Dexter: 3×10 – Go Your Own Way (Showtime)

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[SPOILERS] On your marks. Get set. Go! O jogo do gato e do rato entre Dexter (Michael C. Hall) e Miguel Prado (Jimmy Smits) arrancou a toda a força e, para já, a vantagem recai sobre quem menos esperaríamos.

Antes de mais, vou fazer referência a dois aspectos deste episódio que me fizeram torcer o nariz:

  • Primeiro, a forma algo forçada como a história LaGuerta (Lauren Vélez)/Miguel foi apresentada. Se a aproximação deles fez sentido porque tinham um passado em comum e porque foi cartada importante no jogo do gato e do rato que o Dexter e o assistente da procuradoria geral fizeram durante todo o episódio, já o facto de Rita (Julie Benz) suspeitar de Miguel e LaGuerta terem um caso logo nesta altura e Syl (Valerie Cruz) os encontrar juntos no único momento em privado, fora dos olhares de outrem, que os vimos partilhar em toda a temporada foi algo que calhou ao jeito em demasia.
  • O outro aspecto do episódio que me deixou um pouco de pé atrás foi a revelação de um conluio entre Miguel e o Skinner. Tudo bem que Miguel foi o responsável por ele ter saído em liberdade, mas daí a ambos manterem qualquer tipo de contacto e confiança de modo a trabalharem em conjunto vai um esticão, e muitas coisas ficam para contar desde um momento ao outro.

Ainda assim, ambos foram impulsionadores de desenvolvimentos interessantes e importantes para o que resta da temporada. Do primeiro, resultou o segundo. Miguel, pensando que Dexter tinha dito a Syl que ele estava a ter um caso com LaGuerta, ficou completamente fora de si e fez uma jogada audaciosa. Além disso, o olhar de LaGuerta ao ver Miguel numa carrinha com luzes de halogéneo revelou desconfiança. Com certeza que ela irá ter um papel chave na resolução desta luta de titãs.

E esta luta surge da necessidade de Dexter em controlar Miguel. Ele sabe agora que Harry (James Remar) tinha razão e precisa de arranjar maneira de emendar o erro que cometeu. Matá-lo não parece a melhor solução, pois atrairia demasiadas atenções, e “deixá-lo à solta” está fora de questão. A única forma é voltar a colocar-se numa posição dominante em relação a ele. Mas isto não será nada fácil porque Miguel não é homem para se subjugar a ninguém. O episódio inteiro mostra-nos uma dinâmica fantástica entre os dois, ambos tentando-se colocar acima um do outro das mais diversas maneiras, acabando com um primeiro frente-a-frente mais aceso, em que os jogos são postos de parte, e que é decisivo para definir a decisão que Dexter não queria tomar: ter de matar Miguel. O problema é que este também não está para brincadeiras e Dexter termina o episódio na bagageira de uma carrinha sujeito aos devaneios do Skinner.

Se, sem qualquer dúvida, este episódio primou pela troca de galhardetes entre Dexter e Miguel, a série continua a demonstrar alguma apatia em relação à construção de histórias para os seus outros personagens. Porque é que deu a sensação de que capturar o Skinner já pouco interessava? Porque é que a história do Quinn (Desmond Harrington), aquela da investigação feita pelos Assuntos Internos desapareceu? E, se para este episódio até teve o seu significado, ainda não se percebeu o que tem a relação entre o Batista (David Zayas) e a Barbara (Kristin Dattilo) a ver para o cômputo geral das coisas. Até mesmo a relação entre a Deb (Jennifer Carpenter) e o Anton (David Ramsey) teve desenvolvimentos de pouco interesse, com os dois à beira da separação porque ele acha que ela tem vergonha de ser vista com ele… Claro que isto proporcionou uma maior abertura do episódio ao que realmente nós queríamos ver, ou seja, o confronto Dexter VS. Miguel, mas não deixa de ficar no ar um certo gosto a decepção pela forma como os outros personagens, por vezes, parecem ser tão desnecessários.

O mais impressionante em relação a esta série, e a outras tão bem feitas como esta, é que mesmo com tantos defeitos que conseguimos facilmente enumerar, ainda assim, ao ver o episódio, sentimos que acabámos de assistir a algo de fenomenal.

[starrater]

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10 Respostas para “Dexter: 3×10 – Go Your Own Way (Showtime)” Subscribe

  1. Maciel 02/12/2008 às 16:11 #

    Concordo com o que tu escreveste. A situação do Skinner e do Miguel achei rápida demais. Há um pulo muito grande. Requeria outra abordagem. A outra (LaGuerta/Miguel) ainda vai que não vai (embora seja um pouco apressada).

