[SPOILERS] Podia tentar fazer uma lista dos motivos que impediriam Rick Castle (Nathan Fillion) de atender uma chamada da sua detective predilecta, Beckett (Stana Katic). Conhecendo a personagem, numa relação aprofundada a cada novo episódio, confesso que dificilmente conseguiria enumerar duas ou três. E, mesmo essas, estariam longe de ser escolhas acertadas. Também, quem é que conseguiria acertar no motivo? Ninguém, aposto. Pois bem, não prolongando o mistério, eis a razão que impediu Castle de, sofregamente, atender de imediato mais um chamado para a investigação de um assassinato. A sua agente, Paula (Debi Mazar), aparece com uma revelação bombástica. Um potencial contrato, para 3 novos livros, em que a criatividade do escritor é posta ao serviço de…James Bond. Pois, parece uma boa causa para não atender a referida chamada. Ser o sucessor de Ian Fleming não está ao alcance de todos…
Voltando ao cerne da questão, em cada episódio. De quem é o corpo? Novo problema. Sem identificação, a “Jane Doe” encontrada morta, escondida numa tampa de saneamento, aparenta ser de uma das antigas repúblicas soviéticas. A investigação começa a desenrolar-se baseada apenas…num papel de rebuçado. E a pesquisa leva-os a mergulhar no que, inicialmente, parecia o mundo da emigração ilegal. Contudo, rapidamente verificam que o problema não é tão profundo assim. Tudo se resume a um conceito básico. Família. Aliás, a dois. Família e amor. Eliska, emigrante ilegal, tem o mundo básico virado do avesso. Separada do marido, com o filho morto, encontra num idílico romance o fio que necessita para se manter ligada à vida. Até que descobre que o seu novo amor é casado. Com um filho. Neste ponto, os suspeitos começam a ficar bem definidos:
1. Dr. Talbot (Reed Diamond), a outra face do escaldante romance. Médico renomado, vivendo no meio do luxo, diverte-se durante uns tempos com um caso extraconjugal. Até que a possessiva amante o pressiona, cada vez mais, para fazer parte integral da sua vida. E a manutenção da vida faustosa, ao lado da mulher e do filho, parecem ser um óptimo motivo para um assassinato;
2. O mesmo motivo se pode aplicar a Mrs. Talbot (Elaine Hendrix). A preservação de um estilo de vida, ameaçado por uma emigrante ilegal, bonita até à medula, amante do marido e que dedicava cada vez mais atenção ao filho de ambos;
Até que o desenlace final, novamente, altera as premissas conhecidas. Elisha foi assassinada por ter descoberto a verdade quanto ao seu filho, trocado na maternidade por Talbot, dado que o seu rebento padecia de uma doença rara e mortal. Depois da descoberta e das necessárias explicações, temos a cena final. Haverá quem a ache melodramática, ou demasiado lamechas. Eu, confesso, achei-a de uma arrepiante beleza. O reencontro, três anos depois, de um pai, Teodor Hajek (Ivo Nandi), com o seu filho.
O melhor: A conversa na morgue, com o médico legista, quando este vai lançando provas de que a morta é da Europa Oriental. A resposta de Castle, ao reconhecer o dialecto eslavo, é bem elucidativa da personalidade da personagem. Hilariante, num trocadilho que envolve um “checkmate”.
A festa de lançamento do livro, baseado em Beckett, uma imensa ode de amor de Castle à sua musa. Desde o singelo agradecimento, na capa do livro, até ao desnudar da alma, na conversa mantida com a agente, a centelha da paixão está lá. Cada vez mais visível. E, claro, a personagem de Nikki Heat vence a do fleumático espião britânico, prolongando a relação entre ambos.
O pior: Tirando Castle e Beckett, quase todas as outras personagens, que gravitam na órbita do duo de protagonistas, são meramente caricaturais, sem qualquer profundidade, não merecendo mais do que breves lampejos de mediatismo, rapidamente afastadas para deixarem brilhar a dupla. É pena. E algo incompreensível. Tomemos como exemplo os dois detectives que acompanham, com regularidade, Beckett. Esposito (John Huertas) e Ryan (Seamus Dever) são uma espécie de meros tarefeiros, convivendo com aparente bonomia com a presença de Castle, mesmo que este seja um usurpador das investigações, com maior dose de protagonismo. A situação vivida naquele pequeno grupo de investigação não seria, na vida real, encarada de forma tão leviana. Haveria tensão, inveja, ciúme, toda uma panóplia de sentimentos que afectariam o trabalho. Talvez não fosse má ideia, um pouco à imagem de “Entourage”, nesta última série, incidir os holofotes sobre outros caracteres, criando novas e excitantes linhas narrativas.





Blogue Sangue Fresco
Cinema Notebook
Sons of Anarchy Portugal






Estava-se mesmo a ver que a criança era dela! Foi um bocado óbvio demais =S
:3:
Já começo a ficar um bocado farto desta série. Se não fosse o Nathan, já a tinha deixado. Esperemos que melhore no Halloween ou vai ficar pelo caminho.
Aparece o Captain Tight Pants, logo vai ser um bom episódio quase de certeza.
Verdade! E dizem que vai haver muitas surpresas para os fãs de Buffy e Firefly. Achava também muito engraçado se ele se mascarasse de Caleb.
Isso é um bocado suspeito… eu diria se n fosse a Nikki Heat…
Pois… Eu é que sou um grande fã de Firefly! O Mal é um dos melhores personagens de sempre.
Quanto à Nikki Heat, eu não gosto muito da actriz. Quer dizer, é engraçada e tal, mas podiam ter arranjado bem melhor.
Dentro do normal da série este episódio. Podiam ter explorado melhor a ‘saída’ do Castle por um episódio para ver a diferença …
:3:
Acho que deviam mesmo ter posto o Castle a aceitar o outro contrato do livro para depois criarem histórias à volta das consequências que isso ia trazer para as personagens.
:3:
João,
Pois, era uma variação interessante, mas pelos vistos os argumentistas da série não fogem do rumo traçado.
Castle é uma série que me deixa sempre com um sorriso nos lábios. Mesmo com um episódio mais fraco, satisfaz-me sempre.