[SPOILERS] Convincente. Assim mesmo. Uma só palavra é o que mais facilmente encontro para poder definir a estreia desta série.
Imaginário. A série passa-se no reino de Gilboa. Por aqui começa o episódio e comemora-se a inauguração da capital Shiloh, razão pela qual o rei Silas (Ian McShane) mostra um tremendo orgulho no trabalho aqui realizado durante 50 anos. Foram 50 anos a erguer uma cidade onde antes havia destroços, cinzas e as demais consequências de uma guerra. A religião também entra no seu discurso e será tema recorrente ao longo de todo o episódio.
Guerra. Saltamos dois anos na linha narrativa e encontramo-nos em pleno campo de batalha entre Gilboa e Gath. Por aqui assistimos ao acto “heróico” de David (Christopher Egan) a resgatar dois reféns em pleno acampamento dos soldados de Gath. Quis o destino que um deles fosse o filho do rei, Jack (Sebastian Stan), pelo que a partir deste momento “estava escrito” que os caminhos de David e do rei Silas cruzar-se-iam.
Festa. Em honra de David, pois claro. Estão lá todas as pessoas importantes do reino de Gilboa, o rei Silas faz o seu papel e o seu habitual discurso sobre Deus, a filha dele, Michelle (Allison Miller), dá um ar da sua graça (e que graça!), Helen (Susanna Thompson) começa a mostrar a sua importância e o reverendo Samuels (Eamonn Walker) assume-se como “conselheiro” do rei (embora o termo mais correcto seja marioneta).
Intervalo. No final da primeira parte deste episódio (e com uns primeiros 25 minutos excelentes, num registo quase de filme) temos já uma boa ideia do que a série é. Ian McShane e Christopher Egan destacam-se dos restantes actores. Se por um lado é óbvio este destaque, não deixa de ser verdade que estes actores dão uma outra dimensão às suas personagens. A empatia é quase instântanea e é-nos fornecida de forma natural. São duas interpretações de grande valor.
Segunda parte. As histórias que nos foram apresentadas na primeira parte são desenvolvidas e a série mostra um pouco do caminho que quer seguir. David torna-se capitão e recebe um cargo político em Shiloh, o rei Silas mostra que sabe jogar nos dois lados do tabuleiro político, Jack quer ser rei a todo o custo e guerra e paz acontecem com a mesma facilidade que as movimentações políticas o permitem.
Final. Ao fim da visualização do episódio, ocorrem-me alguns destaques. A produção da série é cuidada. Há alguns excelentes planos, há montagens muito bem feitas, há simbolismos bem usados, há diálogos fortes (mesmo os mais leves, como os do rei para com o seu assistente, são de boa qualidade), há personagens carismáticas, o elenco convence, há momentos musicais bem aproveitados (é certo que o misticismo da voz de Lisa Gerrard é já meio-caminho andado), há todo um imaginário que é convincente e há uma narrativa que é bem introduzida e desenvolvida. Claro que há momentos mais parados ou alguns clichés (o adultério do rei, a vida de borga do filho do rei e o seu plano de sucessão, o rapaz simples que se torna herói, etc.) que nos são apresentados. Mas no final fica a sensação de um episódio convincente de uma série que se pode tornar em algo de muito interessante. Resta esperar pelos próximos episódios e vermos como a narrativa se desenrola.

[starrater]






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Ian Mcshane???? IAN MCSHANE?????? Eu fiquei fã do homem com a primeira temporada de Deadwood. Se ele for uma décima do que era nessa série, será um fenómeno.
Vou sacar!
Um abraço Maciel!
A mim também me convenceu.
Claro que a história é um grande cliché (o que não é de estranhar, visto de onde saiu, a Bíblia). O rapaz pobre que salva o filho do homem rico e se torna parte dum outro mundo. O rapaz rico que, apesar de ser salvo pelo pobre, ressente-lhe por ele estar de alguma forma a tomar a sua posição no seu mundo. A rapariga rica apaixonar-se pelo rapaz pobre. Tudo isto já foi visto vezes sem conta. Mas também é verdade que é daquele género de histórias que a maioria das pessoas não se fartam. E, desde que seja bem contada, acho que tem espaço aqui no leque de séries que acompanho. O que é o caso desta Kings.
Quanto às interpretações, Ricardo, o Mcshane não chega àquilo que foi em Deadwood (pelo menos, para já), mas está em grande na mesma. Aliás, ele e a Susan Thompson (que eu já não via desde o Once & Again) são os expoentes máximos nesse campo. O protagonista vai-se safando, mas as cenas que requerem mais dele, fica um pouco aquém. Exemplo disso, é a cena daquele discurso após a morte do irmão. Fraquinho, o rapaz. E eu até tinha gostado da presença dele no piloto da série que nunca viu o dia do Ryan Murphy, Pretty Handsome.