    Em relação às personagens secundárias, até agora as histórias não trouxeram nada. Pode ser que nos dois episódios finais, haja desenvolvimentos (o gajo que bateu na moça de Batista terá passado? Anton a meter um processo à esquadra?). Mas também, a personagem Dexter é tão bem trabalhada que acaba por tornar todos os outros quase insignificantes.

    Mas foi um grande grande episódio. E promete o que aí vem.

  2. Maciel 02/12/2008 às 21:46 #

    Uma curiosidade que li. Um dos polícias que está de guarda ao quarto de Gianna (aquele que receb a chave) é o Jeff Lindsay (o autor da novela dexter).

  3. Xavi 02/12/2008 às 22:26 #

    “He taught me how to golf.
    I taught him how to kill.”

    A narração do Dexter é o que torna esta série tão especial..

    A relação entre o Dex e o Prado está a avançar muito rapidamente, mas tem que ser assim, tem que haver mortes até ao final da temporada.
    Está-se mesmo a ver como isto vai acabar, com o Prado morto e com o Skinner a arcar com as culpas e a “desaparecer”.

  4. Samuel 02/12/2008 às 23:17 #

    Não concordo com parte dita nesta critica.
    A própria Syl já desconfiava que LaGerta e Miguel tinham um caso, era questão de tempo, esse que a Rita lhe conferiu depois das palavras de Dexter. A Deb já namorou com uns 3 tipos até agora, que a deixem já em paz, o Quin que o guardem para a próxima temporada com os seus assuntos internos. Quanto ao Skinner e MIguel a chantagem tem um preço valioso, a Liberdade do esfolador.
    Nós queremos é mesmo Dexter, se querem ver novelas vejam Anatomia de Grey. O que importa nesta temporada é mesmo Dexter ter um amigo, esse que depois de Miguel nunca mais vai querer ter nenhum.
    Que venha já a 4ª Temporada porque esta sim é uma série e depois deste desfecho que se avizinha vamos ter um Dexter mais mortífero que nunca.

    • ZB 02/12/2008 às 23:32 #

      A Syl desconfiava que ele tinha um caso. Nunca foi dado a entender que ela desconfiava dum caso entre ele e a LaGuerta.

      Se a série fosse só sobre o Dexter, não existiriam outras personagens. Ao existirem, esses personagens têm de ter desenvolvimento, não podem ser dadas ao abandono. Se a ti só te interessa o Dexter, muito bem. A outros interessa todo um conjunto de personagens e as respectivas histórias, que convergem em simultâneo e dotam a série da qualidade que lhe é reconhecida. E, já agora, o Dexter não seria a personagem que é sem ter aqueles outros à sua volta. Provavelmente era apenas uma singela máquina de matar, sem qualquer ligação a um mundo real, e a série talvez não fosse nem sequer metade do que é.

      Quanto à quarta temporada, ainda vais ter muito que penar à espera que chegue…

  5. carolinafs 03/12/2008 às 12:10 #

    Que episódio! Embora no principio esta temporada não me estivesse a agradar muito, agora a série conseguiu dar uma volta que me deixa completamente agarrada como acontecia no princio.

  6. Ricardo Fernandes 04/12/2008 às 11:00 #

    “O mais impressionante em relação a esta série, e a outras tão bem feitas como esta, é que mesmo com tantos defeitos que conseguimos facilmente enumerar, ainda assim, ao ver o episódio, sentimos que acabámos de assistir a algo de fenomenal.”

    Ora aqui está o que eu sinto quando vejo Heroes, embora esta, seja sobejamente melhor!

  7. syrin 18/12/2008 às 22:51 #

    Oh boy… não estava nada à espera deste final!

    Quando vi a cena dos dois no telhado, pensei que o Dexter tivesse posto uma câmara a filmar o encontro, para qualquer utilização mais tarde, nunca pensei que o Miguel pudesse estar em conluio com o Skinner. (E como raio é que Miguel arranjou o número dele? Estranho, como disseste).

    O jogo entre o Miguel e o Dexter foi excelente, grandes interpretões dos dois actores. Tendo visto o Jimmy Smitts no verão nas últimas temporadas de “The West Wing”, onde fazia um papel diametralmente oposto, só tenho de dizer que continua em grande forma.

  8. Ricardo 09/01/2009 às 19:44 #

    UOU! Que episódio! Que final! Quero mais!

  9. Cláudia 30/11/2010 às 11:02 #

    Muito bom mesmo. Ver Miguel e Dexter dá uma dinâmica espectacular e eleva o episódio ainda mais. E eu adoro a narração do Dexter.

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