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The Shield: 7×11 – Petty Cash (FX)

Mon, Nov 17, 2008

Artigos, Críticas, The Shield

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[SPOILERS] Testamento de uma grande série, é o facto de nos conseguir fazer sorrir, mesmo perante situações desesperadas, de nos fazer sentir pena de personagens que são, em essência, más, e de nos conseguir ainda surpreender pela positiva. Mas maior testamento é o facto de nos fazer esquecer tudo quando se aproxima o momento decisivo.

Ao contrário de muitas séries, “The Shield” nunca hesitou em construir grandes personagens secundárias, em lhes dar histórias e passados, em os deixar contribuir para a acção principal. Mas se, no passado, essa foi uma das mais valias da série, a três episódios do final chega o ponto em que temos de admitir que não queremos mais saber destas personagens, que queremos apenas voltar à acção principal, chegar rapidamente (ou talvez não) ao desfecho final. Talvez por isso, por muito boa que tenha sido a história de Julian e a actuação de Michael Jace neste “Petty Cash”, fiquemos com a sensação de que foi apenas tempo desperdiçado, tempo que teria sido importante para o desenvolver da trama principal.

A opção de Shawn Ryan, de ressuscitar personagens e situações passadas para esta temporada final, não deixa de ser interessante e, para aqueles que, como eu, adoram a continuidade de uma série, uma bela surpresa. Mas esta pequena homenagem aos fãs mais antigos pode acabar por tornar-se num pesadelo, quando o tempo escasseia e muitas histórias se encontram ainda por resolver. Qual a razão do regresso surpreendente de Tavon, para nunca mais se ouvir falar dele? Porquê tocar brevemente no tema da homossexualidade, se toda a história pessoal de Julian parece ter desaparecido há muitas temporadas atrás? Será mesmo necessário insistir nas pequenas aparições especiais de personagens que não vemos desde a primeira temporada? Porquê dedicar tantos minutos a tramas que são terciárias, se tanto, quando histórias secundárias importantes como a do assassino em série de Dutch (Jay Karnes), a doença de Claudette (CCH Pounder) e o desaparecimento de Danny (Catherine Dent) se encontram ainda em aberto? Com tantas histórias ainda por resolver e tantas personagens com um fim ainda incerto, os dois episódios que ainda restam não parecem ser suficientes para atar todas as pontas soltas. E mesmo se a vida por vezes tem destas coisas, se a realidade dita que nem sempre conseguimos um desfecho concreto, seria uma pena que estas tramas não tivessem resolução.

Mesmo assim, mesmo que a história dedicada neste episódio a Julian não tenha tido o impacto desejado depois de tudo o que temos visto, não deixa de ser uma boa oportunidade para dar destaque a uma personagem que esteve apagada durante muito tempo, e que permanece uma das poucas que não comprometeu os seus ideais em troca de um caminho mais fácil. Já a história de Aceveda (Benito Martinez), o I.C.E, Olivia (Laurie Holden) e o Cartel/Arménios/One Niners/todo-e-qualquer-outro-gangue-que-Vic-conheça, já começa a cheirar mal.

Serão os bandidos de Farmington assim tão inocentes, ao ponto de acreditarem em tudo o que saia da boca de Vic (Michael Chiklis)?! Tudo bem que esta é uma série de televisão que retrata uma história fictícia, mas a verdade é que se começa a esticar demasiado a realidade. A forma como Vic engana os One Niners para conseguir os 100 000 dólares que precisa para apanhar os Vendrell é demasiado rebuscada, e deixa-nos a pensar seriamente sobre a inteligência (ou falta dela) dos gangues de Farmington. Vic já não é polícia, já não tem autoridade sobre ninguém, mas continua a fazer aquilo que quer, a enganar tudo e todos como antigamente. Por muita influência que tivesse antes, por muita reputação que tivesse criado, não deveria ser possível arranjar tanto dinheiro assim tão facilmente, tal como não deveria ser possível continuar a trabalhar e a fazer planos para o futuro com o I.C.E com tantas suspeitas sobre a sua cabeça. E mesmo que se venha a provar mais tarde que isto tudo foi uma ilusão, que o I.C.E. estava apenas a enganar Vic para conseguir os seus intentos, que Vic e Ronnie não venham a ter nenhum futuro profissional, a verdade é que vai permanecer para sempre aquela sensação de que foi tudo demasiado forçado para ser possível.

