A segunda temporada de “Breaking Bad” arranca este Domingo e o Paulo Pereira regressa ao activo depois de umas pequenas férias, com críticas semanais aos episódios desta excelente série. Assim, apesar de já ter sido feita uma crítica à primeira temporada da série no TV Dependente, fiquem agora com a visão dele sobre a mesma.
[SPOILERS] Albuquerque, na fronteira com México. Walther White (Bryan Cranston) tem uma vida monótona, num constante namoro com o que demais enfadonho o quotidiano lhe pode dar. Professor de química, num liceu dos subúrbios, Walt procura equilibrar as parcas finanças com um trabalho suplementar numa estação de serviço de lavagem de carros. Com uma existência apagada e aborrecida, vivendo mesmo assim aparentemente feliz com a esposa grávida (Anna Gunn) e o filho deficiente (RJ Mitte), Walt recebe uma notícia dispensável. Cancro do pulmão, suprema ironia da vida, punindo um não fumador com uma doença não operável. O prognóstico reserva-lhe dois a três anos de vida. No máximo. E aqui, neste ponto, onde a sanidade de muitos soçobraria perante devastadora notícia, Walt desperta para uma nova existência.
A fórmula, não sendo nova [explorada já em Weeds, num tom mais ligeiro] é refrescante, fugindo dos argumento batidos, banais e repetitivos com que somos brindados, na maioria das vezes. Alguém, pertencendo à classe média americana, por contingências várias, entrando no submundo peculiar do tráfico de droga.
Misturando as pitadas certas de drama e humor, a história acompanha o novo Walther, disposto a tudo para garantir a subsistência económica do seu clã. E a ideia, absurda, surge-lhe ao ouvir as bravatas do seu cunhado (Dean Norris), policia ao serviço da DEA, a quem acompanha numa rusga a um antro de produção de droga. A partir daí, os seus conhecimentos técnicos e profundos de química ficarão ao serviço da produção de metanfetaminas.
Ao longo de sete episódios acompanhamos a descida de Walther ao seu inferno pessoal, aliando-se ao seu antigo aluno, Jesse Pinkman (Aaron Paul), um pequeno traficante de subúrbios, para produzir a melhor e mais pura droga, numa descaracterizada roulote, atraindo as atenções indesejadas de alguns ex-sócios de Pinkman. Drama, suspense, violência, morte, assassínio. Uma espécie de etapas de Dante neste Inferno, com os sócios atípicos procurando o lucro imediato, vivendo aventuras dolorosas, numa aprendizagem contínua.
Pinkman, paranóico com o uso sistemático da metanfetamina, procura o conforto familiar, junto dos pais, numa réstia de salvação. Walther, depois de confessar à família a doença de que padece, recebe todo o apoio da esposa, filho e cunhada, dispostos a não desistirem, lutando pelo futuro, mesmo que o dinheiro escasso seja um entrave à continuação dos tratamentos médicos. O cancro, entidade não visível, mas sempre presente no subconsciente de todos, personagem indesejável, pulsando omnipresente, dado que tudo acontece tendo a doença como epicentro.
A série tem alguns momentos únicos, verdadeiramente definidores da concepção do brilhante argumento:
- o desaparecimento de um distribuidor de droga, com o recurso a ácido, numa banheira, trabalho executado pelo sócio de Walther, que acaba numa trapalhada brutal, com sangue e vísceras por toda a casa;
- a primeira vez que Walther fala sobre o cancro, com alguém, num ambiente com tanto de intimista como de surreal. Sentado na cave da casa do sócio, com o refém a quem cabe assassinar (Maximino Arciniega), bebendo cerveja, conversando como dois amigos no final de um dia de trabalho, relembrando situações, trocando recordações sobre a cidade onde vivem;
- a reunião familiar, em casa de Walt, com a família disposta a um diálogo franco, tentando levá-lo a aceitar a proposta de tratamento pago por um amigo. Uma espécie de encontro terapêutico, a que não falta a chamada almofada da fala, uma espécie de censor democrático. Intensa, onde cada um expressa os seus sentimentos, tendo Walt como epicentro emotivo, desnudando-se emocionalmente.
- o confronto com Tuco (Raymond Cruz), o distribuidor da zona, revelador da determinação de White. Com 500 gramas de droga roubada, o seu parceiro brutalmente espancado, White enfrenta temerariamente o traficante, no seu próprio terreno, aplicando os seus conhecimentos de química aos explosivos que servem de arma para fazer valer os seus direitos, conseguindo também ser respeitado pelos malfeitores.
Excelente, com interpretações de grande nível, levando-nos a criar uma rápida empatia com aquele professor de química de ar apagado, anónimo, mas com uma força de vontade e uma capacidade de superação notáveis. A ver, com sofreguidão…

















March 7th, 2009 at 21:39
I *heart* Breaking Bad! :D
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