[SPOILERS] “As the knight got closer, he saw the tower was even taller than he thought. It stood like a black fist, punching through the clouds and disappearing into the sky. He could hear faint sounds of the princess crying. She was scared. Scared that she would be trapped there… forever.”
A vida não é um conto de fadas. Não existem locais mágicos onde todos os problemas desaparecem no último minuto, onde os maus são castigados e os bons, recompensados. A vida real é diferente, crua, imperdoável. Não há pessoas boas ou más, apenas pessoas que se encontram num lugar cinzento, que vivem com as consequências das suas acções. Pessoas, como aquelas que conhecemos no universo de “The Shield”.
Assumindo-se desde o início como uma série diferente das outras, “The Shield” procurou sempre mostrar um lado mais real da vida de uma esquadra recheada de personagens moralmente contraditórias, onde os polícias corruptos convivem dia a dia com os melhores exemplos da bravura desta profissão. Foi desta maneira que nos conseguiram agarrar durante anos a ver personagens moralmente desprezíveis, mas que não deixavam de ter as suas qualidades redentoras. Em “The Shield”, nunca encontrámos “vilões” no sentido clássico da palavra. Mesmo aqueles que cometiam crimes desprezíveis, que roubavam e matavam, não deixavam de ser humanos. É por isso que a história dos Vendrell e, especialmente, do caminho que Shane Vendrell (Walton Goggins) percorreu desde o início, nos marca.
De polícia corrupto, a assassino de um dos seus melhores amigos, a fugitivo da polícia. De mulherengo convencido, a pai de família extremoso, a marido derrotado. Walton Goggins mostrou, ao longo das temporadas, um leque de emoções variado, conseguiu vender-nos a evolução da sua personagem de tal maneira que, mesmo odiando aquilo que fez e o que representa, não podemos deixar de nos comover com o dilema em que se encontra, com o desespero que sente agora, no final da sua viagem. O momento decisivo, quando Mara (Michelle Hicks) implora para que regressem a casa é, de certa forma, também o momento que sela o seu destino, e embora soubéssemos que não haveria um final feliz para os dois, a forma cruel como a sua história termina é uma daquelas cenas que não será possível esquecer durante muito tempo. Mesmo tendo admitido, no episódio anterior, que não havia fuga possível, que tinha chegado o final da linha, Shane procura convencer a mulher de que ainda há uma solução, mostrando-se um marido extremoso. As cenas entre os dois, ao longo da temporada, foram sempre poderosas, prova viva de que, por vezes, é possível encontrar a nossa alma gémea, mas nunca se tornaram tão difíceis de ver como neste episódio, em que assistimos à forma como Shane se prontifica a ajudar a mulher inválida nos seus momentos mais básicos.
Se o desfecho trágico há muito que estava anunciado, começa a ganhar forma mais clara a partir do momento em que Shane se vê num beco sem saída. O último confronto com Vic Mackey (Michael Chiklis) que, ao contrário das nossas expectativas, acaba por passar-se apenas por telefone, é um momento poderoso, não só pela força e pela raiva das palavras dos dois, pela forma como vemos dois antigos amigos a atacarem-se (e às suas famílias) sem piedade, mas também por descobrirmos, mais tarde, que esta foi a gota de água que levou Shane a tomar a sua decisão. Convencido (ou iludido) da inocência da sua mulher, Shane procurava arranjar forma de salvar Mara da prisão, estando disposto a entregar-se e a ser testemunha contra Vic. Mas quando descobre que a sua decisão chega tarde demais, que Vic já está a salvo graças ao contrato de imunidade que assinou com o I.C.E, o desespero leva-o a decidir não só matar-se, mas a levar consigo a mulher e o filho. Toda a cena de Shane na loja, a meter-se com a jovem empregada, a entregar-lhe o resto do dinheiro pelo qual a família tanto lutou, parece estranha à primeira vista, mas acaba por tornar-se ominosa quando vemos o desfecho da história. E torna-se então muito mais cruel.
