[SPOILERS] “The Vampire Diaries” é aquela série que, independentemente do material original ter sido feito antes ou depois, foi feita no intuito de apanhar a onda de sucesso que os vampiros têm tido no mercado ocidental. Começado por “Twilight” (por muito que eu gostasse de dizer que foi a “Buffy”, a verdade é que quando a Caçadora andava por aí, os vampiros era um tema muito underground e marginalizado; até estou a imaginar daqui a 5 anos, as casas de bonecas vão estar na moda), pobre “Moonlight” que não chegou a tempo, continuado por “True Blood”, este “The Vampire Diaries” tem que arranjar maneiras de se destacar e, neste episódio, foi pelo bom caminho.
Outro género que “The Vampire Diaries” é facilmente associado é o teen drama, principalmente vindo do canal que vem. Assim, é com prazer que digo que este episódio dá um salto qualitativo satisfatório. Quer dizer, escuso de repetir o que disse na semana passada, a série continua a ter os clichés habituais e ainda vai demorar a conseguir ter um pouco mais de substância. Essas coisas não acontecem de um dia para o outro. No entanto, foram tomados dois passos importantes. Primeiro, afastaram-se da escola e focaram-se mais na comunidade. Embora passem algum tempo na escola, os enredos são mais relacionados com Mystic Falls e não há aquelas estorinhas habituais dos teen dramas. Optaram pelo suspense e foi uma boa decisão. Depois, afastaram-se também do hiper-romantismo twilightiano. Tudo bem, Elena (Nina Dobrev) e Stefan (Paul Wesley) gostam um do outro, mas não é aquele amor estúpido e irreal. É uma atracção que, à medida que se conhecem, vai crescendo. Afinal, ele é o rapaz novo na cidade e ela é boa como tudo. Porque não?
“Night of the Comet” tem uma coisa que o piloto não tinha: tensão. À medida que os irmãos vão interagindo, surgem conflitos e houve excelentes cenas resultantes daí. O início do episódio é o rescaldo do ataque que vimos no episódio anterior. Temos também os conflitos dos irmãos e a evolução da relação entre Elena e Stefan.
Os Irmãos Salvatore. Damon (Ian Somerhalder) é a personagem mais enigmática da série. Continuo a não gostar do personagem, mas passou de irritante a suportável. Quando estava a pesquisar para esta review, passei por um fórum que perguntava qual é o irmão preferido e Damon ganhava por uma margem enorme. Para além disso, alguém disse “His dialogues are no more less than perfect”. Wtf? Todo o personagem é irritante e exagerado. E não ajuda nada que actor diga todas as falas como se fossem one-liners!
Deixando de parte a irritabilidade do personagem, pergunto-me qual é o objectivo dele. Supomos que ele voltou a Mystic Falls por causa do irmão. Stefan acredita que foi para lhe fazer a vida negra. Não me parece, ou então não teria anulado o feitiço à Vicki (Kayla Ewell). Claro que podia simplesmente querer prolongar a diversão, mas parece-me que o que ele quer é converter o irmão para se tornar um vampiro a sério. Pergunto-me também, se não o conseguir, o que fará depois.
Stefan também não está numa posição nada agradável. Damon ataca imensas pessoas e, como está agora, Stefan é incapaz de proteger quem quer que seja. No entanto, também não me parece correcto que ande a limpar o trabalho sujo do irmão. Vai deixá-lo matar para sempre? Vai alimentar-se de sangue humano para o matar? E mesmo assim, será que consegue? Deixar Mystic Falls é uma hipótese, mas aí Damon irá muito provavelmente atrás da Elena. E há ainda todo o mistério à volta de Katherine. A cena do telhado com Vickie foi óptima. Cheia de tensão, fiquei preso ao monitor para saber qual dos irmãos é que iria longe demais.
Todas estas perguntas tornam a série mais interessante e é divertido especular. Façam-no à vontade nos comentários. As perguntas não são apenas retóricas.
Uma coisa que gostei muito na série é que, em vez de dizer à audiência quais são os poderes dos vampiros como as outras séries e filmes do género, vai mostrando lentamente.
