[SPOILERS] Ora, ora, quem está de volta. Rick Castle (Nathan Fillion), o prolífico escritor, misto de playboy inveterado, destruidor de corações, e samaritano sempre pronto a ajudar o próximo. E se, por próximo, se entender um cadáver e um mistério condizente, eis a equação perfeita para despertar a curiosidade insaciável do candidato a detective.
Debaixo da camada estudada de frivolidade, existe um pai extremoso, vivendo num sadio ambiente familiar, de que faz parte igualmente a mãe, uma actriz que já conheceu melhores dias. O sorriso bonacheirão e o olhar com a pitada certa de cinismo não escondem a atracção sentida por aquela que, durante a primeira temporada, se tornou a sua parceira no combate ao crime. E musa inspiradora, na nobre arte da escrita. A bela e profissional detective Kate Beckett (Stana Katic).
Desenganem-se aqueles que pensam encontrar aqui, nesta série, um mundo de inovações. Não existe um suspense exagerado. Ou a resolução de enigmas aparentemente insolúveis. Nem, tão pouco, a abordagem de matérias mais complexas. Castle segue a lógica de um procedural. Sem qualquer tipo de maquilhagem. Nem vergonha, pelo facto de ser mais um, entre tantos…
A segunda época coloca-nos praticamente na mesma altura temporal em que terminou a primeira. Rick desdobra-se em acções promocionais para o lançamento do seu novo livro, com a heroína do thriller a encontrar múltiplos pontos comuns com Kate, enquanto a NYPD agradece a publicidade gratuita e favorável. Nem que para isso torne a investigação de um assassinato numa espécie de circo mediático, com o acompanhamento por parte da imprensa a colidir com o verdadeiro trabalho policial. As picardias, imagem de marca da série, entre o duo de protagonistas, acentuaram-se neste episódio de regresso, motivadas ainda pela invasão de Castle num território inexplorado: a devassa da intimidade de Kate, ao imiscuir-se no caso do assassinato da mãe desta. E o que é que Castle descobriu?
Que, tal como essa referida morte, existiram mais três, na altura, todas interligadas, conexão que passou aparentemente despercebida na altura da investigação. Parece ser notório que a série incidirá mais sobre os personagens, conferindo-lhes dimensão, do que sobre os casos, sendo estes meros acessórios para testar as relações entre as diferentes personalidades. Por falar em casos, o desta semana pisca o olho aos danos colaterais provocados pela gigantesca crise financeira, que assolou o mundo inteiro. Um profissional dos seguros, de classe média, estabilizado na sua vida rotineira, aparece pendurado no topo de uma árvore, com claros indícios de estrangulamento. John Allen – assim se chama a vítima – tem um percurso atribulado, mesmo depois de morto. O cadáver é roubado, do carro do médico legista, adensando o mistério acerca da sua morte, que envolve obscuros negócios de droga e a máfia russa. O desenlace, como sempre, é favorável aos combatentes do crime, situação resolvida numa partida de poker, no submundo nova-iorquino, com Kate a inovar num sotaque… moscovita.
Ah, e os diálogos acerados, repletos de ironia e segundas intenções, continuam a povoar a série. Como este, depois do acidente de carro, quando Castle é analisado pela médica:
- “Ele irá viver.”
- “Sem danos cerebrais?”, pergunta um dos detectives.
- “Ele tem alguns, mas aconteceu antes de hoje e devem ter sido auto-infligidos”.
“Castle” continua a fazer o seu papel. Bem. Rumo definido, entretenimento honesto e despretensioso, para 40 minutos inócuos, em frente à TV.





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Quando vi o piloto desta série, pensei para mim ” porra, que mulher mais feia”. Com o passar dos episódios, a mulher cresceu em mim… e hoje é… ui… ui… e o sotaque russo… errmmm ai ai…
Regresso bastante positivo da melhor surpresa do ano passado!
Não sabia que já tinha estreado. Tenho de ver.
Uma bela estreia. É o que eu digo, esta série é diferente das outras… Tem aquele brilho, aquela qualidade, cresce em nós a cada episódio que passa
Arrancou em bom estilo!
Castle para mim é como Bones, vale mesmo a pena pelo duo principal que tem sempre uma boa interacção mas também pelas pequenas piadas que quase passam despercebidas se não temos atenção. Este episódio não foi excepção e sempre apareceu a Laurel Holloman que eu não via há algum tempo.