Ao contrário de muitas séries, onde as bandas sonoras são usadas como parte essencial da acção, como forma de evocar um momento especial, em “The Shield” são os silêncios que mais emoção consigo trazem. Depois daqueles quarenta segundos de silêncio no episódio anterior, que tanto conseguiram transmitir sem que uma única palavra tivesse sido pronunciada, o silêncio que encontramos em casa dos Vendrell, depois de Shane se ter suicidado, deixa-nos arrepiados, seguros de que o impensável aconteceu. Para um crime impronunciável, não são necessárias quaisquer palavras: a imagem de Mara, do pequeno Jackson e de Frances Abigail, que nem sequer teve a oportunidade de nascer, mortos na cama, como que a dormir, acompanhados pelas últimas prendas que um pai e um marido conseguiu trazer (um ramo de flores, um carrinho de brinquedo – um carro da polícia, para os mais atentos), vai ficar guardada nas nossas memórias. E a frase “Family meeting” nunca mais será esquecida.
Fechado um capítulo desta história, permaneciam ainda em aberto muitos outros: uns mais interessantes, outros nem por isso. Aceveda (Benito Martinez) foi uma personagem interessante nas primeiras temporadas. A sua luta contra Vic, a rivalidade que mostrava para com a Equipa de Intervenção punham-no, de início, do lado dos “bons”, mas uma análise mais cuidadosa à personagem mostra que, na realidade, ele não era mais do que o contraponto político de Vic. Ambos não se preocuparam em sacrificar outros para conseguir os seus objectivos, mesmo se Aceveda nunca tenha chegado a extremos tão grandes. Como termo de comparação, é interessante voltar a ver Aceveda na história, mas ao longo da sétima temporada o destaque que teve não foi totalmente merecido. Toda a história com o I.C.E, com a sua candidatura a presidente da câmara, com o rival que surge, no último momento, para lhe tentar roubar o local, poderia ter sido interessante noutros tempos, mas na recta final desta série, com tantas histórias ainda por fechar, teve um impacto menor do que o desejado.
Tina (Paula Garcés), Julien (Michael Jace) e Danny (Catherine Dent), pelo contrário, acabaram por não ter um grande destaque nos momentos finais. Ficaram em aberto algumas histórias, como a homossexualidade de Julien e o destino do bebé Lee, que parece ter desvanecido da memória de Vic. Mas nem sempre a vida nos apresenta círculos fechados, histórias com um final claro. Fica a certeza de que estas personagens, pelo menos, continuarão a viver, a lutar, a sobreviver em Farmington. A tentar transformar a comunidade num local melhor para todos. Mais sorte tiveram Billings (David Marciano) e Dutch (Jay Karnes). Depois de tudo o que fez, de passar anos e anos a dormir em serviço, a tentar enganar o Departamento e a irritar tudo e todos, Billings acaba como começou, nem mais rico nem mais pobre – o mesmo Billings de sempre. Dutch, pelo contrário, tem a satisfação de ver o seu trabalho reconhecido, de provar que é o melhor profiler da esquadra, e de finalmente conseguir engatar uma mulher mesmo sem tentar. Toda a história com o assassino em série júnior, que vinha a ser desenvolvida ao longo da temporada, prometia um impacto maior. Não foram poucos aqueles que acreditaram num desfecho mais trágico, com Lloyd a assassinar Dutch ou, pior ainda, Dutch a tornar-se naquilo que mais o fascina. Talvez por isso, a resolução mais simples tenha parecido estranha. Mas se o facto de termos a confirmação de que Lloyd matou a mãe não nos excita por aí além, pelo menos deu-nos a oportunidade de ver novamente em acção a grande Claudette Wyms (CCH Pounder).
