«Senhoras e senhores. A série de hoje envolve naves espaciais.» A sala onde a “frase maldita” é proferida perde metade da sua ocupação inicial. «Também há cowboys, manadas e…» A frase é interrompida pela (quase) debandada geral. Na sala, os poucos presentes preparam-se para a visualização dos 14 episódios da primeira e única temporada de “Firefly“. Eu também lá estou.
Se o que acabei de escrever é ficcional, não deixa de ser verdade que a premissa da série afastou (continuará a afastar?) muita gente dela. Reunir na mesma série dois géneros tão distintos e que se incluem num nicho de mercado (principalmente a parte das naves espaciais), leva a que pelo menos metade da sobrancelha direita de cada um de nós seja franzida. Esqueçamos os preconceitos do espaço, acabemos com o franzimento e atiremo-nos de cabeça (limpa) para o Verse de “Firefly”. Porquê?
As personagens. Na tripulação da Serenity está o primeiro dos trunfos da série. Encabeçada por Mal (Nathan Fillion), seguem-lhe: uma fiel amiga e mulher de armas, Zoe (Gina Torres), uma mecânica apaixonada por máquinas e com um coração a bombear romance, Kaylee (Jewel Staite), um divertido e destemido piloto, Wash (Alan Tudyk), e um ajudante-bandido, Jayne (Adam Baldwin), cujo cérebro, por vezes, padece de algumas paragens.
Os passageiros juntam-se ao anterior quinteto como habitantes daquele excelente espaço comunitário que é a nave Serenity e adicionam mistério, religião, sedução, (ainda mais) acção e (mais) personalidade à narrativa. Das várias interacções entre estes dois grupos irá nascer uma pequena família. São cumplicidades que se constroem, descobertas que se fazem, peripécias que se vivem e refeições (muitas refeições!) que se partilham. Tudo isto numa lentidão segura, cativante e convincente. Quando o meio da temporada chega, as suas histórias são as nossas histórias. Os jogos de sedução de Inara (Morena Baccarin) atingem-nos como flocos de neve soprados pelo vento; a dureza de Zoe é normal e ansiada por nós em cada cena de acção; o sarcasmo e a teimosia de Mal “já faz parte”; a burrice de Jayne é deliciosamente divertida; as tiradas de Wash tornam-se o nosso elixir diário de humor; e o mistério em torno de River (Summer Glau) só nos faz querer avançar na história.
A narrativa. Com um começo normal (diria mesmo a “meio gás”), há já alguns elementos que nos começam a chamar a atenção. Toda aquela mistura dos dois géneros (associada àquelas personagens), faz-nos deixar curiosos e querer ver mais. Sem nos prender totalmente, a série também nunca nos dá motivos para a abandonar. Deixamo-nos levar pela história, pelos diálogos e pela excelente caracterização das personagens e uns episódios mais tarde somos arrebatados pela sua força. Daí até ao final da série é um pequeno passo.
Chegados aí, só nos resta ver o filme que tenta dar um final ao cancelamento precoce da série: “Serenity“. Com particular destaque na personagem de River, este fecha algumas histórias mas, acima de tudo, vem provar uma coisa: o fim (da série) chegou antes do tempo.
O resto. O resto é tudo aquilo que não é concretizável em palavras e que só as imagens o podem fazer. Seja isso as cenas de acção, os diálogos inteligentes acompanhados das expressões certeiras das personagens ou o assistir ao processo de crescimento destas. Razões mais do que suficientes (a somar às outras duas) para acompanhar a curta vida desta série. Mas…
Festejemos aquilo que ficou e deixemos as lamúrias do futuro não concretizado para outras alturas. Esta é das tais séries que não engana: a qualidade está lá, não se deixa ultrapassar pelo tempo e proporciona (alegremente!) novas oportunidades para redescobri-la em várias visualizações. Só mesmo quem abandonou a sala é que não o sabe.






