Firefly (2002 – 2003)

«Senhoras e senhores. A série de hoje envolve naves espaciais.» A sala onde a “frase maldita” é proferida perde metade da sua ocupação inicial. «Também há cowboys, manadas e…» A frase é interrompida pela (quase) debandada geral. Na sala, os poucos presentes preparam-se para a visualização dos 14 episódios da primeira e única temporada de “Firefly“. Eu também lá estou.

Se o que acabei de escrever é ficcional, não deixa de ser verdade que a premissa da série afastou (continuará a afastar?) muita gente dela. Reunir na mesma série dois géneros tão distintos e que se incluem num nicho de mercado (principalmente a parte das naves espaciais), leva a que pelo menos metade da sobrancelha direita de cada um de nós seja franzida. Esqueçamos os preconceitos do espaço, acabemos com o franzimento e atiremo-nos de cabeça (limpa) para o Verse de “Firefly”. Porquê?

As personagens. Na tripulação da Serenity está o primeiro dos trunfos da série. Encabeçada por Mal (Nathan Fillion), seguem-lhe: uma fiel amiga e mulher de armas, Zoe (Gina Torres), uma mecânica apaixonada por máquinas e com um coração a bombear romance, Kaylee (Jewel Staite), um divertido e destemido piloto, Wash (Alan Tudyk), e um ajudante-bandido, Jayne (Adam Baldwin), cujo cérebro, por vezes, padece de algumas paragens.

Os passageiros juntam-se ao anterior quinteto como habitantes daquele excelente espaço comunitário que é a nave Serenity e adicionam mistério, religião, sedução, (ainda mais) acção e (mais) personalidade à narrativa. Das várias interacções entre estes dois grupos irá nascer uma pequena família. São cumplicidades que se constroem, descobertas que se fazem, peripécias que se vivem e refeições (muitas refeições!) que se partilham. Tudo isto numa lentidão segura, cativante e convincente. Quando o meio da temporada chega, as suas histórias são as nossas histórias. Os jogos de sedução de Inara (Morena Baccarin) atingem-nos como flocos de neve soprados pelo vento; a dureza de Zoe é normal e ansiada por nós em cada cena de acção; o sarcasmo e a teimosia de Mal “já faz parte”; a burrice de Jayne é deliciosamente divertida; as tiradas de Wash tornam-se o nosso elixir diário de humor; e o mistério em torno de River (Summer Glau) só nos faz querer avançar na história.

A narrativa. Com um começo normal (diria mesmo a “meio gás”), há já alguns elementos que nos começam a chamar a atenção. Toda aquela mistura dos dois géneros (associada àquelas personagens), faz-nos deixar curiosos e querer ver mais. Sem nos prender totalmente, a série também nunca nos dá motivos para a abandonar. Deixamo-nos levar pela história, pelos diálogos e pela excelente caracterização das personagens e uns episódios mais tarde somos arrebatados pela sua força. Daí até ao final da série é um pequeno passo.

Chegados aí, só nos resta ver o filme que tenta dar um final ao cancelamento precoce da série: “Serenity“. Com particular destaque na personagem de River, este fecha algumas histórias mas, acima de tudo, vem provar uma coisa: o fim (da série) chegou antes do tempo.

O resto. O resto é tudo aquilo que não é concretizável em palavras e que só as imagens o podem fazer. Seja isso as cenas de acção, os diálogos inteligentes acompanhados das expressões certeiras das personagens ou o assistir ao processo de crescimento destas. Razões mais do que suficientes (a somar às outras duas) para acompanhar a curta vida desta série. Mas…

Festejemos aquilo que ficou e deixemos as lamúrias do futuro não concretizado para outras alturas. Esta é das tais séries que não engana: a qualidade está lá, não se deixa ultrapassar pelo tempo e proporciona (alegremente!) novas oportunidades para redescobri-la em várias visualizações. Só mesmo quem abandonou a sala é que não o sabe.

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Liebe ist, was sich ergibt, wenn man Sex hat.

23 Respostas para “Firefly (2002 – 2003)” Subscribe

  1. musicslave 12/09/2009 às 14:21 #

    boa critica :cool7:

    referiste tudo o que penso da serie.
    antes de ver tambem fiquei de pé atras devido à mistura de géneros, e quando começei a ver a serie não me agarrou totalmente, mas tambem nunca me deu motivos para desistir, pelo contrario.

    o leque de personagens é dos melhores já vistos em TV e só fiquei com pena de não se ter sabido mais sobre o padre (talvez a BD explique isso)
    a River tambem sobreu um pouco com o cancelamento mas felizmente o filme atenuou um pouco esse problema..
    os diálogos são muito bons com um grande dose de sarcasmo do Mal e as piadas do Wash e a burrice do Jayne e a beleza da Kaylee deixa qualquer um a babar.

    foi uma pena o cancelamento (Fox :machinegun: ) mas pelo menos podemos sempre rever a serie e o filme e admirar o excelente trabalho feito

  2. R.M. 12/09/2009 às 14:31 #

    Ja ando ha uns tempos para comprar esta série, mas passa sempre lol

    • Ricardo 12/09/2009 às 14:33 #

      De que estás à espera? É uma das melhores séries de sempre! Vai ver já!