Michael Chicklis e Walton Goggins foram, ao longo da série, os grandes destaques. Deles saíram as melhores cenas, as melhores histórias, os melhores diálogos. Mas se fosse preciso escolher o terceiro lugar do pódio, teria de ir, sem sombra de dúvida, para CCH Pounder, que transformou esta Claudette Wyms num exemplo de como construir uma personagem. Em apenas um episódio, três confissões: a de Lloyd, que não vimos em cena, mas que sabemos que não tardava; a de Vic, na sala de interrogatórios, onde o silêncio disse mais do que muitos discursos; e a sua própria confissão, no gabinete, a Dutch. Os efeitos do lúpus, que há muito notávamos na capitã, continuam a fazer os seus estragos, da forma como sempre o fazem: em silêncio. A dor de Claudette, a fraqueza que de certeza deve sentir, que apenas a Dutch mostrou, nunca se irá repercutir no seu trabalho. Até ao final, até não conseguir mais, Claudette irá trabalhar, lutar pela sua esquadra e pela população de Farmington. Até ao final, Claudette manter-se-á a única personagem que nunca comprometeu os seus ideais. E se não teve a satisfação de ver o seu grande inimigo na cadeia, pelo menos teve o pequeno consolo de dar uma última facada em Vic, ao prender Ronnie (David Rees Snell) à sua frente e ao fazer Vic confrontar-se com todos os seus erros.
Se a cena na sala do interrogatório é impressionante graças, novamente, a uma brilhante interpretação de Michael Chiklis, a cena da prisão de Ronnie não lhe fica atrás. Até ao último momento, Ronnie pensou que estava livre, que a morte de Shane e o contrato que nunca assinou com I.C.E. lhe garantissem a liberdade. Até ao final, Ronnie manteve-se como o membro da Equipa de Intervenção que nunca traiu os seus amigos. Mas, tal como Lem na quinta temporada, é graças à sua lealdade que Ronnie vai acabar por pagar por todos os outros. Para uma personagem que nunca teve destaque nas primeiras temporadas, que literalmente entrou no episódio piloto para fazer número e porque é o melhor amigo do criador Shawn Ryan, é preciso louvar o trabalho de David Rees Snell, que foi crescendo nas suas interpretações e que, nos momentos finais, cercado de polícias, prestes a ser levado para o seu destino, tem o seu maior momento. A injustiça de que foi alvo faz-se sentir no seu olhar incrédulo perante a traição, nos berros que lança. “What about my choice? What about the team? What about protecting the god-damned team?” Em poucas palavras, a racionalização de Vic, de que tudo era pela sua família, cai por terra. E a vingança de Claudette conclui-se.
Por muitos dilemas e histórias ainda em aberto ao chegar a este derradeiro episódio, por muito que quiséssemos saber o que iria acontecer às restantes personagens, aquilo que mais nos intrigava era saber qual o destino final do homem que tudo controlou até aqui. As opções eram muitas – desde a morte, à prisão, até mesmo ao sair em liberdade -, mas certamente nada nos preparou para o que aqui vimos.
Para um homem que sempre se apoiou na ilusão de que tudo o que fazia era para o bem não só próprio, mas também da sua família, dos seus amigos, da comunidade em que trabalhava, este episódio representou o golpe final. Para vingar Lem, Vic Mackey ameaçou a família de Shane, o que levou à trágica decisão de Shane. Para salvar a sua família, Vic Mackey traiu o seu último amigo. Mas agora, as ilusões caem finalmente por terra. Descobrir que Corrine (Cathy Cahlin Ryan) estava a trabalhar com a polícia para o apanhar, que estava disposta a vê-lo na cadeia e afastá-lo completamente dos filhos, é um duro golpe, mas ver as consequências físicas das suas acções, ver as fotos da família Vendrell morta, é pior ainda. Toda a cena na sala do interrogatório é de uma tensão incrível: a forma como Claudette o põe, literal e figurativamente, no seu lugar, a recusa em olhar para as fotos e aceitar o seu papel na tragédia, os trejeitos da cara que escondem a dor, a violência com que ataca a câmara quando se apercebe de que viram a sua fachada a quebrar, confirmam mais uma vez aquilo que já sabíamos – que Michael Chiklis é um grande actor, e que domina completamente a sua personagem.
O que sobra então deste grande homem?
Três anos de lutas, de crimes, de corrupção, de violência. Três anos que terminam assim, de forma perturbadora, para Vic. Depois de tudo o que fez, do sofrimento que causou e das vidas que consigo levou, Vic acaba sozinho, em silêncio, num escritório, longe de tudo e de todos, apenas com a sua consciência por companhia. Entre o seu extenso rol de crimes contam-se um polícia assassinado por si, outro pelo seu protegido, outro na cadeia para o resto da vida, e uma família que se vê obrigada a fugir para cortar finalmente todos os laços que ainda os prendiam. É um homem derrotado aquele que vemos no final deste episódio, que perdeu a família, os amigos, o trabalho, a reputação. Um homem que se encontra numa prisão – não a verdadeira, isso seria demasiado fácil, demasiado óbvio -, mas uma prisão onde terá de permanecer três anos, tantos quanto aqueles em que governou as ruas.