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boa critica :cool7:
referiste tudo o que penso da serie.
antes de ver tambem fiquei de pé atras devido à mistura de géneros, e quando começei a ver a serie não me agarrou totalmente, mas tambem nunca me deu motivos para desistir, pelo contrario.
o leque de personagens é dos melhores já vistos em TV e só fiquei com pena de não se ter sabido mais sobre o padre (talvez a BD explique isso)
a River tambem sobreu um pouco com o cancelamento mas felizmente o filme atenuou um pouco esse problema..
os diálogos são muito bons com um grande dose de sarcasmo do Mal e as piadas do Wash e a burrice do Jayne e a beleza da Kaylee deixa qualquer um a babar.
foi uma pena o cancelamento (Fox :machinegun: ) mas pelo menos podemos sempre rever a serie e o filme e admirar o excelente trabalho feito
Ja ando ha uns tempos para comprar esta série, mas passa sempre lol
De que estás à espera? É uma das melhores séries de sempre! Vai ver já!
Eu já vi e adorei…falta-me é o DVD LOLLLL
Ainda me lembro da primeira vez que vi Our Mrs. Reynolds. Acho que chorei a rir…
Esse episódio é muito fixe. E a Christina Hendricks tem uma presença imponente no ecrã
Christina Hendricks? A Mrs. reynolds é a Joan de Mad Men? Ah… finalmente. Bem me parecia que a conhecia de algum lado.
Já revi esta série 2 vezes e continua sempre tão divertida como de início. As piadas nunca cansam.
Exacto minha cara. Exacto!! Há ali quatro pormenores nela que dá logo para associar
Não sabias? É! Ela esteve em Firefly, Life e Mad Men.
É mesmo! Quando o vi pela primeira vez, aquele twist enganou-me tanto… Adorei. E o Trash, também com ela, foi lindo.
“I’m a leaf in the wind. Watch me soar”.
Ainda hoje não perdoo ao Josh por esta cena. :s
Firefly é Firefly. Não há mais nada a dizer.
Uii. Essa também me deixou “chateado”.
:verysad:
E a outra ficou sozinha… Esta é das tais cenas que não têm lógica nenhuma que o Joss faz. Já não chegaram a…
Não viste o comentário áudio do Joss ao Serenity? Aí ele explica porque
Mas se vires bem..
Pois… Tens razão. Mas sabes como é… eu gosto de ter sempre aquela esperança. Quem sabe se Cabin in the Woods for um sucesso…
Nunca vi. Mas quando tiver mais algum tempo livre e acabar de ver algumas series que estou a ver no nomento, vou sacar para ver se gosto, ja algum tempo que tenho curiosidade de ver esta serie. Num site parecido com este, ela foi considerada pelos usuarios, a melhor serie de apenas uma temporada.
Vê que não te arrependes.
Firefly é uma das minhas séries preferidas, até hoje eu não entendo como é que ela pode ser cancelada, e agora estão querendo reviver a ideia da série criando uma nova série com cawboys e espaçonaves…. Podiam é ter continuado Firefly que era aclamada pela crítica, amada pelos fãs (fiéis) e dava bons índices de audiência (mas não o bastante para uma tv sem tradição em sci-fi?)
Uma série de culto sem dúvida e quem a vir, não se vai arrepender nada mesmo! Até eu, que nunca apreciei ‘cenas no espaço’, dei oportunidade, já tinha ouvido murmurios acerca dela, e lá fui eu. Mudei de opinião rapidamente!
Obrigado amigos por me alertarem para esta série. Uma das melhores que assisti até o dia de hoje. Olhando agora para trás, ficou muito para contar, aqueles 14 episódios o posterior filme foram insuficientes para contar a história dos tripulantes da Serenity.
Uma série sci-fi e western excelente, até para quem não gosta de sci-fis e de westerns. Vejam, não se arrependem. É assim tão boa. Deixa um amargo de boca por ser tão curta. Personagens inesquecíveis. Outra série de culto de Joss Whedon.