[SPOILERS] Por muito que nos custe, por vezes é preciso admitir que uma série chegou ao seu fim de vida, que não há mais histórias para contar e que mais vale deixá-la morrer com dignidade do que arrastá-la indefinidamente. Por muito que “Scrubs” nos tenha feito rir ao longo dos últimos anos, e mesmo que nos consiga ainda surpreender com episódios excelentes como os últimos dois, é impossível negar que começam a faltar histórias interessantes para contar, e que a ausência de elementos chave se repercute na história.
De forma a poupar nos custos, todos os actores do elenco regular aceitaram falhar um ou dois episódios durante esta temporada. Até agora, as várias ausências foram notadas, mas nunca tiveram um impacto tão grande como neste “My Absence”, em que apenas temos direito a ouvir a voz de Zach Braff. De férias, J.D. deixa-nos assim sozinhos para assistir a mais uma crise neurótica de Elliot (Sarah Chalke), que depois de anos de anda/não anda, está com alguma dificuldade em admitir que ama o namorado. Nada de muito interessante, mas sempre nos deu a oportunidade de assistir a um bom discurso de Kelso (Ken Jenkins), que a convence que não precisa mais ter receio em aceitar os seus sentimentos.
Quem também está a entrar numa nova fase da sua relação são Turk (Donald Faison) e Carla (Judy Reyes), que se preparam para a chegada de mais um filho. Infelizmente para Turk, que pensava que com isto ia conseguir recuperar algum do reconhecimento que teve com o nascimento de Izzie, o segundo filho já não é causa para celebração no hospital, e a sua tentativa de enganar tudo e todos, teve mau resultado. Sim, porque Gooch (Kate Micucci), a nova namorada do Ted (Sam Lloyd), não gosta nada de ser enganada e muito menos de compor músicas desnecessariamente, vingando-se do pobre cirurgião.
Enquanto Turk se depara com as pernas curtas da sua mentira, Carla vêse obrigada a reconhecer que mudou nos últimos anos, e que já não se mostra tão prestável como de início. Este abraçar da realidade, esta perda das ilusões com o trabalho é algo por que todos já passámos, quando a rotina se impõe e suplanta a novidade. Não é, certamente, fácil para Carla reconhecer que mudou, e que está a desleixar o cuidado dos doentes ao não ajudar os estagiários como antes. Mas, por outro lado, será que Carla tem de ser a eterna mãe galinha? Será que ela também não tem o direito de errar de vez em quando? Felizmente Carla regressa ao bom caminho com a ajuda do seu grande amigo Dr. Cox (John C. McGuinley), que se vê também obrigado a reconhecer alguns dos seus defeitos. A relação entre Cox e Carla, tão importante desde a primeira temporada, pode também ela ter-se alterado ao longo dos anos, mas continua a ser uma das mais interessantes da série. Espera-se que até ao final mais do que anunciado desta série, se venha a manter.
Embora proporcionando alguns sorrisos, este episódio não consegue distinguir-se, e acaba por sofrer por chegar depois de dois episódios excelentes como “My New Role” e “My Lawyer’s in Love”. A falta de J.D., especialmente, é aquilo que acaba por mais marcar, e nem mesmo as divertidas cenas com o telemóvel conseguem fazer-nos esquecer que algo falta nesta história.
[starrater]






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As cenas com o telemóvel escondido no gabinete do Dr Cox tiveram a sua piada mas fora isso foi um episódio morno. Continuo é a achar imensa piada a Gooch e as suas musicas =P