[SPOILERS] No novo filme de Ricky Gervais “The Invention of Lying” toda a gente é sincera. Ninguém conhece outra coisa senão a verdade até ao dia em que um homem inventa a mentira. Por outro lado, em “Lie to Me” ela já foi inventada e é usada com força. Até temos especialistas que dedicam a vida a descobri-la e identificá-la, para resolverem casos difíceis. Para um mundo melhor.
E há alguém melhor para isso que Cal Lightman (Tim Roth)? A resposta é um sólido não. Ele é um génio, líder dum grupo especializado em ler pessoas, mais concretamente, em descortinar através das suas micro expressões se elas dizem ou não a verdade. Serve como primeiro ou último recurso das investigações, funcionando sempre como a chave salvadora do problema.
Apesar de se enquadrar na velha moldura dos procedurals e do “caso da semana”, a série propunha-nos uma lógica interessante de acção, balançando o policial e o didáctico. O elenco, composto por veteranos e novatos, dava a solidez e frescura que estes modelos precisam. As expectativas eram boas e agora que a primeira temporada chegou ao fim podemos dizer com toda a certeza que “Lie to Me” é uma vitória.
Arrancou tímida e demasiado explicativa. Perdiam muito tempo a ilustrar os mecanismos e deixavam pouco espaço para o espectador fazer as suas próprias descobertas. As personagens também arrancaram ocas, com pouco background e profundidade. Mas era o início e nos inícios temos sempre desculpa. Com o tempo estas falhas foram sendo corrigidas: a série foi ganhando corpo e consistência, deixou as ilustrações e começou a deixar subentendidas as acções base das investigações; os actores, esses, começaram a ter os seus minutos, foram sendo aprofundados nos seus dramas e angústias – especialmente a relação vida profissional/vida pessoal.
E são as interpretações um dos pontos mais fortes deste produto. Tim Roth é um senhor actor, um mestre nesta difícil arte, e oferece um boneco absolutamente inesquecível. O seu Lightman, de jeito desleixado, olhar desconfiado e com a solução na ponta da língua é um deleite televisivo, uma personagem que não queremos deixar ir e tentamos vê-la sempre mais um pouco. Em todos os episódios, em todos os arranques, é Roth que nos conquista de imediato. A seu lado está uma competente Kelli Williams, uma surpreendente (e surpreendentemente bonita) Monica Raymund e um curioso Brendan Hines.
Outra mais-valia é o variado leque de temas que a série consegue abordar. Não se limita aos homicídios, estende-se sem medo para o território das ameaças terroristas, dos raptos, dos acidentes e por aí fora. Não há a previsibilidade e as limitações que o formato conferia à partida, tentando sempre explorar novas abordagens.
Feitas as contas, e esquecendo um final demasiado morno, esta foi uma excelente temporada. Claro que ainda existem arestas a ser limadas, existe ainda a necessidade de desabrochar e explodir por completo mas para isso existe já uma confirmada temporada número dois.

[poll id="149"]
[poll id="150"]






Blogue Sangue Fresco
Cinema Notebook
Sons of Anarchy Portugal






Eu gostei muito. Adoro todo o sistema das mentiras e acho que foi extremamente bem aplicado. É uma série que, dentro do mesmo molde, tenta variar o mais possível. Depois temos a Ria Torres que eu simplesmente adoro.
Foi uma boa surpresa esta série e é óbvio q é para continuar.
Falta-me apenas o último episódio para finalizar esta 1ª temporada e os elogios não são poucos. Excelente na inovação, nunca caindo no erro (fácil, diga-se) de esgotar a fórmula e ser repetitivo nos episódios.
Deixou água na boca para a 2ª temporada…
Finalmente acabei a primeira temporada para a semana saltar já para a segunda. Foi uma agradável surpresa que manteve a família toda interessada em descobrir mais sobre este grupo e sobre todas as micro expressões que ainda devem ter para nos explicar.