The Shield: 7×05 – Game Face (FX)

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[SPOILERS] “Putting Pezuela away is a down payment on me being able to live with myself.” É engraçado como as pessoas – mesmo aquelas de quem menos o esperamos – se conseguem iludir a si próprias.

Shane (Walton Goggins) nunca foi a mente mais racional da Equipa de Intervenção, sendo mesmo o catalisador dos maiores dilemas em que esta se encontra de momento, mas em “Game Face” mostrou que, por vezes, consegue ser mais razoável do que Vic (Michael Chiklis).

Quando, no terceiro episódio desta temporada, me interroguei sobre a forma como Vic consegue iludir tudo e todos, deixei de fora a outra grande questão – a forma como Vic tem ignorado os problemas mais próximos de si. Ao descobrir que a agente Murray (Laurie Holden) se encontra ao serviço de Pezuela, pondo em risco a guerra que tem vindo a orquestrar e as famílias de todos os membros da equipa, Vic deveria ter escolhido o caminho mais simples: entregar a Pezuela os documentos de chantagem, e livrar-se de uma vez por todas das suas ligações ao cartel. Mas, sabendo que isso daria a Pezuela o livre-trânsito para transformar Farmington no seu domínio, Vic não aceita os conselhos de Shane e Ronnie (David Rees Snell), e continua a tentar seguir o seu plano original. O problema é que, até agora, nunca teve um plano, tendo apenas reagido aos vários eventos – uma situação que arrasta cada vez mais estes homens para o fundo do poço. Com o avançar da temporada, Vic transforma-se assim cada vez mais na personificação de um dos lemas da série, que dita que a “consciência é perigosa” (“conscience is a killer”), e de certeza que não será o suposto arrependimento de Olivia que o irá conseguir salvar.

Com o aprofundar dos dilemas profissionais, a vida pessoal de Vic vê-se também cada vez mais afectada. Por muito cruel que seja pedir a qualquer pai que se afaste de um filho, temos de admitir que Danny (Catherine Dent) tem toda a razão na opção que tomou quando olhamos para a espiral de crime em que Cassidy (Autumn Chiklis) se encontra. Depois do álcool, é a vez de Cassidy experimentar drogas durante uma festa de “chulos e prostitutas”, algo que assusta considerando a idade dos jovens presentes. Não parece haver nada que trave Cassidy – nem a mãe, nem o pai, e muito menos a lei. Resta saber até onde irá conseguir ir… e se a importância que tem tido nos últimos tempos não será um prenúncio de um papel preponderante para a personagem na queda de Vic.

Enquanto a história principal da temporada (a mais do que eminente queda de Vic e da sua equipa) pouco evolui, “Game Face” dá mais uma vez destaque às histórias e às personagens secundárias. Se o caso da semana (o rapto e violação de uma filha de um mafioso) não é muito interessante, dando-nos apenas a oportunidade de ver uma excitante perseguição automóvel, algo raro neste universo, já o desenvolvimento da história de LLoyd (Kyle Gallner) acaba por se ligar a uma das melhores histórias da quinta temporada, a do assassino em série Kleavon (Ray Campbell). Depois de sete anos já percebemos que os instintos de Dutch (Jay Karnes) são certeiros, mas a sua obsessão com Lloyd, mais do que profissional, pode vir a tornar-se mais pessoal. Irá a história de Lloyd e Dutch transformar-se num dos maiores choques da temporada? Irá Lloyd conseguir iludir a polícia? Irá ele matar Dutch? Ou irá, pelo contrário, Dutch sucumbir aos instintos que o levaram a cometer um crime no episódio “Strays”, na terceira temporada? Seja quem for que saia vitorioso deste confronto, uma coisa é certa… Para Kleavon não há dúvidas de que Lloyd tem todas as marcas de um assassino em série.

Mas se a troca de Kleavon e Dutch é interessante, o momento do interrogatório a Wyms (C.C.H. Pounder) é sem dúvida o mais marcante de todo o episódio. Kleavon foi o criminoso que mais afectou Wyms, que a fez perder o controlo e admitir as suas fraquezas. Depois do seu papel preponderante na vida de Wyms na quinta temporada, não esperávamos vê-lo novamente; mas, como tantos outros nestes momentos finais, Kleavon regressa para destabilizar ainda mais uma situação já de si problemática. A pressão sobre Wyms continua: depois das queixas inacreditáveis do jovem assassino em “Snitch“, que poderão ter consequências graves para o seu comando, Claudette vê-se agora a braços com um assassino em série já condenado, que tanta escapar da pena de morte pondo culpas onde elas não existem. Se a cena dos dois a degladiarem-se novamente na sala de interrogatórios relembra os grandes momentos da quinta temporada, sem dúvida a melhor de todas, deixa também um certo pesar por mostrar, mais uma vez, que os criminosos conseguem sempre escapar impunes, enquanto que aqueles que trabalham com toda a seriedade acabam sempre prejudicados.

[starrater]

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3 Respostas para “The Shield: 7×05 – Game Face (FX)” Subscribe

  1. Paulo Pereira 07/10/2008 às 18:18 #

    Um mimo, estas tuas crónicas. E eu sei o que digo. Aliás, espero que mantenhas a bitola da série em alta, pois fui literalmente arrastado para o seu visionamento por uma dica tua…

    Tou quase a acabar a 4ª temporada. Todos os santos dias, o ritual da noite contempla sempre o The Shield. É, tenho que confessar, F-A-B-U-L-O-S-A!

    ps: E lendo outro dia o teu blog, já tirei mais outra dica. Firefly. Vi os 2 primeiros episódios ontem e fiquei siderado. Caramba, por onde andava eu, para ter deixado escapar [mais] esta? Viciou-me!

  2. syrin 08/10/2008 às 00:04 #

    Ainda bem que gostas, Paulo. E prepara-te, pois a quinta temporada é… bom, é do melhor que já vi em séries de tv. E acredita que eu já vi muito. ;)

    Quanto a Firefly, sem dúvida que é uma série espectacular. Não te esqueças é de ver o Serenity no final. :)

  3. gonca26 08/10/2008 às 16:45 #

    Mas que grande episódio. Shield é uma pérola.

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