[SPOILERS] Poucas questões ficaram no ar depois do conclusivo final do último episódio. As pessoas seguem as suas vidas, são felizes, cada uma à sua maneira e o House (Hugh Laurie), bem o House continua a ser ele mesmo, o ser atormentado que em vez de entrar volta atrás. Mas, assim como a esperança que só morre lá para o fim, também o romance entre o protagonista e a directora do Hospital pode ainda conhecer um desenlace feliz.
Regressando então ao começo doente que todas as semanas nos visita, somos desta feita apresentados a Sophia (Emily Rios) uma trabalhadora fabril de 16 anos, que num ataque fulminante cai para cima dum tapete rolante em direcção à prensa. Um dos colegas apercebe-se e do perigo de morrer esmagada a jovem passa para o perigo de morrer de uma doença anónima. Deita-se na cama do hospital e de lá não sai, o que é pena pois a câmara intimista e exterior dos últimos casos não marca presença neste episódio. O caso desenrola-se de mentira em mentira, com um passado traumático que só descobrimos nos minutos finais. A descoberta luminosa da cura dá então lugar à tentativa de encontrar os progenitores da paciente de modo a esta poder ser salva através de um transplante de medula. Voltamos então à doença/pecado e à cura/redenção e eu pergunto: será que não estão fartos de abordar este tema? Não seria melhor continuarem com os casos bizarros e extraordinários, com explicações mirabolantes, do que com a cansativa temática familiar?
Entediante também foi a analogia doente/médico, espelhada em Kutner (Kal Penn) devido ao facto de serem, supostamente, os dois órfãos. Este membro assume-se então como o grande calcanhar de Aquiles da nova equipa, não conseguindo nem o tempo para se mostrar nem a carga dramática necessária para a temática em questão. Ao olhar para ele não consigo dissociar a imagem de parvalhão e idiota, presente em quase todos os filmes do actor, e esta síndrome tem-se vindo a agravar de episódio para episódio. Até ao dia em que ele desaparece e no dia seguinte ninguém sente a sua falta.
A ausência de Kutner foi contrabalançada com a presença de Foreman (Omar Epps), que tenta emancipar-se e resolver um caso clínico sozinho. O caso dos dois pequenos irmãos conseguiu ser bem mais interessante que o principal, mas não vejo real necessidade de voltarem a tocar estas notas. A vontade de sair e de ser autónomo e as semelhanças com House foram temas já antes abordados e explorados até à exaustão e voltar a eles é sinal de falta de ideias.
O ponto forte da história foi o desenrolar do romance entre House e Cuddy (Lisa Edelstein). Sem contacto directo entre os dois, House vê-se preso na insegurança de ter tomado a decisão errada e procura consolo nas palavras de Wilson (Robert Sean Leonard). Os momentos entre os dois amigos são muito bons e é hilariante ver Wilson assumir o papel de manipulador, conduzindo House à loucura. É óptimo continuarem a apostar nesta linha de argumento e é melhor ainda ver um House tremido e agarrado nas malhas de uma possível paixão. A personagem parece finalmente estar a crescer, a adquirir um registo mais sóbrio que põe em causa os seus valores mais sisudos e acredita, nem que seja por um minuto, na verdadeira felicidade.
Mais contido que os seus antecessores, é um episódio que funciona como uma pausa, um descanso onde se expira e se reflecte sobre o que aconteceu. Não voltámos ao descalabro inicial, mas a subida, essa, acho que só acontece para a semana.






November 21st, 2008 at 15:08
A história que mais me interessou acabou por ser a dos dois irmãos, especialmente porque todas as mentiras da outra rapariga já me começavam a chatear…
[Responder]
November 21st, 2008 at 15:10
Não desgostei. Já teve piores.
Quanto à situação com o Foreman… Pareceu-me antes a tentativa de abrir uma porta diferente para a série e não algo como quando ele se foi embora. Pareceu-me que eles poderão estar a querer explorar uma abordagem diferente para a série, com dois casos semanais e, quem sabe, duas equipas. Quem sabe se uma das equipas não seria composta pelo Foreman, a Cameron e o Chase? (acho que aqui já é delírio meu…)
[Responder]
carolinafs Reply:
November 21st, 2008 at 15:12
Vai sonhando ZB, não me parece que eles fizessem uma coisa assim tão “diferente”.
[Responder]
Miguel Ferreira Reply:
November 21st, 2008 at 15:19
Pois podem realmente querer seguir esse caminho,o que seria bom porque do lado da emancipação e tentativa de provar que é autónomo já está tudo mais que visto. Essa segunda equipa era realmente muito bom, um spin-off com qualidade dentro da própria série (pronto já estou também a abraçar este delírio!)
[Responder]
VeXaL Reply:
November 21st, 2008 at 16:46
Comentários do Miguel Ferreira ás 15h19? Não devias estar a trabalhar meu malandro?
Pois pois…continuem a sonhar. Se bem que era um spin-off bem melhor que aquela ideia do detective lol
Parece que os argumentistas estão a colocar novamente (ou finalmente, como preferirem) a antiga equipa em relevo. Não sei se estão a planear alguma coisa mas por mim no mínimo continuem a inclui-los na historia. Até agora todos os episódios em que mereceram destaque pareceram bem mais interessantes e completos que os sem eles.
[Responder]
Ricardo Fernandes Reply:
November 22nd, 2008 at 1:54
Penso que é mesmo por aí… House vai passar agora por um momento que irá definir a série. Ou arrisca algo novo… ou arrisca-se a ser cancelada na próxima temporada. A julgar pelas anteriores, esta é aquela onde House não tem um antagonista…
Gostava de ver 2 equipas… mas temo que a série se iria dispersar.
[Responder]
ZB Reply:
November 22nd, 2008 at 13:05
House dificilmente será cancelada por duas razões:
1. Porque ganha quase sempre o seu timeslot.
2. Porque as pessoas gostam da fórmula da série. Eu acho que precisa de mudanças. Tu também. Outras pessoas também. Mas as pessoas que contam (para as audiências, claro) não. Por isso, os procedurals são cada vez mais populares.
Ah, e no final da terceira temporada também toda a gente pedia mudanças. Eles arranjaram uma nova equipa e ao fim de dois ou três episódios já toda a gente queria era voltar a ver a antiga de novo junta.
[Responder]
November 21st, 2008 at 18:08
Eu gostei do episódio. Não foi nada de especial, mas também não foi mau.
[Responder]