[SPOILERS] “Sometimes it’s too late to apologize, no matter how much you mean it.” Pedir desculpas é difícil, por vezes mesmo impossível, quando meras palavras não são suficientes para justificar um crime.
Há dois anos, uma granada mudou irremediavelmente o rumo desta história, destruindo pelo caminho uma amizade de vários anos. Desde essa altura esperamos pelo desfecho de uma das melhores séries policiais de sempre. E se ainda faltam alguns episódios para o final, a verdade é que “Animal Control” marca claramente o início do fim.
As máscaras levantadas no terceiro episódio da sétima temporada não enganaram ninguém: Vic (Michael Chiklis) nunca poderia perdoar Shane (Walton Goggings) pela morte de Lem, e Shane nunca iria confiar em Vic a ponto de pôr a sua vida (e a da sua família) em perigo. Mas se as mentiras ditas pareciam ser para benefício um do outro, a verdade é que, de certa forma, eram também uma ilusão pessoal. Vic recusa-se a reconhecer o seu papel naquilo em que Shane (e Ronnie, e mesmo Lem) se tornou; recusa-se a reconhecer que poderá ser, no fundo, o catalisador de todos estes problemas. É por isso que, do alto da sua arrogância, decide preparar a emboscada a Shane, tentando, de uma só vez, resolver os problemas com os arménios e vingar o seu camarada perdido. Shane, pelo contrário, sempre tentou justificar a morte de Lem como um sacrifício para o bem de todos. Para ele, não havia outra saída – ou Lem morria, ou Kavanaugh conseguia destruí-los a todos – e nenhum pedido de desculpas, mais ou menos sentido, altera o facto de que agiu conscientemente em “Postpartum”. Até que, finalmente, caem por terra todas as máscaras: Shane sabe agora que apenas a sua morte poderá vingar o assassinato de Lem, e que Vic e Ronnie tudo farão para o conseguir. Resta saber o que irá Shane fazer agora que sabe que não tem outra saída, e que dispõe de cem mil dólares para se vingar.
“You know what the worst part is? They think I’m too stupid to even realize it.” Não podemos dizer que Shane seja estúpido, longe disso: tem provado, ao longo das temporadas, que consegue safar-se das situações mais perigosas e implicar outros pelos seus crimes. Mas a verdade é que também nunca foi capaz de escolher o melhor caminho. O passado de Shane está repleto de erros, que têm o condão de regressar quando menos se espera… o que acontece exactamente neste episódio, com o regresso de Tavon (Brian J. White). A última vez que vimos Tavon, no final da terceira temporada, encontrava-se no hospital, resultado de um acidente de carro provocado depois de um confronto com Mara (Michelle Hicks) e Shane. Durante bastante tempo, Tavon esteve convencido de que tinha atacado Mara, e por isso nunca fez queixa, mas agora que finalmente se lembrou do que se passou naquela noite fatídica, promete vir estragar a vida dos dois novamente. Num episódio recheado de tensão, é preciso admitir que a cena final com Mara sozinha em casa, antes de Shane chegar, foi assustadora – já sabemos que a série não hesita em nos chocar, e não seria de estranhar que Tavon viesse ajustar contas com Mara um dia destes, provando que as famílias dos membros da equipa nunca estarão seguras.
Num episódio dedicado ao arrependimento, não houve personagem que dele conseguisse escapar. Para além de voltar atrás na sua decisão e tentar salvar Shane, Vic torna a causar angústia à mãe dos seus filhos, Corrine (Cathy Cahlin Ryan). Embora a história da familia Mackey tenha sido interessante e importante para o desenvolvimento de Vic nas primeiras temporadas, a verdade é que ultimamente tem tido destaque a mais, o que acaba por penalizar os episódios. Felizmente, desta vez não tivemos de sofrer com mais uma aparição de Autumn Chicklis, sobrando mais tempo para dedicar ao caso da semana.
