Ser fã de televisão é mais difícil do que ser cinéfilo. E digo isto por toda uma lista de disparidades que se podem enumerar, desde qualitativas, técnicas, económicas, ou outras do género, ou até mesmo em relação à relação (passo o pleonasmo) criada entre nós, público, e estes dois tipos de entretenimento.
Um dos entraves à predisposição para o empenhamento em relação a um produto de televisão é o sermos sucessivamente confrontados com cancelamentos prematuros de séries. Para quê investir horas da nossa vida numa história que acaba por não ter fim? Mas há algo mais frustrante que uma história por acabar? E claro que essa frustração se vai transformando em anticorpo, e, quando nos é apresentado novo produto, pensamos sempre duas vezes se vale a pena investir tempo naquilo ou não, receando que, tal como tantos outros, este terá um desfecho que nunca o chega a ser em termos de história (o produto acaba, mas a história fica em aberto).
Se finais prematuros não bastassem, existe um outro problema na televisão que, ironicamente, está relacionada com a longevidade excessiva de determinado produto. Bem, isto nem é sequer ironia. Tem laivos bem vincados de sadismo. Ou acabam prematuramente. Ou acabam tardiamente. Parece ser quase impossível encontrar um meio-termo. Até mesmo em séries que conseguem estabelecer uma data de término, haverá sempre alguém que sinta que a mesma terminou ou cedo de mais ou tarde de mais.
E toda esta lengalenga para quê? Para dizer que é difícil ser tvnéfilo (eu sei que este termo não existe, mas devia existir algo do género, não era?) e para colocar em causa as últimas notícias que dão conta que “Smallville” e “Supernatural” podem continuar por mais sabe-se lá quanto tempo. A primeira não vejo, logo não opinarei sobre o seu possível prolongamento, mas em relação à segunda, acho uma péssima ideia.
Alongar em demasia a storyline anjos/demónios seria um erro. Voltar ao modelo cansativo e aborrecido de “caso da semana” era meio caminho andado para eu desistir da série. E se bem que podem sempre surgir novas e diferentes ideias e formas para onde conduzir a história, corre-se um enorme risco de “arrastamento” que, na maioria das vezes, leva a quebras irreversíveis na qualidade dum produto televisivo. O que não faltam são séries que poderiam ter terminado em alta e a decisão de continuá-las significou uma queda qualitativa, nuns casos mais acentuada que noutros. Exemplos disso, são “Nip/Tuck” ou “Alias”, a primeira então que tão bem tinha terminado com aquele plano final da quarta temporada.
É bastante normal uma série experimentar um acréscimo de desgaste à medida que vai avançando no tempo. Mas forçar este desgaste é algo quase criminoso. É uma pena que o modelo televisivo norte-americano seja tão assente no retorno financeiro. Se fosse mais semelhante ao britânico talvez nós, fãs da televisão norte-americana, não tivéssemos de sofrer tanta desilusão.




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Em que assenta o modelo televisivo britânico?
Eu suponho que ele esteja a falar do conceito de serviço público, que não existe nos EUA. Ou então das temporadas curtas das séries
Poucos episódios. Nas comédias normalmete são 6 e nos Dramas 12/13.
E tal como o norte-americano funciona por temporadas, mas poucos 3 a 4.
A meu ver a primeira temporada de uma serie devia de ter 13 episódios para saber se resultava.
Uma serie não devia de ter mais de 6 temporadas.
E se uma serie fosse cancelada com histórias em aberto deviam de ser produzidos mais 3 a 4 episódios. Este ano vimos como em 10 minutos Pushing Daisies “consegiu dar um final à serie, ou Chuck com um penultimo episódio da 2 temporada que soube quase a Series Finale.
Realmente, há séries que deveriam ter um fim enquanto ainda estão em alta, porque senão o que temos geralmente é um arrastar que acaba por as desvirtuar.
Para além das que mencionaste, também deveriam ter terminado PB como estava planeado – na primeira temporada. Dou-lhes um desconto na 2a, quando exploraram a teoria de conspiração, mas o que se viu depois foi uma treta de tal maneira que nunca mais conseguiram recuperar a fama que tinham.
O modelo inglês – séries, na sua maioria, com temporadas curtas e bem definidas, e com um final delimitado logo à partida – é o mais seguro. Mas já se sabe que entre americanos e ingleses, as coisas são muito diferentes. :s
PB devia ter acabado no maximo numa 3ª temporada..
a 2ª serviu para a teoria da conspiração e se não conseguissem contar tudo, então faziam uma 3ª com 13 episódios..
mas como era uma galinha dos ovos de ouro teve que render ate as pessoas se fartarem e assim a serie acabou no fundo do poço..
é mesmo dificil esta vida de tvnéfilo, ora é uma grande série cancelada, ora é outra que adoramos mas já se arrasta, ora é outra que podia continuar mas acaba com um final +-..
com os americanos é complicado..
dos exemplos mais flagrantes em termos de cancelamento é Firefly, que mesmo com o filme, ficamos com um sabor a pouco, sabemos que a serie podia ter dado ainda mais, tendo ela a qualidade que tinha.
Lost sendo qual seja o final é para mim um bom exemplo das coisas bem planeadas, com um final marcado à algum tempo, os argumentistas/ produtores sabem logo quando acaba e assim conseguem extrair o melhor e não estar nem a andar depressa demais nem a encher chouriços, ou assim o espero.
nos canais por cabo é muito melhor, já que tem normalmente 13 episódios, contando assim muito melhor a história, não imagino The Shield nem com mais nem com menos temporadas..
Pelo que eu sei… Supernatural se continuar será com outra storyline, anjos/demónios acaba nesta temporada.