Habituado à acção, à força física, ao seu poder sobre os outros, o trabalho de secretária, uma pequena vingança cortesia de Olivia (Laurie Holden), é tão constrangedor para Vic quanto o fato que o obrigam a usar, que o tornam mais atarracado do que nunca, que mostram o quão desconfortável se sente. As fotos que coloca na secretária, testemunho de tudo aquilo que teve e que perdeu (a mulher, os filhos, os amigos), não trazem consigo qualquer conforto – muito pelo contrário, deixam-nos ver mais uma vez a sua fachada a quebrar-se. E é assim, com o silêncio pesado do escritório no fundo, sem qualquer fala, que esperamos ver o final desta história nos olhos de Vic.
Estávamos enganados.
Aquilo que descobrimos ao longo destes anos todos, que vimos vezes sem conta nos oitenta e oito episódios que constituem esta série, é que Vic Mackey é impossível de derrotar. É por isso que, em vez de fecharmos a história com um momento de desespero, assistimos antes ao momento em que tudo muda. Vic recompõe-se, põe a arma nas calças, veste o casaco e sai, com um ar determinado. Vic Mackey não morreu. Vic Mackey não irá ficar por aqui. Vic Mackey está vivo e pronto para entrar em acção. Não há melhor homenagem a uma personagem do que esta.
Não é fácil terminar uma história, fechar a porta a personagens e histórias que fomos descobrindo ao longo dos anos, que marcaram lugar nas nossas memórias. Pior ainda é fechar a porta a uma das melhores séries policiais de sempre. Mas porque “The Shield” nunca desaponta, e porque a expectativa desta vez foi alcançada, “Family Meeting” é o episódio que irá entrar para a história desta série.
Para quem resistiu até ao final, para quem acompanhou estas personagens e estas histórias ao longo dos últimos sete anos, a montagem final ao som de “Long Time Ago”, dos Concrete Blod, é uma homenagem merecida e uma oportunidade para relembrar todas as personagens e histórias que mais nos marcaram. Tal como as balas que Vic, Shane e Ronnie cravam permanentemente na sepultura de Lem, esta é uma série que não será irá ser esquecida. E esse é o maior tributo que se lhe pode prestar.

















December 4th, 2008 at 15:15
Para quem conseguir chegar ao fim deste testamento, deixo-vos aqui uma pequena prenda: o spin-off de The Shield, dedicado na sua totalidade ao grande Dutch.
http://www.youtube.com/watch?v=DiQrZblrKYY
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December 4th, 2008 at 18:56
mais uma review magnífica Syrin! este episódio, esta série, não merecia outra coisa!
na sua simplicidade e calma, a cena da descoberta dos corpos da Mara e do Jackson é de uma brutalidade extrema! é um murro no estômago!
Vic Mackey é “a” personagem que marca a carreira de Michael Chiklis e dificilmente encontrará outra tão forte! lembrar a participação dele no Seinfeld e comparar com esta personagem, compará-las com “The Commish”, Michael Chiklis é um enormíssimo actor! merece voos bem mais altos que o “The Thing” no Fan 4!
CCH Pounder, Cathy Cahlin Ryan, Jay Karnes e Walton Goggins foram os outros actores que “roubaram o espectáculo”! vai ser difícil dizer-lhes adeus!
(e não te perdoo não teres dado 120!!
)
p.s.: foram 88 ou 89 episódios? encontro informação discordante!
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syrin Reply:
December 4th, 2008 at 21:58
Olha que eu gostei mais do episódio anterior do que deste, por isso nunca lhe poderia dar mais do que 100.
São 88 episódios. Há um webisódio, ou promosódio, ou como raio lhe chamam, que inaugura a season 6, e que é um mini-episódio de 15 minutos, que mostra o funeral do Lem.
