Castle: 2×04 – Fool Me Once (ABC)

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[SPOILERS] Rick Castle (Nathan Fillion) não é uma personagem uni-dimensional. Não vive apenas para a escrita. Não se dedica só a investigações policiais. Não enverga a capa, feita à medida, de playboy inveterado. É também um homem de família. E um pai extremoso. Sobretudo, quando o novo professor de violino da filha parece saído das páginas de uma Cosmopolitan ou revista similar. Bonito, de sorriso perfeito, corpo esculpido. Naquele momento, em que Castle avalia com um olhar o potencial predador que pode estar escondido na aparência insossa de um professor de música, consigo sentir empatia com o personagem. Sim, eu também sou pai. E sim, também eu carrego o fardo de ter uma filha que será, no futuro, uma mais que provável destruidora de corações masculinos.

Mas, como referi, Castle tem outras obrigações, para além das habituais num progenitor. Resolve crimes, em parceria com o departamento de homicídios de Nova Iorque. Mesmo quando estes são cometidos num lugar longínquo. O caso desta semana é inovador, na abordagem. Um assassinato com plateia infantil.

Tudo se resume a um revolucionário projecto de estudo, vivido on-line com uma escola, que tem assim a possibilidade de transmitir aos alunos importantes e didácticas lições sobre a vida animal. Steven Fletcher (Will Beinbrink) é um explorador polar, desbravando novos horizontes, expondo a natureza aos olhares curiosos dos alunos, numa nova abordagem educacional. Só que, na sua ultima aparição, é assassinado perante a incredulidade e o horror generalizado da turma, impotente para prevenir um crime que ocorre…no Pólo Norte. Pelo menos, até uma análise atenta do vídeo comprovar que tudo [menos o crime] não passava de uma farsa, meticulosamente engendrada para conseguir donativos elevados.

Os vídeos semanais eram fabricados num apartamento tipicamente nova-iorquino., onde era simulado o estilo de vida polar. Uma tenda, neve falsa e a panóplia de objectos que procuravam dar veracidade ao logro. Descoberto o local, feito o estudo psicológico do burlão, os suspeitos começam a ser conhecidos:

1. Mrs Shultz (Stephanie Faracy), vítima de um dos planos de Fletcher, no passado, quando este se passou por um especialista em criogenia. A mulher, num breve interrogatório, é descartada rapidamente como suspeita, dado o seu estado lunático irreversível;

2. Elise Finnigan (Kathleen Rose Perkins), socialite obscenamente rica, dona de uma lista de bens patrimoniais quase infindável, prestes a casar-se com…Fletcher, que prova ser um engenhoso trapaceiro, capaz dos golpes e planos mais audaciosos. Terá sido a noiva despeitada capaz de desferir um tiro na face do amado, crime que segundo os especialistas demonstra uma enorme raiva, por parte do perpetrador?

Quanto mais a equipa de detectives investiga, mais complexa mostra ser a personalidade de Fletcher, fugindo ao estereótipo do golpista, monstro mesquinho e egocêntrico. Este revela uma profunda sensibilidade (capaz de, por exemplo, responder a todas as cartas dos miúdos da escola, ou assinar um acordo pré-nupcial), o que torna mais desconcertante a investigação. Para além do duo de suspeitos acima mencionado, outra dupla foi colocada sobre estreita vigilância:

3. O pai de Elise (Robert Pine), que rapidamente descobriu o logro em que a filha iria cair e que, por extrema coincidência, possui um revólver do mesmo calibre da arma do crime;

4. Jim Wheeler (David Ramsey), professor da escola envolvida do projecto, desmascarado por uma foto comprometedora, que o coloca como cúmplice na vigarice.

Mas, no twist habitual, é a recém-descoberta parceira de Fletcher, Sue (Jennifer Riker), que é a responsável pelo crime. E, numa espécie de justiça criativa, é intrujada num golpe montado pelo diligente Castle.

O melhor: O “encontro” romântico de Beckett (Stana Katic). Uma banheira transbordando de espuma. Um ambiente arrebatador, um copo de vinho e inúmeras velas acesas criando um cenário propício a momentos mais apaixonados. E o “parceiro”: o último livro de Rick Castle, cuja heroína é inspirada em Beckett. Existe lá melhor prova de que o bichinho do amor está lá, pronto a ser acertado pelas setas do Cupido?

Destaque ainda para o jogo do gato e do rato, em torno da leitura do novo romance, com Castle a descobrir a parceira, escondida no WC, folheando avidamente as páginas, à procura da tórrida cena de sexo.

O pior: Eu sei que faz parte da série, a manutenção do duo de protagonistas numa espécie de limbo amoroso, vivendo em permanente mas nunca consumado flirt. Mas hoje, no episódio, sentiu-se já um leve aguilhoar do ciúme, em Castle, ao saber que Beckett teria um encontro romântico com um desconhecido. Pena que a relação entre o escritor e a bela detective não seja mais aprofundada, conferindo outra dimensão à história. Por fim, pese a sensação latente de que o caso da mãe de Beckett poderá aparecer, a qualquer momento, falta algo a esta série. Uma história que não termine ao fim de 40 minutos. Uma investigação mais sombria, que carregue no suspense, em que tenham que lidar com a face mais negra do crime. Enquanto os génios criativos por detrás do argumento não enveredarem por esse trilho, a série não sairá do rótulo que tem estampado: light e despretensiosa.

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Ari Gold, talking with Vinnie Chase: I swear by God you comeback stonger than ever Like Lance Armstrong. Only with two balls.

4 Respostas para “Castle: 2×04 – Fool Me Once (ABC)” Subscribe

  1. Ricardo 19/10/2009 às 21:28 #

    Não achei este episódio pior ou melhor que os outros. São todos muito semelhantes com poucas variações na qualidade. Quanto ao enredo principal, a verdade é que Castle nunca poderá ter um enredo muito negro porque o objectivo da série é mesmo ser light e despretensiosa.

  2. cristiano 19/10/2009 às 22:32 #

    Um caso cheio de reviravoltas, uns bons 40 e tal minutos. Como é habitual.
    A nota podia ter sido um pouco mais generosa, mas entendo o facto de a teres dado e concordo contigo e de facto a série podia ter mais acção, ter momentos mais ‘dark’ nas personagens, e a relação entre o Castle e a ‘Nikki Heat’ está sempre naquela fase de transe, no vai não vai…

    :3meio:

  3. carolinafs 20/10/2009 às 18:40 #

    Por momentos o meu cérebro deu tantas voltas que achei que a noiva é que estaria a dar um grande golpe…

  4. Cláudia 31/01/2010 às 11:16 #

    Gostei bastante, ainda melhor que a semana passada. E o diálogo faz-me rir sempre.

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