[SPOILERS] Verdade ou consequências, se traduzirmos. No caso de nos lembrarmos, somos catapultados para a adolescência e para aquele jogo em que ou éramos honestos ou então sofríamos uma partida. Neste caso, se não formos honestos sofremos uma consequência chamada Cal Lightman (Tim Roth).
O arranque de temporada foi frouxo e sem garra. As falhas do início voltaram para assombrar um cozinhado que parecia quase apurado. Porém, assim que meteram a segunda, o veículo ganhou de novo força e lembrou-nos porque é que embarcámos nesta jornada. “Truth or Consequences” é “Lie to Me” no seu melhor.
No primeiro caso temos um estudante universitário acusado de violar uma menor numa daquelas famigeradas festas americanas, da vida académica, do sexo e do álcool. Zoe (Jennifer Beals) é contratada para defender o rapaz e pede ajuda ao ex-marido. Quem mente? Quem diz a verdade? O acusado alega que não sabia a idade da jovem e o pai desta pede a inevitável justiça. O que parecia ser um caso simples e talvez um pouco desajustado para a orgânica da série, acabou por resultar em pleno num crescendo de revelações e reviravoltas. A série é exímia em abordar os mais diversos temas e esta problemática não foi excepção.
Aliando também, com harmonia, a parte pessoal do protagonista: Emily (Hayley McFarland) está directamente envolvida neste caso, não só por pertencer à mesma faixa etária da suposta vítima mas por conhecer pessoalmente as raparigas. Lightman entra assim num delicado equilíbrio entre a sua profissão e o seu amor de pai, originando cenas bem conseguidas, estupendamente bem interpretadas, e, ao contrário do episódio anterior, muito realistas. Porque este é um problema que existe, o querer crescer à pressa, a vontade saltar etapas. O retrato foi bem conseguido e o final mais áspero que o costume. Salvou-se um inocente mas perdeu-se outro. O pai da rapariga, revoltado com todo o sucedido, acaba por matar o advogado. E o sabor doce de uma brincadeira adolescente converte-se no amargo pesar de uma morte.
O segundo caso manteve o nível. Só a premissa em si já suscitava algum interesse: um líder de uma comunidade espiritual vê-se perseguido pelas finanças e cabe então a Foster (Kelli Williams) e Loker (Brendan Hines) averiguarem a situação. A dupla tem de confirmar se todos os discípulos se encontram ali de livre vontade. A resposta é negativa e, à imagem do anterior, o caso passa a ser pessoal. Uma das suas esposas vive em sofrimento na esperança de um dia fugir com os seus filhos para longe. Foster percebe o apelo silencioso e contra tudo e contra todos consegue tirá-los dali. Interpretações imaculadas, com relevo para Williams, num caso invulgarmente interessante.
E ao segundo episódio “Lie to Me” alcança de novo a qualidade que lhe é característica. Sem nunca ascender à irreverência ou ao extraordinário, consegue com um bom par de histórias e boas interpretações agarrar-nos do início ao fim.





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Gostei imenso. Ao contrário de ti, eu gostei do primeiro episódio, mas este foi realmente melhor (não pelo caso, porque o outro também era excelente, mas pela parte pessoal).
:4:
Sim, sem dúvida, bom episódio, no tal equilíbrio referido entre o profissional e o pessoal. Excelentes interpretações, num episódio dinâmico. Pena que nem sempre seja assim. Gostava, por exemplo, de ver o lado pessoal/intímo dos restantes protagonistas a serem mais explorados, evitando que, quase sempre, tudo se resuma a Cal Lightman.
4 estrelas ao episódio.
Preferi o primeiro episódio mas este para mim também não ficou nada atrás. A cena final do pai da rapariga foi muito boa. Não estava à espera. E a interacção entre o Call e a filha é sempre do melhor. Tim Roth enorme como sempre.
:3meio:
Muito bom, gostei imenso. E nem reconhecia o James Masters de tão diferente estava.