[SPOILERS] Acaba por ser interessante que após a troca de ideias (bastante interessante, por sinal) que a crítica do anterior episódio proporcionou, este episódio tenha trazido aquilo que eu criticava que faltava. E assim, consegue mostrar aquilo que as minhas palavras não conseguiram transmitir.
Os seguintes pontos deveriam estar afixados lá no quadro de cortiça dos argumentistas, antes de começarem a escrever um guião para esta série:
- Echo (Eliza Dushku). Menos é melhor. Quanto menos ela aparecer, quanto menos missões ela tiver, quanto menos casos forem trabalhados para ela… melhor o episódio. Para mim, entre todos os actives, ela é o elo mais fraco. E esta obsessão por ela nunca foi saudável para a série (pequeno aparte: no genérico ela é a única active que aparece e os outros actores só se vêem de relance).
- Caso haja um caso, relacioná-lo com a história da série (verdade de la Palisse, diria eu, mas para aqueles lados parece que ainda não interiorizaram isto). Deixem os traficantes de armas e os reféns para os outros. Concentrem-se no que é vosso.
- Topher (Fran Kranz). Não caracterizá-lo, simplesmente, como o bobo da corte lá do sítio. Profundidade é um termo bem vasto e não serve só para piscinas ou oceanos.
- Ligação com o passado. A primeira temporada não serviu só para decorar algumas estantes (poucas, segundo os números de vendas) pelo mundo. Recorrer a histórias de episódios passados tem todo o sentido numa série como esta. Esquecer o passado é não querer um futuro risonho.
E este episódio, respeitando os anteriores pontos, conseguiu finalmente arrancar a temporada.
Finalmente descobrimos mais sobre Nolan (Vincent Ventresca). Ele que tinha sido confrontado por Sierra (Dichen Lachman) em “Needs” e, logo aí, tinha ficado a sensação que seria uma situação boa para explorar. E foi!
Toda a situação em redor do passado de Sierra é muito bem conseguida. Desde a maneira como tudo começou, passando pela fixação doentia de Nolan por ela e acabando pela entrada de Priya na Dollhouse (para se transformar em Sierra), foi esta a história central do episódio. Depois tivemos as suas ramificações:
- Adelle (Olivia Williams) perante o dilema moral de deixar Sierra ir para a sua última missão de sempre. O confronto dela com o seu finalmente aparecido chefe Matthew (Keith Carradine), deixou-nos a querer saber mais sobre o passado de Ms. DeWitt.
- Victor (Enver Gjokaj), grande Victor. Se em missões já conhecíamos todo o potencial do actor, neste episódio vemo-lo ao seu melhor nível no modo de tabula rasa. A desfazer-se das tintas, sentado à espera de Sierra ou deitado com ela no cubículo, Victor deu-lhe uma lição de amor. A nós deu-nos uma lição de expressividade e empatia estando num estado inexpressivo.
- Topher trouxe Priya para a organização (excelente montagem esta em que se recorda o momento e se combina com o presente), formatou-a à nova realidade e devolveu-lhe a “liberdade”. O momento em que ele a vai buscar para o último tratamento fica na nossa memória. Mas não só. Com Adelle, com Boyd (Harry Lennix), com os seus pensamentos/dilemas e no diálogo final com Sierra, este Topher deu mais que razões para mandarem o outro Topher para o sótão.
O final do episódio vem acrescentar mais um bom momento ao mesmo. Num misto de “Dexter” e “Breaking Bad”, Boyd sabe bem o que fazer (o que me leva a desejar saber mais sobre o passado dele) para remediar o erro feito por Topher.
Outros pequenos pormenores (o livro de Echo, as inscrições no cubículo) cimentam a posição deste episódio bem lá em cima. Trazer mistério quando o episódio é enfadonho é uma coisa. Fazer o mesmo quando o episódio é muito bom, deixa-nos expectantes para mais.







