[SPOILERS] E o casamento de Nick (Peter Krause) e Lisa (Zoe McLellan) bateu no fundo. Tal como no futebol, quando uma Direcção dá um voto de confiança a um treinador sob pressão, a ida do jovem casal a uma conselheira matrimonial não augura nada de bom para o futuro da relação. Lisa acusa o marido de pouco tempo dedicado à família. E, mesmo que este tente escamotear a realidade, o facto de o seu telemóvel tocar, de minuto a minuto, para resolução dos mais básicos problemas dos Darlings, oferece uma noção clara da realidade: Nick está totalmente submerso mundo da família mais rica de Nova Iorque.
Mas Lisa é também um poço de contradições. Abomina os Darlings. Rejeita o seu modo de vida. Mas quando Jeremy (Seth Gabel), o eterno apaixonado, se oferece para ser seu sócio na abertura da galeria de arte que ela ambiciona, o sim sai disparado. Sem reservas nem pudor. Mesmo que isso lhe custe o casamento, num segredo guardado que explodirá mais à frente…
É de relações que a série trata. Mesmo que disfuncionais. E pode alguma ser mais disfuncional do que aquela onde intervenha Brian (Glen Fitzgerald)? O ex-padre, irascível no comportamento, agressivo na pose, é no entanto um pai afectuoso. Apesar de o filho viver num País diferente. Mas Brian Jr. (Will Shadley) Começa a concertar as coisas, depois de ter fugido clandestino no avião do pai, procurando juntar novamente os progenitores.
Patrick (William Baldwin), renascido sentimentalmente com o regresso de Carmelita (Candis Cayne), luta estoicamente pela eleição para o Senado. Numa relação tortuosa, é na companhia de um travesti que a sua personalidade brilha resplandecente, livre dos espartilhos morais onde se habituou a viver. Deixando a razão de lado, com a emoção a dominar por inteiro o seu lado afectuoso, Patrick pretende aparecer em público com a sua amada (ou será amado?). A indignação de Tripp (Donald Sutherland) quanto ao facto ganha um aliado inesperado, num primeiro momento: Chase Alexander (Scott Holroyd).
Pois, se nunca ouviu falar nele não existe motivo de preocupação. Personagem nova, ligado aos Darlings pelo casamento da sua irmã Ellen (Bellamy Young), com o político Patrick. E com a irmã morta, de forma suspeita, Chase quer vingança. Sabendo dos “podres” todos do cunhado, ele tem aparentemente os trunfos todos na mão, capazes de dinamitarem a eleição. Aparentemente. O mundo dos Darlings é uma máquina trituradora. E a oferta de um emprego e um chorudo cheque costuma resolver a maioria das ameaças veladas. Como esta.
Relações disfuncionais e/ou estranhas não faltam no trepidante mundo americano, dominado pelos Darlings. Jeremy, playboy com aspecto efeminado, vive um tórrido romance com a advogada/procuradora, encarregue de condenar a sua mãe. Com cobranças de favores pelo meio, mesmo em pleno acto de paixão.
Ou a de Karen (Natalie Zea) com Simon (Blair Underwood), inimigo figadal do seu pai. Num jogo onde a verdade é sempre um convidado inesperado, Simon rejeita Karen, depois das hesitações desta sobre a aceitação do pedido de casamento. Triste e desiludida, pouco habituada a ser “chutada para canto”, a quem recorre a herdeira dos Darlings para demover o seu namorado? Pergunta retórica, claro. A Nick, o faz-de-tudo no seio da família. Que, no frente-a-frente, fica a saber quais as pretensões do vilão. Apenas e só o poder. Total. Nas empresas Darlings. E, para isso, ele precisa de Karen e das suas acções. Simples, não é?
Quando tudo parece desmoronar, com Carmelita fugindo repugnada pelo homem sem moral em que se tornou Patrick, e este furibundo com Tripp pela verdade que este desvendou à sua amada, o ataque cardíaco do patriarca vem juntar toda a família. Esquecida, por momentos, dos seus próprios problemas, concentrando-se em redor do pilar da família, acamado no hospital.

[starrater]




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