The Shield: 7×10 – Party Line (FX)

[SPOILERS] Party Line: um termo informal para a agenda de um partido político. Party Line: um sistema em que múltiplos telefones estão ligados a uma linha comum. Party Line: um episódio de contrastes em “The Shield”.

Mais uma vez, são os contrastes entre as personagens, entre as suas atitudes e reacções, entre aquilo que deles esperamos e o que acabamos por ver no final, que marcam este episódio. E se os contrastes se espelharam em todos, nenhum foi tão grande quanto o contraste entre as atitudes de Corrine (Cathy Cahlin Ryan) e Mara (Michelle Hicks).

Odiada tanto pelas restantes personagens como por muitos espectadores, Mara tem-se revelado, ao longo das temporadas, uma das figuras mais constantes. Não obstante o efeito Yoko Ono que parece ter trazido à Equipa de Intervenção, podemos creditar-lhe a forma como Shane (Walton Goggins) cresceu a partir do momento em que a conheceu, que se casou, que constituiu família. O que não significa, no entanto, que Shane tenha deixado todos os seus vícios. Muito pelo contrário: por causa de Shane, Mara foi agredida, perseguida, transformou-se numa fugitiva e arrastou consigo os filhos. Mas mesmo assim, não abandonou o marido. E a explicação para esse facto é simples: por muitos crimes que tenha cometido, por muitos Mandamentos que tenha destruído, Shane nunca mentiu a Mara, nunca fingiu ser mais do que era, nunca tentou ocultar a sua verdadeira personalidade. É essa frontalidade que explica o contínuo apoio ao marido de Mara, mesmo quando recebe, de mão beijada, a oportunidade de se entregar e sair em liberdade. Talvez por isso, não fosse uma surpresa maior a sua recusa em aceitar a proposta de Claudette (CCH Pounder). Resta saber é se a sua decisão foi a mais acertada, ou se poderá a vir ter consequências mais graves no futuro. O mundo de fantasia em que viveu nos últimos tempos, na casa desabitada, na piscina, na sala a brincar com o marido e com o filho, acabou por ser destruído rapidamente, com a fuga apressada e o encontro com os membros do gangue, e não irá ser tão fácil de recuperar, agora que o dinheiro se foi. Mas se há algo de que podemos ter a certeza, é de que Mara irá estar nesta história até ao fim… mesmo que isso acabe por a destruir.

Ao contrário de Mara, Corrine, ao ser confrontada com todos os crimes do marido e com a violência que o continua a perseguir, acaba por sucumbir e contar à polícia tudo o que sabe. Inicia-se assim a jogada final: com a ajuda da nova aliada, Dutch (Jay Karnes) e Claudette têm agora a oportunidade perfeita para voltarem ao controlo do jogo, para apanharem os Vendrell e, ao mesmo tempo, arranjarem provas suficientes para eliminar, de uma vez por todas, Vic (Michael Chiklis). O que resulta daqui é uma das cenas mais tensas de todo o episódio, quando, na cozinha, Corrine tem de enganar Vic enquanto espera pela chamada de Mara, que está a ser gravada por Claudette e por Dutch. Se a situação já de si era tensa, a certeza de que, na recta final, ninguém está seguro, ninguém tem passe livre para escapar da morte, acaba por nos deixar com uma ansiedade acrescida. Conseguirá Corrine enganar o marido? Ou irá Vic desconfiar e virar-se contra a ex-mulher? Qual dos dois sairá vitorioso no final?

