando mortos e vivos, a investigação segue o ritmo normal e a resolução é de todo satisfatória. Porém, penso que o circo em si e seus intervenientes ou empregados, poderiam ter tido mais tempo de antena. É um espaço com tanto para dar que queríamos ver mais, mais situações, mais personagens, mais tendas do burlesco e labirintos do ridículo. Tirando esta pequena falha, tudo o resto foi muito bom, com momentos a fazer lembrar o “Big Fish” (suspiro) e com recuos narrativos muito divertidos, especialmente o do mau humor da Chuck.
Do lado oposto temos Olive (Kristin Chenoweth) que continua no seu retiro espiritual, escondendo as mentiras e os segredos do resto do mundo. Tentando encontrar uma paz que dificilmente a visitará. Espero que ela siga o exemplo da Tia Lily (Swoosie Kurtz) e volte rapidamente para o restaurante pois faz lá muita falta.
Chegados ao fim, sentimos uma série segura de si mesma, consciente do seu potencial e com uma vontade enorme de viver. Só nos resta sorrir, lembrar pedaços desta tarte e esperar que a próxima saia do forno rapidamente.

[starrater]




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Só fiquei chateado com uma coisa: eles ainda não terem seguido a história do regresso do pai do Ned, que tinha aparecido no final do primeiro episódio.
Também estava à espera do pai de Ned, mas lá teremos de aguardar mais um bocado. As cenas com Olive continuam a ser das minhas preferidas, não deixando obviamente de lado este insólito par romântico! Grande episódio!
Sim também pensei que iam continuar com história do pai do Ned, ou que ao menos iam libertar mais uma pista. Mas decidiram fazer um intervalo e voltar a ela mais tarde, vamos ver como corre. Beijos e abraços