Enumeremo-los:
- Não podem entrar em casas sem convite;
- Audição apurada;
- Super força, rapidez e resistência;
- Não podem andar ao sol sem o anel;
- Têm poderes de controlo da mente;
- Conseguem entrar nos sonhos das pessoas.
Este último veio acompanhado de uma cena espectacular no quatro de hospital da Vicki. Por falar em Vicki…
Jeremy & Vicki. Jeremy (Steven R. McQueen), que é um drogado muito querido, passa a vida a pensar na Vicki. A Vickie, que é uma drogada muito rodada, passa a vida a pensar no Troy ou qualquer que seja o nome dele (Michael Trevino). Por momentos, até pareceu que a menina ganhou juízo e escolheu o rapaz, mas no fim do episódio voltou ao grandalhão. Gostei desta historinha. Foi um bocado para encher o ecrã, mas enquadrou-se bem com a hospitalização da moça e, como o Damon, sou um fatalista, logo, gosto quando as coisas se tornam difíceis.
Elena & Stefan. A relação entre o par principal é dos principais atractivos da série (e para muitos o principal). Gostei muito do caminho que eles seguiram neste enredo. Não foi muito melodramático, mas fez sentido. Gostam um do outro, mas ambos têm receio. No final, o amor prevalece numa cena quase perfeita (sim, se não fosse a cena do diário era mesmo perfeita). Já vou falar nas questões técnicas, mas nesta última cena escolheram muito bem a música e aumentaram o volume mesmo no momento exacto. Foi muito bem feito. Outra cena que foi simplesmente deliciosa foi aquela em que a Elena conhece Damon. A rapariga deve ter ficado mais confusa do que sei lá quê, mas o confronto entre os irmãos mesmo à beira dela parece ser um prenúncio de coisas maiores.
A realização continua cinco estrelas. As cenas são muito bem filmadas e há muito movimento no ecrã. O diálogo foi afinado. Já não tenta ter piada em muitas das falas (excepto as do Damon, mas, como já disse, parte da culpa é do actor) o que resulta num episódio com menos comic relief, mas é bom porque o diálogo foi usado principalmente para desenvolver os enredos. O facto da narração do diário ter sido minimizada ao início do episódio foi uma melhoria enorme, tanto no ritmo, como no termómetro de irritação que a série me provoca.
A música continua a ser um ponto alto. O volume continua demasiado alto e às vezes até nem consigo ouvir as falas, mas a banda sonora é boa. Para além disso, a banda sonora original, que está a cargo do compositor Michael Suby assinala a sua presença. Enriquece o ambiente da série e fez-se notar principalmente quando Matt (Zach Roerig) segue Stefan no hospital, dando outro nível à cena. E para quem disse nos comentários da última análise (eu leio tudo!) que a banda sonora não é nada de especial: Mat Kearney, The Raconteurs, One Republic, MGMT, Placebo, White Lies, The All-American Rejects, The Fray, The Gossip, Peaches, Sara Bareilles. Não vai tudo directamente para o meu mp3, mas caramba, para uma série de televisão não está mesmo nada mal.
O episódio acabou com uma tentativa de cliffhanger com Damon a morder aquela loira que parece não ter nome, ah, Caroline (Candice Accola).”True Blood” a mais? Sim. Teria sido melhor se tivesse acabado na cena entre Elena e Stefan e a da mordidela seguida da cena em que Damon aparece, quem diria, do nada no parque de estacionamento. E quando eu não sei os nomes dos personagens de cor significa que a série precisa seriamente de desenvolver os seus personagens secundários.
Vamos a uma parte nova de review. Se começo a dizer muito bem de uma série de vampiros com adolescentes da CW, o ZB ainda me despede.
Como já devem ter reparado, esta análise dá primazia à substância e perde um pouco o tom de gozo que caracterizava a do primeiro episódio. Isto porque há mais a dizer e nem tudo convém ser dito ironicamente. A pensar nisso, temos…
Momentos WTF!