Quem também está a sentir a pressão a chegar de todos os lados é Vic. Embora não desconfie ainda que Corrine está a colaborar com a polícia, continua a ser chantageado por Shane, que exige que Vic reponha o dinheiro roubado pelos membros do gang, a ser pressionado por Ronnie (David Rees Snell) para fugir, e a não ter uma situação profissional segura, graças aos confrontos com Aceveda (Benito Martinez). No meio de tantos dilemas, a solução oferecida por Ronnie é, novamente, a mais acertada: fugir. O tempo em que conseguiam safar-se de todas as investigações, em que a Equipa de Intervenção saía vitoriosa de todos as situações, chegou ao fim, e é preciso aceitá-lo antes que seja tarde demais. Mas, graças à impunidade que teve durante todos estes anos, Vic já não é capaz de tomar a decisão mais consciente, e recusa-se a fazer o que tem de ser feito. Acredita ainda piamente que conseguirá dar a volta por cima, conter Shane, e de que o I.C.E será o seu novo empregador. O problema é que Aceveda continua no seu caminho.

Longe dos tempos em que era um comandante da polícia bem intencionado, o Aceveda que temos visto nas últimas temporadas está cada vez mais cínico e, de certa forma, a tornar-se naquilo que mais queria evitar, quando tentou acabar com a Equipa de Intervenção. Não podemos dizer que Aceveda tenha sido um polícia-modelo – muito pelo contrário, essa classificação está mais para Claudette do que para Aceveda –, mas pelo menos reconhecíamos nele uma vontade de fazer o bem. O problema chegou com o “incidente” de que foi vítima, que o começou a levar para um caminho mais extremo, e que o tem guiado também agora no ramo político. A história de Aceveda, das suas aspirações políticas, e da trama que envolve o I.C.E e o cartel não têm sido das favoritas por estas bandas, mas a verdade é que acaba por nos dar a oportunidade de ver o quanto Aceveda está a cair na tentação de resolver os seus problemas custe o que custar, doa a quem doer; de como Aceveda se torna cada vez mais, a cada dia que passa, em Vic. A forma como lida com Pezuella (F.J. Rio) não deixa dúvidas de que também Aceveda se encontra na recta final, e de que o seu fim poderá não ser aquele que tinha planeado.

[starrater]

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"Stop boring me and think... It's the new sexy!"

5 Respostas para “The Shield: 7×10 – Party Line (FX)” Subscribe

  1. ZB 13/11/2008 às 15:04 #

    Por acaso, discordo contigo aí num ponto… a mim pareceu-me que a Mara ficou a contemplar bastante a oferta da Claudette. Num episódio anterior, ela recusou abandonar o Shane quando este lho propôs, mas ela agora com os gangues à mistura assustou-se e deu-me mesmo a sensação que ela ficou a contemplar a proposta da Claudette. A ver se hoje consigo ver o novo, que certamente se poderão tirar mais conclusões sobre isso…

    Outra coisa que acho que já tinhas falado noutro texto, e que eu concordo, é o facto de o Vic não ter ido ainda à procura da Danny. Se no trabalho podem sempre pensar que ela está de férias (ou baixa ou algo do género), o Vic tinha encontro marcado com ela para o dia seguinte à fuga dela. Tudo bem que ele tem quinhentas coisas com que se preocupar, mas ele sempre foi muito bom a “multitasking”… porque não o é agora??

  2. syrin 13/11/2008 às 16:43 #

    Engraçado, eu achei logo que ela não ia virar. Porque a Mara é a Mara, e apoia o Shane mesmo quando ele a trai.

    Mas realmente, a questão da Danny já me anda a chatear. Finalmente no episódio desta semana falaram dela, mas continuo a achar que é estranho o Vic não ir à procura dela e do filho.

  3. Duarte 17/11/2008 às 17:37 #

    Mais cedo ou mais tarde a questão da Danny irá ser resolvida, só temos que ter paciência..

    Por um momento fiquei ali na dúvida se a Mara não iria ceder e aceitar a proposta de Claudette, mas parece que irá continuar fiel a Shane até ao final..

    Mais uma vez grande trabalho syrin, para quando a crítica do episódio da semana passada?

    • syrin 17/11/2008 às 17:38 #

      Sai hoje mesmo, se tudo correr bem.

    • ZB 17/11/2008 às 18:12 #

      Hoje o TV Dependente decidiu passar-se e tem estado com alguns problemas, mas em princípio vou colocar a crítica já dentro de momentos.

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