[SPOILERS] O oitavo episódio de “Fringe” distingue-se dos seus antecessores (exceptuando o “The Arrival”) pela maior facilidade em que nos conseguimos envolver no caso da semana, devido à sua maior credibilidade, e pelo regresso de Walter (John Noble) à casa que ele conheceu durante as últimas décadas, que nos proporciona algumas cenas bem mais desconfortáveis do que qualquer cabeça a rebentar. O problema chega-nos no fim, quando nos querem arrebatar e apenas nos tiram o tapete debaixo dos pés.
Gostar de “Fringe” não terá propriamente a ver com o ser-se ou não céptico em relação a determinados assuntos fora do senso comum. Existem muitas outras séries que exploram realidades alternativas à nossa que, de alguma forma, conseguiram-nos vender o conceito permitindo-nos que, a cada cena demasiado rebuscada, não sentíssemos a tentação de revirar os olhos ou simplesmente desligar a televisão. Algumas até conseguiram tornar-se fenómenos de culto e 40 minutos semanais a não perder. “Fringe” parece querer adoptar essa mesma postura mas, no meu caso, não me consegue prender à sua pseudociência ou às suas revoltas e ganchos mirabolantes que pouco mais conseguem provocar que um contorcer de desconforto no sofá.
Porém, este episódio, antes do seu final, consegue transportar-nos para um mundo que conseguimos imaginar como o nosso: temos uma forma sofisticada de hipnotismo (ok, aceita-se), temos uma mulher que supostamente morreu num acidente de carro há dez anos, mas que está viva (em vez do habitual fantasma à lá John Scott, parece que desta vez foi mesmo uma morte dissimulada e que a mulher estava mesmo viva) e temos um miúdo preso no seu imaginário (é muito mais admissível do que, por exemplo, ligar fios ao cérebro de um morto e ver o que ele viu ou falar com ele ou seja o que for). Só não me vou é questionar o porquê deste miúdo saber a fórmula, a mesma que parece que outras pessoas também conheciam de alguma forma, depois de ter estado seis dias em coma. Não vou perguntar-me sobre isso porque, simplesmente, não quero saber uma resposta que apenas me traria mais desinteresse pelo que acontece nesta série…
Para salvar o miúdo dos malfeitores, Walter tem de voltar ao sítio onde passou as últimas décadas da sua vida em cativeiro. A carga dramática das cenas passadas no hospital psiquiátrico, e o reflexo de terror na face de Walter ao voltar lá, deram-me pelo personagem mais simpatia do que nunca. Ele não queria regressar àquele sítio, onde a sua vida lhe foi retirada, mas colocou a busca e a possibilidade de salvação de um miúdo, de um estranho, acima dos seus temores. Ainda por cima, as coisas não correram pelo melhor e Walter quase que se viu de novo aprisionado, mas nunca perdeu o sentido daquilo que ali o tinha levado e conseguiu mesmo a informação que pretendia. As cenas partilhadas entre o John Noble e Randall Duk Kim foram soberbas e as dificuldades colocadas pelo personagem do William Sadler criaram a tensão certa para me deixar a duvidar se o Walter realmente conseguiria dar a volta por cima àquele contratempo. Só não percebi as cenas em que ele se via a si próprio.
Tal como não percebi aquele final. Estes desfechos são típicos nas séries de mistério de J.J. Abrams. “Alias” tinha-os. “Lost” tem-los. Mas “Fringe” não consegue equiparar-se a nenhuma das duas, e muito menos à segunda, onde estes finais misteriosos resultam e aqui apenas conseguem criar ainda mais confusão e frustração. Mitchell Loeb (Chance Kelly), personagem que descobrimos, no episódio anterior, ser um agente duplo, volta a aparecer. A mulher que raptou e torturou o miúdo entrega-lhe a fórmula. Ele coloca uma maça dentro duma máquina. Ambos têm um diálogo sobre as propriedades dos números, do género do que sairia num livro “Física para Totós”. Liga-a e tira de lá a maça alguns segundos depois, conseguindo atravessar a parede do cofre com a mão. Ele mata a mulher (sabe-se lá porquê…). Liga a alguém a dizer que funcionou e pronto… foi-se embora. Não foi um gancho que me tenha despertado interesse para continuar a acompanhar o que estas pessoas andam a engendrar. Antes pelo contrário: apenas me deu ainda menos vontade de ver a série.

[starrater]




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Para mim foi o pior episódio desta série, até ver.
ZB, se reparares ele tira a maça atravessando a mão pela ‘chapa’ adentro, tipo o poder de Heroes do marido da Nikki. LOL
Cumpz
Tens razão… Olha que nem me apercebi disso. Parecia-me que a caixa tinha uma entrada e que estava coberta por um pano… LOL!
Eu gosto bastante desta serie, jj abrahms é aquela cabeça complicada que nos gostariamos de entrar ( para saber por exemplo tudo de lost xD).
Este episodio achei que foi bom, ao estilo de fringe, muito subjectivo mas tb com um bocado de logica..
O papel do ator que interperta o walter é aquela coisa, sério mas cómico mas tambem ridiculo.
Acho que esta serie tem continuaçao mas teem que ser dadas mais pistas para ‘entrarmos’ mais no ritmo.. Como é habito, ficam muitas pgtas no ar.
p.s.: O homem no fim, com aquela formula, nao sei como, consegue passar a mão atravessando o metal, como se ‘dobra-se’ tira-se a maça e pronto. Mas pq? :X:
eu vou vendo porque engracei com as personagens e porque sinceramente não tenho nada melhor que fazer… ahh e a olivia…
Afinal a mãe existia ou não? Fiquei baralhada entre hipnose, caras a desfazerem-se e o miudo preso… Mesmo assim até gostei do episódio.
Ui… Isto foi há quase um ano atrás… Como não me apetece esforçar muito, vou apostar no “não existia”.
É o que dá esperar para ver cá na televisão. Mas pronto, essa também foi a minha aposta.