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ZB Reply:
December 4th, 2008 at 22:18
Por acaso também gostei mais do anterior. Acho que o facto de o episódio ter sido maior, ali ao início parece que se dispersou um bocado.
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December 4th, 2008 at 22:31
eu não consigo escolher! entre estes 2 e o “parricide”, não sei se houve algum superior aos outros! estes 2 últimos até podiam bem ser um único episódio de 120 minutos!
e obrigado pelo esclarecimento quanto aos episódios!
já agora, syrin, e permite-me que te trate assim, vais continuar a dar-nos o prazer da tua colaboração noutras séries?
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ZB Reply:
December 4th, 2008 at 22:38
Syrin, permite-me que responda: BSG e Scrubs vão ambas ter críticas da syrin. Além disso, acho que ela sabe que poderá por cá continuar até quando se fartar!
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syrin Reply:
December 4th, 2008 at 22:40
Para mim, no pódio de episódios está:
1 – Of Mice and Lem (season 5)
2 – Post Partum (season 5)
3 – Possible Kill Screen (season 7)
Quanto às reviews… tenho uma semana de descanso aqui no tvdependente, e dia 12 regresso à carga com os webisódios de Battlestar Galactica. Em 2009, conta com as reviews de Scrubs e de Battlestar Galactica, que prometem ser ainda maiores do que as The Shield (que, nos episódios principais, andavam à volta de 4 páginas A4. LOL).
Até lá, podes sempre passar no meu cantinho onde vou tentando fazer críticas (mais ou menos) regulares às temporadas que ando a ver.
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December 4th, 2008 at 22:52
E pelo que leio (e li das outras temporadas) The Shield vem mostrar mais uma vez (felizmente há já alguns exemplos) que uma série pode ter um número considerável de temporadas e estar sempre num nível alto.
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December 5th, 2008 at 18:07
Syrin tenho muita pena de não ter acompanhado estas tuas cronicas mas não vi a série. Vou agora sacar toda esta última temporada para ver de enfiada. The Shield vai deixar saudades. Das melhores séries de todos os tempos.
Já estou em pulgas.
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December 7th, 2008 at 21:26
Para mim, The Shield não era só a strike team. E o facto deste final (episódios finais) ter parecido esquecer quase todos os outros personagens, não me faz vê-los como perfeitos.
Ver a Dani voltar como se nada se passasse entre ela e o Vic foi surreal. Ver o Julien a, de alguma forma, ficar incomodado (?) ao ver dois de mão dada, quando há mais de duas temporadas não se falava do assunto, foi surreal. Não terem dado um melhor material ao Dutch sem ser conhecer a sua mulher na vida real, foi fraco para o que a personagem merecia. Ver o Aceveda a terminar com problemas por causa de um adversário político aparecido sei lá de onde, teve pouco interesse.
Quem teve muito e excelente material para trabalhar foi a Claudette. As cenas dela com o Vic foram sem dúvida fabulosas e adorei a maneira que ela finalmente conseguiu superiorizar-se a ele.
Em relação à strike team, acho que melhor final não poderia ter havido. Só mudava uma coisa: terminava o episódio com o Vic imerso na sua solidão e não com ele a tirar qualquer pistola duma caixa e a partir todo sorridente.
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syrin Reply:
December 7th, 2008 at 21:50
Pois eu gostei do final, acho que foi fiel à personagem. No final da primeira temporada, quando o Vic chegou a casa e viu que a mulher tinha fugido com os filhos, também entrou em desespero, destruiu a casa… mas no final levantou-se e foi atrás deles. O Vic nunca desiste, não faz parte da sua personalidade desistir. Por isso gostei de o ver a pegar na arma e a sair, com ar de que ia para as ruas novamente.