Infelizmente, não sei se valerá a pena investir o tempo na série. A NBC colocou-a num dia péssimo para este género de série, e ela correspondeu com péssimas audiências. Enfim… Por outro lado, e se for verdade que a história do David será seguida à risca, também não será muito difícil saber qual vai ser o final…
:stupid:
Nunca vi Deadwood, por isso não sei do que o McShane é capaz. Mas gostei muito dele. Tem carisma e o timbre dele é o máximo. Do puto também gostei. Está noutro nível, é novinho mas acho que chega lá.
Se a série se aguentar até ao fim dos episódios, pode ser que mesmo com uma temporada fique uma coisa muito interessante de se ver. Nem sei como é que a história de David acaba. A bíblia está cheia de spoilers!!
e o timbre dele é o máximo
Então imagina-o a pôr um “cocksucker” a fazer de virgula em cada frase que diz e com um ar ainda mais carrancudo.
Nem sei como é que a história de David acaba.
Pois, tiveste azar, é que deram isso logo no único dia em que faltaste à catequese.
Então imagina-o a pôr um “cocksucker” a fazer de virgula em cada frase que diz e com um ar ainda mais carrancudo.
Deve ser fixe mesmo. Irei ouvir isso algum dia.
Pois, tiveste azar, é que deram isso logo no único dia em que faltaste à catequese.
Pois foi. Tinha que escolher entre ver um jogo do Benfica ou saber a história de David.
Podes ver isto:
Não tem spoilers, porque são recortes muito pequenos:
Fixe! Obrigado. Agora percebo o Pacheco Pereira e o artigo dele em que referia esta série (e os seus fucks) como algo que deveria ser dado a conhecer aos alunos nas escolas.
Bem, deixaram-me tentado a ver MAIS uma série. E já são tantas…
Mas com Ian McShane (e sim Maciel, deves sacar urgentemente o DeadWood, por onde anda também um muito bom Timothy Olyphant), a qualidade deve estar garantida.
Vou ver, apesar do aviso do ZB quanto ao previsível futuro da mesma. Já se sabe que as audiências são o que realmente interessa aos executivos. E se elas não correspondem ao esperado :suicide1:
Gostei imenso. É mesmo o tipo de série que gosto. Quanto aos clichés, visto que é uma série baseada numa história já feita, acho que é perfeitamente plausível.
Espero mesmo que não seja cancelada.
Quanto ao actor principal que faz de David, devo dizer que não concordo com vocês. Gostei do actor, achei que ele fez um bom trabalho e identifiquei-me rapidamente com a personagem.
Vi ontem o episódio, um pouco influenciado pelo Ian McShane (fantástica representação em Deadwood), se bem que sempre que ele aparecia em cena lembrava-me de Deadwood, mas pronto, achei o episódio razoável.
Quando ver os próximos episódios, pode ser que me pronuncie se irei ou não a continuar a ver.
Adorei!!
Sim senhora, grande estreia de uma série. Sim, a história pode estar recheada de clichés, mas para dizer a verdade, que história é que não os tem?
Adorei o universo em que a história se insere, gostei das personagens em geral, se bem que, como disse o ZB, o rapazinho podia ter sido mais emotivo no discurso frente aos tanques. Mas quem sabe não melhora ao longo da série.
O rei destaca-se, como é óbvio (e não, eu também nunca vi Deadwood. Shame on me!), e os seus defeitos dão-khe uma outra dimensão, mas a história da amante… bah. Ah, e adorei rever a Susanna Thompson.
Em termos visuais, este piloto destacou-se e muito. Grandes filmagens, e os grandes planos estavam perfeitos.
Sim, a história pode estar recheada de clichés, mas para dizer a verdade, que história é que não os tem?
Sim, é verdade. Mas a série foge muito bem deles (através de analogias/metáforas muito bem feitas). Acho este o maior trunfo da série: sem ter uma história nova (e sem ser uma narrativa do outro mundo) consegue transformá-la em algo muito melhor. E a série é muito constante (com tendência a melhorar).
Outra coisa boa é que, sem ter um ritmo lento, conta muito bem e com calma todas as histórias.
Já há algum tempo que andava para ver isto, mas aquelas imagens promocionais todos juntos a uma secretária não me inspirava grande confiança, pois pensava que iria ser uma seca, dei hoje finalmente a oportunidade, nos primeiros 5 minutos pensei que não iria ver o episódio até ao fim, mas felizmente enganei-me. O primeiro episódio cumpre muito mais que a missão, sem dúvida uma grande estreia, talvez a série que me deixou mais empolgado com apenas um episódio até hoje.
Quanto à nota acho-a exageradamente baixa.