      • R.M. 12/09/2009 às 17:25 #

        Eu já vi e adorei…falta-me é o DVD LOLLLL

  3. Ricardo 12/09/2009 às 14:32 #

    Ainda me lembro da primeira vez que vi Our Mrs. Reynolds. Acho que chorei a rir…

    • Maciel 12/09/2009 às 16:03 #

      Esse episódio é muito fixe. E a Christina Hendricks tem uma presença imponente no ecrã :)

      • syrin 12/09/2009 às 16:08 #

        Christina Hendricks? A Mrs. reynolds é a Joan de Mad Men? Ah… finalmente. Bem me parecia que a conhecia de algum lado. :D

        Já revi esta série 2 vezes e continua sempre tão divertida como de início. As piadas nunca cansam. :D

        • Maciel 12/09/2009 às 16:13 #

          Exacto minha cara. Exacto!! Há ali quatro pormenores nela que dá logo para associar

        • Ricardo 12/09/2009 às 16:18 #

          Não sabias? É! Ela esteve em Firefly, Life e Mad Men.

      • Ricardo 12/09/2009 às 16:17 #

        É mesmo! Quando o vi pela primeira vez, aquele twist enganou-me tanto… Adorei. E o Trash, também com ela, foi lindo.

  4. syrin 12/09/2009 às 14:39 #

    “I’m a leaf in the wind. Watch me soar”.
    Ainda hoje não perdoo ao Josh por esta cena. :s

    Firefly é Firefly. Não há mais nada a dizer.

    • Maciel 12/09/2009 às 16:01 #

      Uii. Essa também me deixou “chateado”.

    • Ricardo 12/09/2009 às 16:20 #

      :verysad:

      E a outra ficou sozinha… Esta é das tais cenas que não têm lógica nenhuma que o Joss faz. Já não chegaram a…

      SPOILER SeleccionarRevelar
      • syrin 12/09/2009 às 16:43 #

        Não viste o comentário áudio do Joss ao Serenity? Aí ele explica porque

        SPOILER SeleccionarRevelar
        • Ricardo 12/09/2009 às 16:54 #
          SPOILER SeleccionarRevelar
          • syrin 12/09/2009 às 17:11 #

            Mas se vires bem..

            SPOILER SeleccionarRevelar
          • Ricardo 12/09/2009 às 17:44 #

            Pois… Tens razão. Mas sabes como é… eu gosto de ter sempre aquela esperança. Quem sabe se Cabin in the Woods for um sucesso…

  5. Luís Fernandes 12/09/2009 às 16:50 #

    Nunca vi. Mas quando tiver mais algum tempo livre e acabar de ver algumas series que estou a ver no nomento, vou sacar para ver se gosto, ja algum tempo que tenho curiosidade de ver esta serie. Num site parecido com este, ela foi considerada pelos usuarios, a melhor serie de apenas uma temporada.

  6. Daniel 12/09/2009 às 19:15 #

    Firefly é uma das minhas séries preferidas, até hoje eu não entendo como é que ela pode ser cancelada, e agora estão querendo reviver a ideia da série criando uma nova série com cawboys e espaçonaves…. Podiam é ter continuado Firefly que era aclamada pela crítica, amada pelos fãs (fiéis) e dava bons índices de audiência (mas não o bastante para uma tv sem tradição em sci-fi?)

  7. cristiano 12/09/2009 às 21:30 #

    Uma série de culto sem dúvida e quem a vir, não se vai arrepender nada mesmo! Até eu, que nunca apreciei ‘cenas no espaço’, dei oportunidade, já tinha ouvido murmurios acerca dela, e lá fui eu. Mudei de opinião rapidamente!

  8. Pedro Rocha 29/11/2009 às 00:10 #

    Obrigado amigos por me alertarem para esta série. Uma das melhores que assisti até o dia de hoje. Olhando agora para trás, ficou muito para contar, aqueles 14 episódios o posterior filme foram insuficientes para contar a história dos tripulantes da Serenity.

  9. Joana 08/05/2011 às 10:19 #

    Uma série sci-fi e western excelente, até para quem não gosta de sci-fis e de westerns. Vejam, não se arrependem. É assim tão boa. Deixa um amargo de boca por ser tão curta. Personagens inesquecíveis. Outra série de culto de Joss Whedon.

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