[SPOILERS] Sendo um acérrimo fã de ficção científica e tendo abraçado sem grande dificuldade séries com conceitos fantasiosos, ou menos reais, dou por mim a interrogar-me constantemente sobre a razão da minha resistência a “Fringe”. Será que esse sentimento está relacionado com a forma como os elementos mais irreais – ou, talvez dizendo de uma melhor forma, menos credíveis –, são expostos na série ou apenas é algo que se me tornou intrínseco e que dificilmente mudará?
Não sei. Pode ser uma mistura de ambos. A verdade é que, neste décimo episódio da série, e apesar de ter sido notório que o mesmo foi superior a praticamente todos os outros (no momento em que escrevo esta linha ainda estou indeciso se terá superado o “The Arrival”), quando os elementos que pedem ao espectador uma maior abertura de mentalidade surgiram em cena, a minha reacção voltou a ser pautada por uma certa resistência. Mas, no final do episódio, e depois de pensar um pouco no assunto, decidi tentar olhar para a série com outros olhos. Pelo menos, em relação a este episódio…
Independentemente de se aceitarem com maior ou menos facilidade os conceitos que revolvem em torno da ciência – ou pseudociência –, a verdade é que “Fringe”, como série, tem evoluído em alguns aspectos. Por exemplo, nestes episódios mais recentes, a fórmula rotineira em que a série parecia estar inicialmente a cair, já não é tão acentuada como o foi. Ou mesmo alguns dos mistérios, cuja resolução ou evolução não estão a ser tão prolongadas como se esperaria. Mas aquilo que mais me tem agradado tem sido o desenvolvimento de alguns dos personagens. É verdade que determinadas falas do Walter (John Noble), às vezes, já começam a parecer demasiado inapropriadas e é certo que alguma informação da vida pessoal da Olívia (Anna Torv), às vezes, parece ser colocada nos diálogos quase à força, mas adoro a forma como a relação do Peter (Joshua Jackson) com o pai avançou tanto desde o início da temporada e as reacções nulas de Olívia às falas imoderadas saídas da boca de Walter – na semana passada em relação à erecção e esta semana por três ocasiões (a piada dos seios, quando ele perguntou se ela estava mocada e quando perguntou se ela e o Peter queriam usar a cama) –, como se nos dissesse: “eu dou-lhe um desconto, pois esteve encarcerado durante duas décadas e é louco”. A falta expressividade nas reacções de Olívia tornam simplesmente as situações ainda mais hilariantes. Se ela se risse, mostrasse indignação ou ficasse zangada, a piada não seria a mesma.
Falando em concreto sobre o episódio desta semana, este pegou em alguns dos elementos que tinham sido deixados anteriormente em aberto e usou-os a seu belo prazer para nos proporcionar algumas cenas bem interessantes. Logo no início, encontramos um grupo de homens, liderados pelo Mitchell Loeb (Chance Kelly), a roubarem cofres de diferentes bancos utilizando uma máquina aperfeiçoada pela fórmula que o miúdo do episódio oito (“The Equation”) revelou, e que lhes permite vibrar de tal forma as partículas de um objecto sólido que o torna maleável e transponível por outro objecto sólido. Soubemos ainda que esses cofres têm partes dum engenho, criado e escondido por Walter há cerca de vinte anos, que permite transportar – duma forma semelhante ao feito no “Star Trek” -, uma pessoa de um local para outro. Que o engenho é usado para tirar da cadeia o tal Mr. Jones (Jared Harris), que se encontra aprisionado na Alemanha. Que o local dado pelo morto, “Little Hill” é o sítio onde o engenho deve ser utilizado para que funcione. E que o Mr. Jones quer a Olívia por alguma razão. Além disso, é-nos dada a primeira clara ideia de que, realmente, as memórias de John Scott (Mark Valley) estão implantadas no cérebro de Olívia (eles já tinham referido esta possibilidade, mas ainda tinha ficado alguma dúvida no ar). Ou seja, bastantes revelações para um único episódio. Tudo isto feito a um ritmo bem interessante, e temos a receita ideal para uma bela hora de televisão.
P.S. – Desta vez, era mais difícil de encontrar o Observer, mas até se encontrava relativamente bem: logo no início, nos monitores das câmaras de segurança do banco. Já agora, para quem não o apanhou noutros episódios, pode pôr-se ao corrente através desta compilação:

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Gostei do episódio. Eu gostei de Fringe logo ao início (1º e 2º episódios), mas depois caiu na rotina e fiquei desiludido. Este episódio foi muito bom e aumentou o meu interesse na série.
concordo plenamente c aqele comentário às reacções da olivia as bocas do walter, hilariante! xD
Sempre achei enorme piada a isso. Por mais inapropriado que ele fosse ela nunca fazia grande caso.
Bolas, nunca vejo o Observer em lado nenhum! Tenho de tomar mais atenção… Mas gostei bastante deste episódio, bem melhor que alguns para trás.