- Matt a fazer olhos de carneirinho à Elena. WTF? Ela acabou com ele e passa a vida a olhar para o outro, já para não falar de ser a única com quem ele fala e aparecer em sítios públicos com ele. Denial much? Por favor. A rapariga até se sentiu mal naquela cena das velas em que teve de se afastar para falar com Stefan. Eu até compreendo o rapaz. Se uma rapariga como a Elena acabasse comigo também ficava bastante chateado. Mesmo assim: queres chorar? Vai para casa!
- Vicki aos gritos no hospital. O Matt foi chamar alguém. Até aqui tudo bem. No entanto, quando a enfermeira chegou, disse que parecia estar tudo bem. O quê?!? Ninguém ouviu aquela gritaria toda?
- Matt viu Stefan no hospital. Ok, e depois? A irmã estava a gritar e depois ficou calma. O que é que o Stefan tem a ver com isso? Tudo bem, ele foi à procura dele. É razoável. Mas porque é que lhe fez um questionário quando o viu? Não é como se o Stefan lhe tenha de dar satisfações. Afinal, o hospital é um sítio público.
- Caroline hoje deu toda a razão ao estereótipo da loira burra. Um tipo que ela não conhece fez-lhe olhinhos no bar. Tudo bem. Esse mesmo tipo, que parece ter vinte e muitos ou trinta e tal anos, aparece na escola dela com um olhar arrepiante e, de repente, desaparece no ar. Hum? É absolutamente normal. Provavelmente está doente ou assim. Depois, está a caminho do carro e ouve barulhos. Fica assustada. Vai ao carro. Olha para trás e pensa: Hum. Não está ninguém. Vira-se e… Ai que susto! Apareceste do nada, em frente à porta do meu carro, mesmo quando eu me viro. O quê? Eu? Desculpa. Não te queria assustar. Ah! Não faz mal. Eu estava mesmo mortinha por te ver outra vez. Eu sei. És mesmo convencido. Agora podes levar-me para a tua casa, violar-me, fazer-me coisas esquisitas e, quando acabares, assassinar-me.
- Elena, na cena final, que eu disse ser “quase perfeita”, a meio de um diálogo começa a falar como se tivesse a escrever no diário. Se fosse como narração, tudo bem. Assim, eu pergunto-me: Querida Elena, quantas horas tiveste que praticar esse discurso ao espelho?
Em suma, “Night of the Comet” é um passo em frente em relação ao piloto e, por isso, leva uma nota melhor. Se a série continuar assim, se for por este caminho e limar algumas arestas, pode chegar ao “Muito Bom” mais depressa do que eu estava à espera, mas não vamos agoirar. E vocês, concordam com a nota?

No próximo episódio:
Friday Night Bites
Eu não ponho aqui o trailer apenas como serviço público. Uma das coisas mais fixes de ver séries semanalmente (para além de ler as críticas do pessoal aqui do TV Dependente: cocky much?) é a antecipação. O hype! Agora vejam o trailer e digam da vossa justiça nos comentários.
A minha opinião: Eu gosto de teen dramas. A sério que sim! Adoro “Friday Night Lights” (já agora, viram o título?), adoro “Skins”, adoro “Greek” e gosto de “Gossip Girl”, mas… queria uma coisa diferente desta série. Por outro lado: OMFG VIRAM A ELENA?!?




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Ainda não me convenceu mas talvez esteja pelo bom caminho : a química entre o stefan e a elena está em crescente ( às vezes parecem um pouco ensonsos ainda) e o jeremy e a vicky formam um casal( mais ou menos um triangulo com o troglodita do namorado Matt) completamente original( não sei se apareciam no livro assim –> ainda não o li).
Mas a banda sonora (apesar de boas músicas) tenho sempre a sensaçãao: o que estão demasiado altas, ou dessincronizadas, ou demasiado baixas…Há espera do próximo!
P.S. Também gosto do personagem do Damon
Um comentário! :yuuupiii:
A review do próximo está para breve.
Concordo plenamente com a tua crítica. A cena do telhado foi espectacular mas a série tem mesmo de se livrar de alguns clichés. Mas fora isso, acho que a série já me enfeitiçou.
Então prepara-te porque o melhor ainda está para vir!