Quando Tina encontra um homem nú num beco, coberto de sangue, é hora do detective-maravilha Dutch (Jay Karnes) entrar em acção. Desde que começou a investigar o caso do assassino em série júnior, Dutch não tem estado nos seus melhores dias, e isso vê-se claramente neste episódio. É claro que a história do homem era suspeita, tendo já sido apresentada uma queixa por agressão contra ele, mas daí a pensar imediatamente na sua culpa é um exagero. Dutch está claramente a ficar obcecado por assassinos em série, o que o leva a confrontar o homem sem qualquer prova, e o resultado não podia ser outro: a incerteza leva o homem a suicidar-se na sala de interrogatórios, mesmo na altura em que fica provada a sua inocência. O que resulta daqui é um curioso momento para Dutch, que implora a Billings (David Marciano) que seja um verdadeiro parceiro, pois sem ajuda não consegue trabalhar bem. Um momento de fraqueza como este é coisa inédita para Dutch, e leva-nos a pensar que algo mais poderá estar escondido nesta recaída de Dutch. Esperemos que não venha a ter consequências mais graves, pois não me parece que Billings consiga vir a substituir Wyms (CCH Pounder).
Desculpas, promessas e arrependimentos – de tudo isto foi feito o melhor episódio da temporada até aqui, que deixa uma grande expectativa para os momentos finais. Se fosse mulher de fazer apostas, diria que algumas cenas que pareceram de menor importância, como as dúvidas de Olivia, a decisão de Aceveda e, especialmente, as duras ameaças de Wyms a Ronnie (David Rees Snell), podem vir a ser fulcrais para os próximos episódios. Mas como deste lado se tem imenso azar ao jogo, prefiro deixar-vos descobrir sozinhos o que irá acontecer.

[starrater]




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Se há alguém que sabe “vender” o produto, ele é a Syrin.
Fiquei ansioso, carago, com estas pontuações que andas a dar. É que ainda só vou na 4ª^temporada…
Se, por um lado, isso aumenta os meus níveis de ansiedade, pela curiosidade em saber o final da história, por outro provoca-me um alívio enorme: ainda tenho + 3 épocas inteirinhas de The Shield para ver :cool2:
Paulo, eu até acho que fui bem mázinha nas pontuações até agora… sim, porque os episódios t~em sido bons, mas não têm comparação aos da 5a temporada. A esses sim, daria tudo de 95 para cima.
Já agora, já estás a acabar a season 4? Ou ainda te falta muito?
Precisamente a meio. Episódio 7. Hurts. Vic versus The Mob :starwars:
Boa.
No final não te esqueças de dizer o que achaste da season.
Bem, o Shane deve ser das pessoas mais sortudas do mundo, visto ter-lhe apetecido ir dar uma volta logo no momento em que os mexicanos assassinaram os arménios. E aquela espécie de “bromance” entre o Vic e o Shane também já acabava. Sempre se notou que o Shane era, de alguma forma, uma espécie de favorito do Vic dentro da strike team. E, agora, num momento promete vingar o Lem e elabora um plano maquiavélico e no outro já está arrependido porque “é o Shane”!? Só faltava mesmo perdoar-lhe… Aliás, houve alguns momentos em episódios anteriores que era mesmo o que parecia, que o Vic estava, de alguma forma, a começar a perdoá-lo.
Ja, também pensei exactamente isso do Shane. Nas reviews que li, toda a gente diz que pensou que o Shane ia morrer neste episódio, mas eu vi logo que não podia ser… ele tem de ficar até ao fim. Mas juro que pensei que a Mara fosse desta para melhor (e sim, sei que seria muito pesado, porque ela está grávida, mas esta série já mostrou que não tem medo de arriscar).
E estas súbitas mudanças do Vic… não, não me convence. O Vic não é bonzinho. Nem queremos que ele seja. O que ele anda a fazer é a iludir-se a si próprio, a fingir que é melhor que o Shane, quando na verdade é pior – não só mata, como ainda ensina os outros a serem como ele.