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eu adorei o episódio, já fazia falta à muito tempo.
concordo com todos os teus pontos.
a história da Sierra foi muito boa
dilemas da Adelle e do Topher a cimentar ainda mais moral da Dollhouse.
este Topher já tinha aparecido, mas agora ficou melhor, eles proprios o tinham caracterizado como alguem sem emoções.
o Victor esteve em grande e agora que venha o que falta saber sobre o seu passado.
a cena com o Boyd fez -me lembrar Breaking Bad.
toda a história da Eccho tambem foi bem feita, gostei daquelas palavras no seu “quarto”
um episódio como à muito não se via. Agora que o Joss sabe da sua margem de manobra, pode ser que conte só o arco principal e se deixe de casos
e que venha o episódio duplo, já que tem uma contratação de peso..
Mas que belo episódio – pouca Echo, para não estragar, mais uma bela interpretação do Victor e a Sierra… finalmente a Sierra tem o seu lugar ao sol. Também fiquei muito surpreendida com o Topher, que parece caminhar cada vez mais em direcção do que vimos no Epitaph One.
Tive, mesmo assim, algumas reservas, nomeadamente o “falso moralismo” da Adelle relativamente à Sierra, tendo em conta o que a casa é e o que fazem.
Mas isso não interessa, o que interessa é que tivemos aqui um belo episódio e que merece ser reconhecido com esta nota.
E agora, preparem-se: qual 2012 qual carapuça, o mundo acaba já a seguir… dois episódios seguidos em que eu não digo mal de Dollhouse. :whhhattt:
:4:
o “falso moralismo” da Adelle relativamente à Sierra, tendo em conta o que a casa é e o que fazem.
Sim, essa parte foi assim um pouco esquisita. Daí também aquela boca sobre o Victor, que ela levou do Boss. Mas há mais escondido e isso pode justificar este falso moralismo.
Já que falas nisso por acaso nunca dei muita importância aos créditos iniciais, mas neste episódio, com um inicio focado em Sierra achei mal só se ver imagens de Echo na season 1 para uma “abertura” de um episódio que nem é focado nela.
Quanto a este episódio… notou-se uma grande diferença para os primeiros da temporada, se Dollhouse tivesse sempre episódios assim seria com certeza uma série do melhor.
Menos Echo e menos Ballard (nem apareceu) foi bom, abriu espaço para outras personagens.
Sierra e o seu passado foram excelentemente interpretadas pela actriz, e toda a sua história foi bem escrita. Isto juntamente com Victor que tal como dizes deu-lhe e também nos uma lição sobre amor, todas as cenas que referiste foram boa e profundas – isto se calhar noutro contexto até parecia lamechas, mas acho que saiu muito bem em Dollhouse. Para além disso o simbolismo de alguns elementos foi uma boa adição como por exemplo as fotos que Sierra liquidou no ácido ou pássaro da sua pintura.
Topher que se tornou a minha personagem favorita… não acredito que demorou até à segunda temporada (excluindo o Epitaph One) para se revelar uma personagem tão interessante e bem interpretada. Mas é que foi uma GRANDE evolução e muito bem feita. Ele esteve muito bem no episódio desde que ele está a falar sozinho comparando-se com Aplha (Que ainda não foi esquecido) até ao momento em que ele está bem “dark” com o sangue a dizer “I just wanted to help her” (cena que abriu o episódio)
Este episódio fez me pensar que se calhar se Dollhouse for cancelada podemos estar perder alguma coisa. Com a suspeita de que o melhor será guardado para o fim e depois cancelada, não resisti e fui ler as sinopses dos próximos episódios e fiquei surpreendido com o que virá – (não há mais casos da semana?)
Agora é esperar ansiosamente por Dezembro com entrada de Summer Glau na Dollhouse.
Big comment^
BTW excelente review, tudo muito bem dito!
:4meio:
Já que falas nisso por acaso nunca dei muita importância aos créditos iniciais
Nem eu. Lembrei-me de reparar, por curiosidade, quantos actives apareciam. E fiquei admirado de não aparecer nenhum. E mesmo actores, aparece o Boyd de relance e um pouco do Paul a levar pancada. É muito egocêntrico este genérico.
isto se calhar noutro contexto até parecia lamechas, mas acho que saiu muito bem em Dollhouse.
Sem dúvida. Quando aquilo se começou a desenrolar, eu fiquei de pé atrás. Pensei que “viesse por aí abaixo” uma novela. Mas foi tudo muito bem feito. Adorei mesmo essa parte.
Topher (…) não acredito que demorou até à segunda temporada (excluindo o Epitaph One) para se revelar uma personagem tão interessante e bem interpretada.
