Dexter: 4×02 – Remains to Be Seen (Showtime)

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[SPOILERS] Dei-lhe o nome de “a manobra Dexter” e foi por ela que me perdi. De encantos e amores. Existem outros movimentos, toques, gestos, claro, mas é ela que me faz crer, vezes e vezes sem conta, que esta é uma série de outro mundo.

E em que consiste então esta minha perdição? Ora bem, esta manobra é executada naquele momento em que Dexter (Michael C. Hall) está a falar com alguém – realidade, sociedade, aparência – sobre trabalho, sobre família, sobre algo vazio que o faz largar um sorriso automático. No final do diálogo, ele vira costas e entra a câmara lenta. Caminha de frente para nós e podemos finalmente escutá-lo – pensamento, verdade, loucura – vemos Dexter em toda a sua plenitude, como se ele tivesse saído do espelho. Brilha a luz que estava apagada e um rosto salpica-nos de conceitos. Esta simples dualidade enche-me, constante e silenciosamente, as medidas.

Mas viremos as costas e liguemos a voz-off. “Remains to Be Seen” é o segundo capítulo desta quarta temporada e oferece desde já uma certeza: a aposta em duas linhas de homicídios. À imagem da temporada anterior, temos um némesis, Trinity Killer, e um assassino secundário, Vacation Killer. O primeiro existe para confrontar directamente o protagonista e o segundo mata para manter entretida o resto da equipa de investigação. É uma decisão acertada na medida em que, se por um lado, já conhecemos uma cara, por outro, há um mistério ainda completamente fechado, o que pode trazer surpresas e adensar a trama. Por enquanto, o grande serial killer ainda sabe a aperitivo. Ainda passeia com trela enquanto estuda a sua vítima. É cedo, vamos esperar e petiscar, enquanto não chega o prato principal, o garfo e a faca.

De um modo geral, podemos dizer que o episódio foi a busca desesperada de Dexter pelo corpo perdido de Benny (Gino Aquino). Tínhamos deixado o protagonista num brutal acidente de carro, consequência do cansaço, da nova vida que se calhar não casa assim tão bem com a outra. A questão que todos levantámos foi : iria a polícia descobrir, para além de pedaços de vidro, pedaços de carne? E aqui arranca um contra-relógio contra a exaustão e fraca memória. Sentiu-se falta de ritmo em algumas ocasiões, alguma repetição de estratégias e locais, mas ainda assim foi um bom mistério, uma boa lição sempre assombrada pelo fantasma de Harry (James Remar). E esta dupla inicial de episódios quase que se fecha no círculo didáctico, actuando como a prova viva de que Dexter vai ter sérias dificuldades em ser um homem de família e um assassino em série, em simultâneo.

O resto podemos definir como uma história de casais. Batista (David Zayas) e o seu romance secreto com Laguerta (Lauren Vélez). Quinn (Desmond Harrington) e a bonita nova personagem jornalista. E Debra (Jennifer Carpenter) no triângulo Anton (David Ramsey) e Frank Lundy (Keith Carradine). O primeiro caso ainda não me convenceu. Surgiu repentino e ainda não consolidou adeptos, jogando no campo repetitivo do profissional versus amoroso. O segundo também precisa de espaço e demonstrou apenas a veia mulherenga que já conhecíamos deste polícia duvidoso. Por fim, chegamos à irmã do protagonista e aos sentimentos antigos. Lundy voltou e a questão que coloco é: para quê? É verdade que nunca simpatizei com esta personagem, mas sendo objectivo este regresso não tem razão de ser. Está apressado e mal montado. Diz que o Trinity Killer é a sua obsessão mas não parece saber assim tanto dele, não parece estar assim tão preocupado. E o que me parece no fim de contas é que o agente voltou apenas para levar uma valente navalhada. A ver vamos.

O que já vimos é que “Dexter” continua em forma. Apesar de não ter sido daqueles episódios ritmados e infernais, conseguiu cumprir com eficácia o seu objectivo. Não temos cliffhanger mas temos uma vontade incontrolável de ver como as coisas irão aquecer.

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9 Respostas para “Dexter: 4×02 – Remains to Be Seen (Showtime)” Subscribe

  1. syrin 08/10/2009 às 12:06 #

    Adorei o primeiro episódio. Este, embora não tenha chegado ao nível do primeiro, é claramente uma melhoria em relação a uma terceira temporada que desceu bastante de qualidade.

    O John Lithgow continua a impressionar-me. Mesmo sem matar ninguém, as cenas de preparação são de arrepiar.

    Achei a busca do Dexter pelas memórias perdidas e pelo corpo muito bem conseguidas. Não sei é ainda bem o que pensar da LaGuerta e do Batista, e realmente o regresso do Lundy foi um pouco estranho. Mas parece-me que está de regresso para mais do que uma tentativa de criar um triângulo amoroso com a Debra. Afinal, ele próprio já o admitiu.

    :4:

    • Maciel 08/10/2009 às 12:15 #

      Mas parece-me que está de regresso para mais do que uma tentativa de criar um triângulo amoroso com a Debra. Afinal, ele próprio já o admitiu.

