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The Shield: 7×10 – Party Line (FX)

Thu, Nov 13, 2008

Artigos, Críticas, The Shield

[SPOILERS] Party Line: um termo informal para a agenda de um partido político. Party Line: um sistema em que múltiplos telefones estão ligados a uma linha comum. Party Line: um episódio de contrastes em “The Shield”.

Mais uma vez, são os contrastes entre as personagens, entre as suas atitudes e reacções, entre aquilo que deles esperamos e o que acabamos por ver no final, que marcam este episódio. E se os contrastes se espelharam em todos, nenhum foi tão grande quanto o contraste entre as atitudes de Corrine (Cathy Cahlin Ryan) e Mara (Michelle Hicks).

Odiada tanto pelas restantes personagens como por muitos espectadores, Mara tem-se revelado, ao longo das temporadas, uma das figuras mais constantes. Não obstante o efeito Yoko Ono que parece ter trazido à Equipa de Intervenção, podemos creditar-lhe a forma como Shane (Walton Goggins) cresceu a partir do momento em que a conheceu, que se casou, que constituiu família. O que não significa, no entanto, que Shane tenha deixado todos os seus vícios. Muito pelo contrário: por causa de Shane, Mara foi agredida, perseguida, transformou-se numa fugitiva e arrastou consigo os filhos. Mas mesmo assim, não abandonou o marido. E a explicação para esse facto é simples: por muitos crimes que tenha cometido, por muitos Mandamentos que tenha destruído, Shane nunca mentiu a Mara, nunca fingiu ser mais do que era, nunca tentou ocultar a sua verdadeira personalidade. É essa frontalidade que explica o contínuo apoio ao marido de Mara, mesmo quando recebe, de mão beijada, a oportunidade de se entregar e sair em liberdade. Talvez por isso, não fosse uma surpresa maior a sua recusa em aceitar a proposta de Claudette (CCH Pounder). Resta saber é se a sua decisão foi a mais acertada, ou se poderá a vir ter consequências mais graves no futuro. O mundo de fantasia em que viveu nos últimos tempos, na casa desabitada, na piscina, na sala a brincar com o marido e com o filho, acabou por ser destruído rapidamente, com a fuga apressada e o encontro com os membros do gangue, e não irá ser tão fácil de recuperar, agora que o dinheiro se foi. Mas se há algo de que podemos ter a certeza, é de que Mara irá estar nesta história até ao fim… mesmo que isso acabe por a destruir.

Ao contrário de Mara, Corrine, ao ser confrontada com todos os crimes do marido e com a violência que o continua a perseguir, acaba por sucumbir e contar à polícia tudo o que sabe. Inicia-se assim a jogada final: com a ajuda da nova aliada, Dutch (Jay Karnes) e Claudette têm agora a oportunidade perfeita para voltarem ao controlo do jogo, para apanharem os Vendrell e, ao mesmo tempo, arranjarem provas suficientes para eliminar, de uma vez por todas, Vic (Michael Chiklis). O que resulta daqui é uma das cenas mais tensas de todo o episódio, quando, na cozinha, Corrine tem de enganar Vic enquanto espera pela chamada de Mara, que está a ser gravada por Claudette e por Dutch. Se a situação já de si era tensa, a certeza de que, na recta final, ninguém está seguro, ninguém tem passe livre para escapar da morte, acaba por nos deixar com uma ansiedade acrescida. Conseguirá Corrine enganar o marido? Ou irá Vic desconfiar e virar-se contra a ex-mulher? Qual dos dois sairá vitorioso no final?

Quem também está a sentir a pressão a chegar de todos os lados é Vic. Embora não desconfie ainda que Corrine está a colaborar com a polícia, continua a ser chantageado por Shane, que exige que Vic reponha o dinheiro roubado pelos membros do gang, a ser pressionado por Ronnie (David Rees Snell) para fugir, e a não ter uma situação profissional segura, graças aos confrontos com Aceveda (Benito Martinez). No meio de tantos dilemas, a solução oferecida por Ronnie é, novamente, a mais acertada: fugir. O tempo em que conseguiam safar-se de todas as investigações, em que a Equipa de Intervenção saía vitoriosa de todos as situações, chegou ao fim, e é preciso aceitá-lo antes que seja tarde demais. Mas, graças à impunidade que teve durante todos estes anos, Vic já não é capaz de tomar a decisão mais consciente, e recusa-se a fazer o que tem de ser feito. Acredita ainda piamente que conseguirá dar a volta por cima, conter Shane, e de que o I.C.E será o seu novo empregador. O problema é que Aceveda continua no seu caminho.