Quanto aos restantes personagens, tens toda a razão, e também foi uma das razões por ter preferido o episódio anterior. Esperava muito mais da história do Dutch, depois de lhe terem dado tanta importância ao longo da temporada. O Dutch merecia melhor destaque. A Danny e o Julien tornaram-se meros fantasmas… algum do tempo de antena dedicado à Tina (personagem que detestei desde o início quase tanto como a Cassidy) podia ter ido para eles. Já agora, ZB, podes ler uma entrevista ao Shawn Ryan onde ele fala sobre a história do Julien aqui:
http://sepinwall.blogspot.com/2008/11/shield-shawn-ryan-post-finale-q.html
Quanto ao Aveceda… não gostei da personagem nesta temporada, acho que o tempo de antena dele se esgotou a partir do momento em que saiu do Barn. Mas isso sou eu.
No conjunto, esperava mais deste final, depois de todas as declarações que vi. Se o episódio anterior me deslumbrou, este pareceu-me mais aquém. Os críticos viram os dois seguidos, talvez essa tenha sido a diferença que os fez gostar tanto. Mas de qualquer maneira, posso dizer que à segunda volta (sim, vi o episódio 2 vezes para escrever a crítica) parece melhor. E essa é uma grande homenagem para qualquer série.
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ZB Reply:
December 8th, 2008 at 2:07
Em relação ao Julien, estive a ler um excerto da entrevista… e tudo bem que quisessem contar a história dele daquela forma. Nem é isso que eu contesto (apesar da cena ter sido algo surreal porque era assunto que há muito não se ouvia falar). O que acho mal é a ideia de que o personagem basicamente apenas serviu para aquela história e assim que ela terminou não souberam mais o que fazer com ele. Nem ao colocarem-no na strike team o personagem ganhou mais conteúdo.
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May 9th, 2009 at 23:45
O que mais me fazia gostar da série era o fato de contar a história de um grupo de amigos, um grupo de amigos que sempre esteve para ajudar um ao outro.
Quando Shane matou Lem, ele saiu desse perfil e acho que a partir daí não havia outro destino a ele a não ser sua morte.
Não pensei que Vic iria sair desse linha de fidelidade aos amigos, mas ele o fez no último episódio e o únicos que se manteram firmes a esse proposito de lealdade foram Lem e Ronie, isso foi muito triste, mas talvez assim tivesse de ser…
Ontem foi transmitido o último episódio no Brasil, vou ficar chocado por um bom tempo. Sem dúvida, a melhor série de todos os tempos.
Abraço a todos,
Rafael
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November 14th, 2009 at 19:31
Vi os dois últimos episódios de rajada ontem e ainda estou parvo.
A televisão devia ser sempre assim.
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March 3rd, 2010 at 21:16
Acabei a maratona de the Shield!
Acho que o final foi extremamente coerente com todo o passado da série e das personagens. E é isso que procurava (e procuro em qualquer final). Ainda antes de Vic sair da secretária disparado, perguntava a mim mesmo “E ele fica ali? Aceita o destino impávido?” Acho a correria dele lógica com a personagem.
Em relação ao resto, partilho também de algumas das observações do zb (Julien, Danny). Mas na verdade, a história do Julien sempre me pareceu secundária e um pouco deslocada. Se a série nunca andou (ou raramente andou) à volta da vida sexual das outras personagens, para quê esta história? Mais parece que foi coisa de lobbies. E com a Danny foi quase a mesma coisa.
Eu gostava imenso da Claudette quando era só detective. A partir do momento que ela foi comandante, achei que a personagem perdeu muita da sua força. Perdeu-se em tarefas administrativas. E, pior que isso, raramente conseguiu transmitir a força que tinha para a sua liderança na esquadra. Devido a isso, senti muito a falta do Aceveda das primeiras temporadas e da Glenn Close (poderosíssima e que infelizmente só este uma temporada).
Nunca achei piada (por piada, entenda-se: relevância para o episódio) ao Billings. Uma seca a personagem. Só me apetecia passar à frente.
É uma excelente série policial, com grandes personagens e com grandes interpretações. O Michael é um gigante. E eu que só o tinha visto naquela treta do “quarteto fantástico”. Nem queria acreditar que era o mesmo gajo.
Não é, para mim, uma série é perfeita. Porque nenhuma série o é. Esta também teve os seus baixos e alguns episódios/histórias menos conseguidos. Também teve os seus fillers, também teve a sua palha e também teve personagens desaproveitadas.
Mas em boa hora a vi. Estava mesmo a precisar de algo que me arrebatasse. E esta série arrebatou-me.