Da mesma opinião também. Bem mais interessante e bem interpretado que aquele Topher inicial.
Este episódio fez me pensar que se calhar se Dollhouse for cancelada podemos estar perder alguma coisa.
Pois, mas uma pessoa tem a tendência de usar a memória selectiva. Aparece um episódio bom e já nos esquecemos do restante. Acho que a série terá o destino que quis (em parte fez por isso). Um pouco à semelhança de Terminator.
Aparece um episódio bom e já nos esquecemos do restante.
Não foi exactamente isso que queria dizer. Até porque eu digo que “se Dollhouse tivesse sempre episódios assim seria com certeza uma série do melhor”, infelizmente não tem, logo não o é.
)
Dollhouse na temporada passada teve grandes falhas e a maior falha da série é que continuou com as mesmas falhas que teve na 1ª temporada no inicio da 2ª, enquanto que devia ter feito as coisas de forma a cativar mais expectadores (aproveitar o milagre de ter sido renovada). O conceito é muito bom, mas foi mal aproveitado em grande parte dos episódio (e isso podemos ver quando nos dão episódios como Briar Rose, Epitaph One ou Belonging que acabam por nos surpreender)
Com “podemos estar a perder algumas coisa” quero dizer que ao que parece a série talvez tenha finalmente ganho um rumo, os episódios parece que estão a preparar-nos para alguma coisa (com cenas como a tal dita “storm”) e essa coisa até poderá ser boa (Epitaph One), por isso estar-nos a preparar para uma coisa e depois ser cancelada sem chegarmos lá poderá ser mau e talvez uma pena (excesso de expressões hipotéticas
Então percebi mal. Mas temos a mesma opinião.
Quanto ao rumo que ela teve (e terá até ao fim) a culpa é só deles. No início ainda se podiam queixar do Pilot que foi rejeitado e tal, mas depois começaram a fazer as coisas como queriam. Este rumo que ela parece ganhar (a ver vamos), já poderia ter surgido mais cedo. Mas pronto. Se agora for sempre assim (em termos de história) ainda temos muito para aproveitar.
concordo com os 2.
se mantiverem a qualidade ate ao fim da temporada ainda temos muito para desfrutar, mas sendo cancelada.
mas pela sinopse do próximo episódio a coisa promete
“Profundidade é um termo bem vasto e não serve só para piscinas ou oceanos.” estavas mesmo inspirado hoje, :goodjob:
Outro episódio com menos Echo, outro episódio que gostei bastante! Concordo com tudo o que mencionaste acima e adiciono apenas que a DeWitt devia deixar crescer o cabelo outra vez. Trivialidades…
:4:
estavas mesmo inspirado hoje
Há dias! Quando o episódio ajuda é mais fácil.
adiciono apenas que a DeWitt devia deixar crescer o cabelo outra vez. Trivialidades…
lol. Só tu. Mas sim, agora que falas nisso, acho que ela fica melhor de cabelo mais comprido.
Boa review. Conseguiste falar de tudo o que foi o episódio.
Que venham mais destes
Fantástica interpretação de Fran Kranz.
:4meio:
Aquilo que me ficou na memória foi aquele fabuloso plano da Sierra quando ela se levanta após assassinar o gajo e a sua presença, da qual só reconhecemos a silhueta, em contraste com o quadro (em realce com alguma luminosidade) que está ao fundo. Lindo.
Quanto ao resto: :4meio:
Por acaso foi mesmo um plano bem conseguido! Também me chamou atenção mas depois esqueci-me de mencionar.
Este episódo esteve inspirado nos planos.
Então e ninguém se incomodou que é mais uma vez ela a “violada”… que algures na primeira temporada sofreu abusos de um “handler” e agora, por azar dos diabos, até foi para lá porque foi violada tanto fisicamente como mentalmente?
Quanto ao resto, excelente episódio, mais Topher é sempre um “plus”.
Adorei este episódio. Extremamente emocionante, comovente e simplesmente espectacular. A Sierra é a minha Active favorita e saber mais do passado deu para um episódio espectacular. Dichen Lachman esteve muitíssimo bem e o actor que faz de Topher também esteve espectacular.
Devo admitir também que quando o episódio acabou, senti uma tristeza muito grande pela Sierra.