      Também acho. Não quero acreditar que o trouxessem só para “amor e uma cabana”. Quer-me parecer que vai haver ali uma espécia de aliança entre ele e Dexter. “Entalar” o Trinitry onde a justiça não o consegue e juntos conseguirem prendê-lo.

      Inferior ao 1.º mas muito bom.

      :4:

    • carolinafs 08/10/2009 às 20:31 #

      Eu estou com uma relação de amor-ódio com o John Lithgow! A personagem está tão bem caracterizadas que é sinistro. Até fui verificar se tinha a porta bem fechada…

  2. ZB 08/10/2009 às 12:18 #

    Eh pá, sinceramente, parecia-me bastante estranho alguém ir à farmácia comprar medicamentos com um corpo cortado aos bocados no porta-bagagens. Ainda para mais, alguém tão meticuloso como o Dexter. Eu sei que referi na crítica ao primeiro episódio que nos “tinham deixado na expectativa” em saber se o corpo estava lá ou não, mas não fazia muito sentido que tivesse e, por isso mesmo, não me surpreendeu a resolução e achei excessivo o tempo dedicado a essa busca.

    Quanto ao resto: pouco John Lithgow e triângulo amoroso em excesso.

    :3:

  3. Hugo Reis 08/10/2009 às 14:32 #

    “E o que me parece no fim de contas é que o agente voltou apenas para levar uma valente navalhada. A ver vamos.”

    Essa foi realmente muito bem observada :hihih:

    Também gostei muito deste episódio, é uma série de grande nível e das poucas ultimamente que dá mesmo gosto de acompanhar .
    :4:

  4. Filipe[Lwy] 08/10/2009 às 17:42 #

    Eu gostei bastante deste episódio, principalmente por causa do John Lithgow. Ele está realmente brilhante com um delicioso e sádico serial killer. :heeyyy: Para mim é um dos melhores vilões dos últimos tempos na tv.
    E a verdade é que ainda não deu para ver muito da personagem, ou mesmo ouvi-la. Como disseste ainda estamos no aperitivo. Falta o prato principal. Mas a verdade é que é um desempenho notável do John, uma presença que não deveria ser esquecida nos próximos Emmy’s. Espero não me estar a antecipar demasiado, mas as suas cenas de preparação e a sua perspectiva da “caçada” à vítima são mesmo de arrepiar.

    Quanto ao caso do Benito, era óbvio que ele tinha escondido o corpo nalgum sítio ou então este tinha sido projectado do carro. Infelizmente, pois gostava de ver as consequências resultantes da descoberta do corpo no carro… Era um bom cliffhanger mas não me deixou grandes dúvidas desde que vi o episódio pre-air em Agosto. Como disse o ZB era um pouco estranho para o Dexter ir à farmácia com o corpo do Benito na mala do carro. :rolleyes2:

    Quanto às storylines secundárias acho que foram decepcionantes… Ainda tive esperança que o Anton não aparecesse neste episódio (não gosto da personagem :furious: ), mas afinal apareceu e a Deb ainda repetiu várias vezes que gosta dele… Espero que apareça rapidamente uma nova personagem.

    Relativamente ao Quinn… É melhor que arranjem melhor material para o Desmond, senão não vejo necessidade de voltar para a 5ª temporada.

    E espero que quando o Lundy regresse para casa (se regressar … :evil: ), e a Deb se aperceba que o Anton não vale nada, não vá a correr para os braços do Quinn… :arghh:

    Última nota para o Masuka e as suas frases lindas. :rotf:

    Excelente review.
    :4:

  5. Ramos 10/10/2009 às 18:48 #

    Eu gostei do episódio apesar de não me ter surpreendido em nada!

    Claro que o Dexter não viajava com o corpo dentro do carro quando se despitou… Claro que ele não ia ser apanhado por causa de um bandido qualquer que pouca relevância tem para a história e que só serviu para o alertar: conciliar duas vidas tão diferentes quanto pai de família e serial killer exige muito esforço e cuidado!

    O episódio valeu realmente a pena pelo novo assassino, que de novo não tem nada! Calmo, frio, calculista… quando o miúdito esbarrou com o gelado contra ele e, mais tarde, quando foi atrás da mulher com a desculpa de passear o cão… bem, CREEPY!

    :3:

  6. Paulo Pereira 31/10/2009 às 14:59 #

    Em primeiro, destaco a belíssima crítica, conseguindo “despir” a personalidade de Dexter, desnudando-a para nós. Excelente trabalho de análise e interpretação, numa série que tem – e muitas vezes isso parece esquecido – um lado negro.

    E é a colisão desse lado negro com a sua vida quotidiana que coloca Dexter à beira de um passo em falso. Excelente a angústia do personagem, na demanda pelo corpo retalhado da sua vítima, mantendo sempre um suspense elevado ao longo do episódio.

    A outra abordagem, que poderá elevar ainda mais a série é sobre o tridente que, forçosamente, se criará. Dexter-Lundy-Trinity. Será intenso, sem dúvida.

  7. Cláudia 23/12/2010 às 10:39 #

    Também gostei bastante deste episódio e devo admitir, o John Lightow arrepia-me!

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