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syrin Reply:
March 3rd, 2010 at 21:29
Mais um para o clube.
Engraçado, não acho que a Claudette tenha perdido força no final, acho até que se tornou uma maior opositora ao Vic desde que ficou à frente da esquadra. E a forma como conseguiu dele uma pequena reacção no final (mesmo se não o tenha conseguido apanhar, que era o que merecia…) foi impressionante.
Devo ser a única pessoa do mundo que não achou a Glen Close na season 4 assim tão impressionante. De longe, mas de muito longe, prefiro o Forest Whitaker na season 5!
The Shield é daquelas séries marcantes que não conseguimos esquecer. Revi a série de início ao fim o ano passado, para fazer o top 10 de episódios, e acreditem que mesmo à segunda (em alguns casos à terceira volta) continua tão boa como de início.
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Maciel Reply:
March 3rd, 2010 at 22:22
Engraçado, não acho que a Claudette tenha perdido força no final, acho até que se tornou uma maior opositora ao Vic desde que ficou à frente da esquadra. E a forma como conseguiu dele uma pequena reacção no final (mesmo se não o tenha conseguido apanhar, que era o que merecia…) foi impressionante.
Sim, nisso tens razão. O que queria dizer é que senti falta da Claudette no terreno (e na sala de interrogatórios) e a ter que lidar (no terreno) com o Vic e os restantes. Ela apareceu algumas vezes como detective, mas queria mais. Quando ela passou para chefe, pensei que ia haver uma autêntica revolução lá. Mas ela mais do que uma vez, teve que baixar a bolinha como os anteriores chefes faziam. Daí ter achado que foi um pequeno desperdício colocá-la tanto tempo atrás da secretária. Até porque as duplas interessantes no terreno nunca abundaram na série.
Devo ser a única pessoa do mundo que não achou a Glen Close na season 4 assim tão impressionante. De longe, mas de muito longe, prefiro o Forest Whitaker na season 5!~
Não és a única. Eu também não a achei impressionante (pelo menos a um nível regular). Achei-a muito bem em muitas ocasiões, mas normal em muitas outras. O Forrest arrumou com tudo. Gigantesco, enorme, excélsio. Ele foi sempre enorme. Até com uma simples pastilha elástica ele encheu o ecrã. Todos os adjectivos são menores para classificar a sua actuação. Incrível!
Em relação à Glenn, ela era uma chefe com “big balls”. Uma mulher que impunha respeito e que sabia apertar os calos de muita gente. E gostei da parelha dela com o Vic. Daí aquela mudança (dela para o Billings, dele para a Claudette) ter-me ficado atravessada. Perdeu-se alguma da tensão existente nas primeiras temporadas, entre os chefes e a strike team. A ideia que me deu sempre, é que a Claudette apertava o pessoal (da strike) mas não era temida.
Rever está nos meus planos. Essa é a pergunta que faço a mim mesmo sempre que acabo de ver (na totalidade) uma série, para separar o trigo do joio. E esta era capaz de a rever neste exacto momento.
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syrin Reply:
March 3rd, 2010 at 22:30
Ah, e o mais gritante é que a Glenn Close foi nomeada a um Emmy pelo papel na série e o Forest Whitaker não. Grumble grumble!
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Maciel Reply:
March 3rd, 2010 at 23:01
Chocante de facto.
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April 12th, 2010 at 15:45
Sabes do que gostei nos momentos finais?
Da cara do Vic ao ver os carros da polícia passar.
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April 12th, 2010 at 16:54
É difícil dizer entre coisas excepcionais, aquela que é mais excepcional. Mas estou tentado a dizer que The Shiled é “A SÉRIE”.
É obra manter o nível e até aumenta-lo com 7 temporadas e The Shield conseguiu-o. Mesmo quando no final da 5ª temporada me caiu tudo e pensei em desistir, ao assistir no dia a seguir ao 1º ep. da 6ª temporada esse sentimento foi-se logo e não consegui parar até chegar a fim.
E que fim…
Vic, Shane, Lem, Ronnie, Dutch e outros vão ficar para sempre gravados na minha memória…
A rever daqui a uns tempos.
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