Longe dos tempos em que era um comandante da polícia bem intencionado, o Aceveda que temos visto nas últimas temporadas está cada vez mais cínico e, de certa forma, a tornar-se naquilo que mais queria evitar, quando tentou acabar com a Equipa de Intervenção. Não podemos dizer que Aceveda tenha sido um polícia-modelo – muito pelo contrário, essa classificação está mais para Claudette do que para Aceveda –, mas pelo menos reconhecíamos nele uma vontade de fazer o bem. O problema chegou com o “incidente” de que foi vítima, que o começou a levar para um caminho mais extremo, e que o tem guiado também agora no ramo político. A história de Aceveda, das suas aspirações políticas, e da trama que envolve o I.C.E e o cartel não têm sido das favoritas por estas bandas, mas a verdade é que acaba por nos dar a oportunidade de ver o quanto Aceveda está a cair na tentação de resolver os seus problemas custe o que custar, doa a quem doer; de como Aceveda se torna cada vez mais, a cada dia que passa, em Vic. A forma como lida com Pezuella (F.J. Rio) não deixa dúvidas de que também Aceveda se encontra na recta final, e de que o seu fim poderá não ser aquele que tinha planeado.

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Nota do Visitante: 9.5/10 (2 votos)

The Shield: 7x10 - Party Line (FX), 9.5 out of 10 based on 2 ratings

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Legenda Notas:

0.0/0.9 - Terrível 1.0/1.9 - Péssimo 2.0/2.9 - Muito Mau 3.0/3.9 - Mau 4.0/4.9 - Mediano 5.0/5.9 - Razoável 6.0/6.9 - Satisfatório 7.0/7.9 - Bom 8.0/8.9 - Muito Bom 9.0/9.9 - Impressionante 10.0 - Perfeito

Este post foi escrito por:

syrin - who has written 204 posts on TVDependente.

"So long as those remained, Winterfell remained. It was not dead, just broken. 'Like me', he thought. 'I'm not dead either'." Owner of http://tvfiles.wordpress.com

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3 Comentários

  1. ZB Diz:

    Por acaso, discordo contigo aí num ponto… a mim pareceu-me que a Mara ficou a contemplar bastante a oferta da Claudette. Num episódio anterior, ela recusou abandonar o Shane quando este lho propôs, mas ela agora com os gangues à mistura assustou-se e deu-me mesmo a sensação que ela ficou a contemplar a proposta da Claudette. A ver se hoje consigo ver o novo, que certamente se poderão tirar mais conclusões sobre isso…

    Outra coisa que acho que já tinhas falado noutro texto, e que eu concordo, é o facto de o Vic não ter ido ainda à procura da Danny. Se no trabalho podem sempre pensar que ela está de férias (ou baixa ou algo do género), o Vic tinha encontro marcado com ela para o dia seguinte à fuga dela. Tudo bem que ele tem quinhentas coisas com que se preocupar, mas ele sempre foi muito bom a “multitasking”… porque não o é agora??

    Responder

  2. syrin Diz:

    Engraçado, eu achei logo que ela não ia virar. Porque a Mara é a Mara, e apoia o Shane mesmo quando ele a trai.

    Mas realmente, a questão da Danny já me anda a chatear. Finalmente no episódio desta semana falaram dela, mas continuo a achar que é estranho o Vic não ir à procura dela e do filho.

    Responder

  3. Duarte Diz:

    Mais cedo ou mais tarde a questão da Danny irá ser resolvida, só temos que ter paciência..

    Por um momento fiquei ali na dúvida se a Mara não iria ceder e aceitar a proposta de Claudette, mas parece que irá continuar fiel a Shane até ao final..

    Mais uma vez grande trabalho syrin, para quando a crítica do episódio da semana passada?

    Responder

    syrin Reply:

    Sai hoje mesmo, se tudo correr bem.

    Responder

    ZB Reply:

    Hoje o TV Dependente decidiu passar-se e tem estado com alguns problemas, mas em princípio vou colocar a crítica já dentro de momentos.

    Responder

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