Mesmo se muitos minutos foram desperdiçados em histórias menos importantes, e se a história não se desenvolveu tanto quanto desejávamos, a verdade é que “Petty Cash” conseguiu, ainda assim, dar destaque à trama principal e presentear-nos novamente com momentos de grande expectativa. Depois da tensão do episódio passado, Corrine (Cathy Cahlin Ryan) vê-se novamente a braços com uma situação difícil: encarregada por Vic para servir de correio de dinheiro para os Vendrell, Corrine desespera num parque, rodeada de drogados e vagabundos, com a policia à espreita e a consciência pesada. É interessante verificar que, mesmo depois de ter tomado a decisão de falar com a polícia, de entregar Vic à justiça e de afastar a família da sua influência de uma vez por todas, Corrine continua dividida entre a consciência e o coração. Ao contrário de Mara, que nunca deixou de ter fé no marido, Corrine ter balançado perigosamente entre estes dois opostos ao longo das temporadas, e quando julgávamos que tinha finalmente crescido, tomado a decisão correcta, assistimos ao regresso das suas dúvidas e indecisões. A piorar a situação está o facto de não só os Vendrell não terem vindo buscar o dinheiro, como de Vic se ter escapado da detenção mais uma vez, ao enviar Ronnie (David Rees Snell) com o dinheiro no seu lugar. Se desta vez Ronnie saiu livre, a verdade é que este foi o momento decisivo para a personagem: Dutch e Claudette têm provas para o prender, e aguardam apenas pelo momento certo para o fazer. E nem a amizade de Vic ou a cumplicidade que desenvolveu com Billings (David Marciano) o poderão salvar.

Já do outro lado desta história, a vida também não está fácil para os Vendrell. Depois de perderem o dinheiro que os iria ajudar a começar uma nova vida, de se verem obrigados a fugir da lar fantasioso que tinham criado na mansão abandonada, e com a data do cortejo do presidente a chegar, Shane (Walton Goggins) e Mara (Michelle Hicks) vêm-se desesperados para encontrar uma solução. A carta que enviaram para Claudette e que quase deu um ataque do coração a Ronnie (e um ataque de riso aos espectadores que repararam no curioso remetente) serviu apenas para distrair enquanto tentavam desesperadamente arranjar dinheiro que os ajude a fugir para o México. Mais uma vez, somos relembrados da terrível situação em que os dois se encontram, perseguidos por polícias e bandidos, amigos e inimigos, obrigados a assaltos infrutíferos a antigos locais de trabalho, sem ninguém em quem confiar. E mais uma vez, por todos os seus crimes, conseguimos desenvolver alguma empatia para com os seus dramas. Podem ser um casal de criminosos, um homem que traiu, roubou, matou, e a mulher que o ajudou a lidar com isso – mas são também um homem e uma mulher desesperados, um pai e uma mãe que tentam salvar a sua família, e que se vêm sem ninguém para onde se virarem. Mesmo depois de tantos anos de crimes e mortes e violência, o momento em que Shane encosta a cabeça no ombro de Mara e lamenta o facto de não ter amigos a quem recorrer, não consegue deixar ninguém indiferente. E não deixa de nos relembrar que o fim se encontra, cada vez mais, próximo.

[starrater]

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"So long as those remained, Winterfell remained. It was not dead, just broken. 'Like me', he thought. 'I'm not dead either'." Owner of http://tvfiles.wordpress.com

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1 Comentários

  1. Duarte Diz:

    Cleutus Van Damme :verycool:

    Bom episódio mas soube me a pouco.. Tou ansioso para amanha ver o penultimo episódio.

    A situação do Shane e da Mara está cada vez mais, a suscitar uma pequena esperança em mim de que eles consigam de alguma maneira escapar e tomar conta de si mesmo e dos filhos em algum sitio “seguro”, embora tenha consciência de que olhando para trás Shane não pode merecer nada de bom devido aos seus actos no passado.

    A unica pessoa por quem realmente estou a torcer é o Ronnie, no meio disto tudo acho que ele não merece um final infeliz. Fiquei com pena de que tão facilmente e mais uma vez por culpa de Vic, a Claudette e o Dutch tenham ficado com provas para o indiciar. Espero que ele perceba que o Vic já não tem salvação possível e fuja para longe sem olhar para trás como ele à tanto tempo anda a querer fazer, sem ter que esperar pelo consentimento de Vic.

    É com pena que vou ver daqui a uma semana esta série levar para o ar o seu ultimo episódio, mas fica aqui uma tremenda história de ficção que fará sempre parte das minhas séries eleitas.

    Ah e claro que não preciso de dizer o prazer que continua a ser vir ler as tuas criticas..

    Responder

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