[SPOILERS] Pegando numa fórmula que já se tinha revelado de sucesso esta temporada, por alturas do centésimo episódio da série, “Look Into Their Eyes and You See What They Know” demonstra uma vez mais que, quando os responsáveis pela mesma querem e não se metem a inventar plots ridículos e reviravoltas de meia-tijela, “Desperate Housewives” pode ser bem interessante.
Felizmente, o cliffhanger do episódio anterior, em que Edie Britt (Nicollette Sheridan), depois de electrocutada, ainda dava sinais de vida prometendo regressar neste episódio para ser assassinada pelo marido ou até pelo próprio Orson (Kyle MacLachlan), foi resolvido da melhor forma logo nos primeiros instantes do episódio. Edie soltou o seu último fôlego perante o bairro inteiro, rodeada daqueles que estariam mais próximos de serem seus amigos (apesar de serem estas as mesmas pessoas que a “expulsaram” de Wisteria Lane cinco anos antes) e tal como ela sempre gostou de viver: sendo o centro das atenções.
Como Dave (Neal McDonough) nunca chegou a conhecer o filho de Edie, decide pedir às cinco mulheres do bairro mais próximas da esposa se elas podem dar a notícia da morte da mãe ao rapaz, bem como lhe entregar as cinzas do seu corpo cremado. Apesar de renitentes, elas não conseguem negar a um viúvo lamentoso o seu desejo e lá partem para uma viagem de quatro horas em busca do jovem Travers (Stephen Lunsford).
Uma a uma, Susan (Teri Hatcher), Gaby (Eva Longoria Parker), Bree (Marcia Cross), Lynette (Felicity Huffman) e a Mrs. McCluskey (Kathryn Joosten) relembram momentos das suas vidas onde Edie tenha, de alguma forma, marcado a diferença. E todas estas lembranças mostram diferentes facetas da personagem, diferentes aspectos de quem ela era, nunca fugindo àquilo que sempre conhecemos ao longo destes cinco anos: que ela era atrevida, mesmo arrojada de mais para determinados valores morais; que era sexy e não tinha preconceito de usar a sua sensualidade para conseguir o que queria; que encarava os problemas de frente e não se deixava rebaixar perante adversidades; que dava uma mão num gesto de amizade quando um amigo precisava; e que, para bem do próprio filho, para que este não crescesse sujeito à sua má influência, o decidiu abandonar.
Cinco pequenos pedaços duma vida preenchida – pois, tal como ela afirma no final, se há coisa que ninguém lhe pode retirar é o facto dela ter vivido a vida –, cinco momentos que influenciaram as vidas de outrem e alteraram rumos.
Este foi o canto de cisne de Edie Britt.

[starrater]






Blogue Sangue Fresco
Cinema Notebook
Sons of Anarchy Portugal






A Edie era das minhas personagens favoritas por isso foi com alguma tristeza que a vi partir assim.
O episódio, voltando à fórmula de recordar como uma personagem marcou cada uma das pessoas, foi giro, mas nada de especial. Parece que não têm mais nada que contar esta temporada e por isso recuam no tempo para momentos que sabem nunca desiludir os fãs. Esperava melhor.
Eu também gostava da Edie mas diga-se a verdade ela sempre foi uma personagem mais secundária que as restantes. Ela foi-se intrometendo um pouco mais a partir de determinada altura (dizem que foi desde que a Vanity Fair fez capa com as actrizes da série e decidiu colocá-la também), mas nunca teve tanto destaque como as outras. Para a história não fará tanta falta como qualquer uma das outras. O mesmo acontece com a Katherine, por isso não me admira que qq dia se desfaçam dela também.
Estava curioso para ver que nota ias dar ao episódio, precisamente porque um dos aspectos que mencionaste tem sido uma das suas maiores criticas: o facto de termos visto exactamente esta formula há poucas semanas, no episódio 100. Eu também não desgostei do episódio, apesar da narração não me ter convencido totalmente. Não sei se foram as palavras ou o tom, mas pareceu-me demasiado “serena” ao estilo de Mary Alice. estava à espera de outra coisa da Eddie. Também parece que a sua saida da série não foi da forma mais amigável, por isso, talvez isso se espelhe na actuação.
Realmente, voltarem a repetir a fórmula tão cedo talvez fosse um bocado precipitado, mas acho que voltou a resultar e voltou a convencer.
Quanto à narração, também não apreciei por aí além. Não sei se pelo hábito de ouvir a outra actriz, se pela voz da Nicollette…
Outra questão que este episódio coloca é o facto de deitar um pouco por terra a personagem da Edie. Depois de vermos estes momentos que cada uma das personagens recorda, ficamos com a sensação de que a Eddie não é assim tão “mazinha”, que, suponho ser o efeito que os autores quiseram dar como forma de despedida, mas por outro lado, coloca os conflitos dos últimos 5 anos numa nova luz. É realmente credivel que uma personagem tenha tantas mudanças de humor? e, conhecendo agora estes momentos, a reacção das outras mulheres ao longo de 5 anos não parece um pouco exagerada? Para mim o episódio teria tido muito mais efeito se tivesse tido apenas o flashback da Gabrielle e de Mrs Mucluskey. Esses foram crediveis. Quando começa a meter o “levar a lynette ao médico” e mesmo o flashback da Susan (tão amigas que nós eramos) e da Bree (Eddie visita Orson na Prisão??) começa a soar a treta.
A amizade com a Susan quando se conheceram e ainda não sabiam que eram tão diferentes não me parece assim tão descabida como isso. Apesar delas sempre terem ido de encontro uma à outra, sempre houve momentos em que se via que, quando elas queriam, entendiam-se. O de levar a Lynette ao bar dos motards pareceu-me algo típico da Edie. Talvez aquela ideia de querer puxar a Lynette para cima e não a deixar perder a esperança não fosse algo que esperássemos, mas a Edie não era assim tão fria como isso e outras vezes mostrou-se disponível para ajudar os outros. Mesmo que à sua maneira. Já a cena do Orson, concordo que foi um bocado mais puxado. E depois surpreendeu-me a conversa dela no final do flash da Gabrielle. Aí sim, não me pareceu a Edie que conhecia.
Edie Britt sempre foi uma das minhas personagens favoritas pois, contrariamente às restantes, ela sempre e somente foi Edie: uma personagem simples que nunca precisou ter cancro, virar alcoólatra, ficar gorda ou ter sofrido violência doméstica para nos comover. Edie sempre foi perfeita pela sua simplicidade, por ser humana e errar.
Os momentos da Edie com a Lynette, Gabrielle e Mrs. McCluskey foram magníficos. É neles que vemos a verdadeira Edie, a Edie que, doa a quem doer, dizia o que pensava. Ouvir a personagem dizer: “Eu amo-o bastante para permitir que ele me odeie” foi simplesmente tocante, digno e sobretudo inesperado.