Se bem que a mais recente guerra no Iraque é o seu pano de fundo, a verdade é que “Generation Kill” não é uma minissérie sobre a invasão daquele país do Médio Oriente, mas antes quase um ensaio sobre a condição humana sujeita a um ambiente adverso, que utiliza como elementos de estudo uma nova geração de Homens, inserida num mundo totalmente diferente daquele em que as gerações passadas, dos que lutaram bravamente nas Grandes Guerras Mundiais e durante a Guerra do Vietname, se encontravam.
Em 2003, durante a primeira fase da invasão do Iraque, um jornalista da revista Rolling Stone, Evan Wright, acompanhou, durante dois meses, o Primeiro Batalhão de Reconhecimento dos Fuzileiros dos Estados Unidos da América no seu percurso desde o Campo Mathilda, localizado no nordeste do Kuwait, até Baghdad. Da experiência resultaram artigos publicados na Rolling Stone (o primeiro, “The Killer Elite”, pode ser lido aqui) e mais tarde um livro do qual a minissérie é homónima e inspirada.
Dividida em sete capítulos, a minissérie da HBO transporta-nos para as areias quentes do Médio Oriente da mesma forma que a acção se desenrola no terreno: à medida que aumenta a intensidade do cenário de guerra, com o aproximar da capital iraquiana, a força da história, e a fluência dos episódios, sofre semelhante alteração, com as consequências da invasão a tomarem o seu devido lugar, deixando para trás as inócuas discussões sobre bigodes.
Mas o âmago desta minissérie não é a exploração da guerra em si, e sim a forma como esta nova geração de guerreiros encara a mesma.
Esqueçam a disciplina rigorosa de outras películas. Aqui há disciplina quando a mesma se impõe mas, na maior parte do tempo, existe fundamentalmente companheirismo. Esqueçam o branco ou o preto. Aqui vive-se a cinzento, onde, por um lado, estão presentes homens treinados como máquinas de guerra, que querem que lhes dêem algo com que possam lutar, e, por outro, que são pessoas conscientes de que cada decisão que tomam acarreta um determinado custo. Esqueçam a ideia preconcebida que quem tem cargos superiores é detentor dum maior conhecimento, seja táctico ou simplesmente em termos de bom senso. Aqui, existe claramente a noção de que erros grosseiros são cometidos pela incapacidade intelectual de alguns ocupantes das posições decisivas, nada que nós não saibamos há muito tempo. Esqueçam os tempos em que se seguiam cegamente as vontades de líderes sem nunca se lhe questionar as vontades. Esta é uma geração que pensa por si própria, que não quer fechar os olhos aos erros grosseiros de quem os comete e que, acima de tudo, compreende as consequências dos seus actos… mesmo que, às vezes, nada possa fazer em contrário.
“Generation Kill” talvez não nos mostre as histórias que gostaríamos de ver contadas mas convence-nos com facilidade de que aquilo a que estamos a assistir é algo real, palpável, e que nos mostra um grupo de homens para quem a guerra tem diferentes significados, dando-nos as suas perspectivas sem almejar a grandes floreados narrativos que apenas desproporcionariam a história. E essa é a grande vitória desta produção da HBO.
Trailer
Uma das cenas mais divertidas
Making Of e outros extras






Blogue Sangue Fresco
Cinema Notebook
Sons of Anarchy Portugal






ADOREI esta série, e espero impacientemente pelos dvds para a juntar à minha colecção.
ZB, chegaste a ver no final de um dos episódios a conversa entre dois dos marines? Impressionante, é o que tenho a dizer.
Sem dúvida que é uma série com uma qualidade ímpar. Gostei do tom cru, da fotografia excelente, mas confesso que a série custa a “pegar”.
Demasiados personagens, tornando difícil criar aquela empatia com o espectador. Destaco, no entanto, e frisando o que disseste, que é uma série inteligente, abordando o conflito que dilacera o Iraque de uma abordagem nada maniqueísta. Só por isso, vale o visionamento.
Não creio que a dificuldade em criar empatia com as personagens seja devido ao seu número, mas sim devido às personagens em si.
Podemos fazer uma distinção entre bons e maus nesta história – o Iceman e o Fick de um lado, o Encino Man e o Godfather de outro, para dar um exemplo – mas nunca podemos realmente classificá-los como bons ou maus, pois como o Wright nos mostra no episódio final, na conversa com o Captain America, há sempre dois lado para cada história, e nós só tivemos acesso a um nesta série. E mesmo assim, mesmo no pouco que vimos, também não podemos considerar o Iceman o “bom” – olha o discurso que fez logo no 1ª (?) episódio, ao ver a fotografia da pobre miúda que mandou um retrato para os soldados.
De qualquer maneira, tirando alguma confusão inicial quanto às personagens (que desaparece a partir do 3/4 episódio ou num segundo visionamento), achei que foi uma grande série.
Concordo que quase 30 personagens é algo brutal. Torna-se complicado ao início saber quem é quem, ainda para mais quando os uniformes os tornam tão semelhantes. A primeira vez que vi o Captain America sem capacete (acho que no quinto ou sexto episódio) não o reconheci.
Quanto à ambiguidade dos personagens… Mesmo com a conversa que a Syrin refere, ele acaba por se tornar ao longo da série a voz da razão, aquele que consegue ver mais além do que os restantes. Ele é o único com discernimento suficiente para perceber que as luzes no horizonte são de uma cidade e não de um comboio de inimigos a ir ao seu encontro. Como essa situação há mais uma ou outra. É ele que impinge as bombas de fumo azul como aviso. É ele que quer desarmar as bombas dos jardins. Sobretudo, é ele que permite a aproximação do jornalista ao batalhão. Se ele não o tivesse aceitado tão facilmente, provavelmente os outros também não o teriam feito e… não haveria história para contar.
Acho que existe uma clara divisão. O Fick, o Colbert, o Ray, o médico, o Poke do lado da razão. O Encino Man, o Captain America, o Sixta, até mesmo o Godfather, do lado oposto.
Vi ontem o 1º episodio e gostei, parece ter um inicio um pouco confuso devido às muitas personagens, um pouco a fazer lembrar Band Of Brothers ou um Tour Of Duty mas com menos “2152145″ episodios.
Gostei :yeahhh1: