[SPOILERS] É um sapo difícil de engolir aquele criado por “House”: saber que a série sabe ser brilhante e que apenas o é quando quer. Sim, a aposta na fórmula é uma aposta de sucesso junto das massas ou não registariam tão altas audiências. E sim, terá, eventualmente, os seus méritos (a maior facilidade de fidelização de um público será um deles). Mas não, eu não sou fã da fórmula e ao longo duma temporada de vinte e tantos episódios vou-me distanciando progressivamente da série. O problema é quando a mesma se apresenta como neste “Broken” e consegue puxar-me de volta para a sua teia. Outra vez. É difícil abandonar “House” por isto mesmo: porque sei que, mais dia, menos dia, mais semana, menos semana, um episódio irá deixar-me rendido e completamente deslumbrado enquanto olho para a TV. Foi assim com o “Three Stories”. Foi assim com o “House’s Head/Wilson’s Heart”. Foi assim com o “Broken”.
«A heart that’s full up like a landfill, a job that slowly kills you, bruises that won’t heal».
“No Surprises” (Radiohead)
Demarcando-se completamente da fórmula, ao contrário de todos os outros episódios feitos da série até hoje, este “Broken” é um one-man show de Hugh Laurie. Os restantes personagens a que nos habituámos a ver não aparecem sequer, excepção feita ao Wilson (Robert Sean Leonard) que tem quase como que um cameo, e, por uma hora e meia, temos a oportunidade de ver Laurie espalhar toda a sua arte pelo pequeno ecrã, sempre muito bem secundado pelos actores convidados para o episódio, Andre Braugher e Franka Potente, bem como mais cerca de uma dezena de outros menos conhecidos mas não menos importantes para a dinâmica da história.
Tal como toda a gente certamente esperaria, House não tem intenções de ficar internado por muito tempo, mas quando menos espera, encontra no Dr. Darryl Nolan (Andre Braugher) o último obstáculo a contornar e também aquele que se mostra quase incontornável, o antagonista desta história, a quem o protagonista promete fazer a vida negra. E faz. Constantemente. Mas também ineficazmente. À medida que vai esbarrando na intransigência do médico em deixá-lo partir, com os seus sucessivos planos a caírem por terra, House vai-se envolvendo mais e mais no dia-a-dia do asilo e na vida dos seus companheiros de clausura, acabando por conhecer Lydia (Franka Potente), a cunhada de uma das pacientes, com quem estabelece uma relação como nunca antes tínhamos presenciado o personagem a ter.
Menos científico, menos inteligente que o costume, mas com maior coração do que a maioria das vezes, o episódio propõem-se a levar-nos numa viagem emocional entre o ponto de ruptura, tanto psicológico como físico, em que House se encontrava no final da temporada passada até ao momento da redenção, da aceitação, e do início de uma nova fase na sua vida, livre de drogas e livre de “demónios” que o previnem de confiar nos outros.
A viagem deste homem à procura de redenção, atribulada desde início, consegue compor uma bela partitura alinhando com sucesso todas as notas a que se dispõe tocar, desde os momentos de comédia típicos da série, onde o sarcasmo e a ironia mantêm forte presença, à cumplicidade de dois estranhos que se aprendem a amar, passando pelo choque de realidades entre a de um House que não se importa com nada na vida com a de um House que quer ser mais do que uma vítima do destino.
O episódio não é perfeito. O final peca pela sua previsibilidade e pela forma simplista como resolve o caso da mulher que não falava há mais de uma década, mas deixa a esperança de que este House se afirme no que se segue da série, onde sem perder a sua visão sarcástica da vida e do mundo que o rodeia, características que deram à personagem a notoriedade que ela hoje tem, consiga tornar-se algo mais tolerável do que o ignóbil que se vinha a transformar durante a última temporada.





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Grande episódio, sem dúvida. E só vem confirmar aquilo que já sabemos: que esta série é o que é graças ao Hugh Laurie. Ele faz a série, e se lhe derem liberdade, consegue mostrar porque ainda vale a pena continuar a ver.
Se juntarmos a isso um velho favorito – Andre Braugher, não há nada que enganar.
Apenas tenho receio de que tudo volte, inevitavelmente, a ser o mesmo de sempre. As críticas ao segundo episódio não foram más, mas continuam a salientar a seca que é ter de aturar o Foreman, a Thirteen e os restantes. :s
A ver vamos!
PS – E com Radiohead, qualquer episódio fica melhor!
tiveram musicas deles?
é que tenho um amigo viciado em radiohead xD
É esse, obviamente, o meu medo, que a série volte a cair no caminho que andava a percorrer na ultima temporada. Mas sabe mesmo bem ver que eles conseguem alcançar um excelente nível quando se esforçam por isso. O Andre Braugher era o Gideon de Gideon’s Crossing, certo? Pareceu-me reconhecer aquela “bata” de algum lado.
É o inesquecível Pembleton do Homicide: Life On The Street
Certo, era o Dr. Ben Gideon.
O que me fascinou neste episódio duplo é seu cariz independente. Podemos deslocá-lo de tudo o resto, vê-lo como um início ou abraçá-lo como um final. Vou ver o terceiro episódio e se confirmar o que espero – regresso ao marasmo – deixo a série quieta e fico finalizado com este Broken, uma conclusão perfeita duma personagem absolutamente fantástica.
Esqueci-me de referir a excelente música dos The Frames (Seven Day Mile) a fechar com chave de ouro aquele sorriso.
adorei este episódio, sem dúvida um excelente showcase dos talentos do Hugh Laurie, infelizmente já manchado pela borrada que foi o segundo episódio, em que os momentos hilariantes de House e Wilson são o que salva a semana, mas são também ofuscados por doses gigantescas de Foreteen.
Melhor episódio de House de sempre! :yeahhh1:
Adorei o episódio. Dos melhores que House já teve até agora.
Teria sido perfeito sem aquela conversa final com o médico (“Vai. Podes ir embora para o teu hospital tratar dos teus casos. Estás curado”)