[SPOILERS] Não há melhor dia para escrever esta crítica do que um dia de chuva. Um assim espesso e cinzento, onde assobiam o frio e o desagrado. Um assim como o de hoje e como o deste nono episódio, um brilhante conto chuvoso que faz das gotas nossas lágrimas numa altura em que já conseguimos ver a inevitável meta da saudade.
Deixando de olhar lá para fora vamos então ao interior do episódio, que arranca com a pequena Chuck (Sammi Hanratty) num momento passado onde o seu pai a distraía da doença com hábeis histórias de terras distantes. Pai esse que está de volta no presente, não em grande forma porque é um cadáver, mas com vida. Toque esse dado por Ned (Lee Pace) que descobre então a artimanha da sua amada. A situação em questão é tão complexa que o perdão tinha de acontecer. Ned matou o pai de Chuck (Anna Friel), essa é uma culpa que ele tem sempre de carregar e que aqui equilibra os sentimentos de ódio e traição. Por muito magoado que ele esteja vai sempre compreender o que a sua mais que tudo sente e as fortes razões que a levaram a cometer tal loucura.
Um volta a viver, outro é brindado com o relâmpago da morte. Sai um vilão, entra um… vilão também. Então não é que o pai de Chuck é um sacana? Assim que volta ao activo põe em questão todo o modo de vida do casal protagonista, exige a Ned que este deixe de ver a sua filha e chega mesmo ao confronto físico com este, fingindo depois estar aleijado e magoado! Maquiavélico ou protector? Eu cá escolho a primeira e o facto de Charles (Josh Randall) não ser pêra doce só vem adensar ainda mais todo o problema. São tantos os sentimentos contraditórios que se fazem passar naquelas mentes que escolhas têm obviamente de ser feitas. Assim o recém renascido propõe a Chuck que fujam os dois para os sítios longínquos das suas histórias: Come with me, Button. Pie is… simple. It’s limited. Just a bit of… pastry and filling. Cake is complex. Layered with treasures waiting to be discovered. Ela acaba por escolher o amor a que chama lar e o seu progenitor deixa o episódio fugindo de carro. Será que volta? Com ou sem regresso esta foi uma história que teve o seu início e fim, carregada de ritmo e complexos enleios. Absolutamente fantástico.
Paralelo a este problema de família tivemos o crime da semana, pelos visto também em família. Merle McQuoddy (Davi Koechner) regressa ao seu farol muitos anos depois da sua suposta morte e enfrenta agora a acusação do homicídio da sua própria esposa. O filho de ambos pede ajuda e o nosso duo de investigadores lança mãos à obra. Duo? Mas qual duo? Emerson Cod (Chi McBride) e Olive Snook (Kristin Chenoweth), que depois da sua iniciação no episódio anterior decide continuar no ramo e ajudar o grandalhão num complexo jogo de pistas. Então e não é que ela tem muito jeito para a coisa? Esta adição à investigações é ouro sobre azul e se os antigos casos já tinham piada estes agora com a detective Snook são um absoluto delírio. Só ela fazia uma série. Rainha de inúmeros momentos que destaco o inevitável número musical onde canta Candle on the Water, canção de um dos clássicos da minha infância Pete´s Dragon! São tantas piscadelas de olho e tantos pormenores deliciosos que é quase necessário ver em câmara lente para não perder absolutamente nada!
A história dos dois apaixonados e do sogro mauzão foi excepcional. O caso do farol, escuro e sombrio, aproximando-se mais do que nunca a um devaneio Burtoniano, foi incrível. O resto que sobra foi fantástico. Custa muito chegar a este equilíbrio tão perfeito sempre com o adeus a espreitar à porta. Ainda dói mais.
O que Cod diz a Snook no final digo eu a “Pushing Daisies”: You made me love a rainy day again!

[starrater]




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Chuck a abraçar Ned com o plástico foi amoroso! Só me ri com o Elliot a “apoiar-se” em Olive e Chuck e com as gabardinas com desenhos de azeitonas, bacalhaus e tartes! Que episódio, cada vez custa mais ver…
Foi giro. E tens razão, o gajo é mesmo um sacana!
Hehehe, a Olive e o Emerson Cod são espectaculares.