[SPOILERS] Vamos comparar “Lie to Me” com “House”. Porquê? Porque me apetece. Mas atenção nem tudo é capricho, há aqui uma base científica que se apoia não só na personalidade dos protagonistas mas também na história deste episódio. Nunca estes dois génios estiveram tão próximos.
Há muito, muito tempo (pronto foi só há um ano) foi transmitido um episódio de “House” de seu nome “Last Resort”, onde um doente desesperado fazia o médico e mais algumas pessoas reféns e só os libertava se fosse descoberta a origem da sua doença. Estou doente, agora curem-me, gritava de pistola em punho. Este “Honey” foi muito idêntico: um homem desesperado, desta feita para provar que não matou a mulher, faz a equipa de Lightman (Tim Roth) refém e obriga-a a descobrir o verdadeiro culpado. Séries irmãs, nos horários e nos temas.
Porém, se a temática foi reciclagem, o produto final foi refrescante. Primeiro, tivemos apenas um caso e todos os protagonistas a trabalhar, a sofrer, a lutar pelo mesmo. Isto acaba por fornecer um maior sentido de coesão ao elenco e dar espaço a personagens usualmente menos utilizadas, como é o caso de Loker (Brendan Hines). Todos estes rostos a assistirem ao confronto entre o sequestrador e o refém, ofereceram-nos momentos fantásticos, tensos e cheios de ritmo. Apesar de sabermos que tudo iria acabar bem, apesar destes maus nunca serem assim tão maus, as interpretações colaram-nos de tal forma à cadeira que só quando o contra-relógio terminou é que soltámos o ar dos pulmões.
E se todo o caso central foi um sucesso o que dizer da cena final. Daquele tocar à porta, daquela troca de olhares, das movimentações, do abraço terno e do amor ali gritado em silêncio. Tim Roth e Kelli Williams elevaram a parada. E é aqui que esta série se destaca e recebe o título de “procedural de luxo”. Há coração e sinceridade. Lightman é um génio com alguns problemas relacionais, mas não é aquela besta pouco credível e exagerada. É sarcástico mas não é maldoso, é muito mais de nós do que algum dia House será. O lado humano está presente não só nos casos mas também no modo como as personagens se conectam entre si e como crescem na teia narrativa. Muito muito bom.
Em quatro episódios passei do oito para o oitenta. O primeiro episódio desta temporada levou-me ao desespero. Este último levou-me ao deslumbre. Tal como na vida, há amores assim.





Blogue Sangue Fresco
Cinema Notebook
Sons of Anarchy Portugal






Para quando Lie to Me num canal aqui por Portugal já merecia.
Sem dúvida, o melhor episódio da temporada. E, começando pelo final, os momentos que fecham o episódio são tremendos: os olhares, as evasivas, substituindo as palavras, mas demonstrando os sentimentos e os afectos que tolhem as duas personagens. Excelente!
Quanto ao episódio, uma variação, sempre bem vinda, dentro da temática habitual, colocando os níveis de suspense bem altos.
Depois do 3º episódio, também bastante bom, com as férias de Lightman em plano de destaque, culminando numa situação de grande tensão, parece que a série entrou no bom caminho, numa 2ª temporada que se prevê pulverize a qualidade da 1ª.
Nossa, penso que Lie to Me é uma série tão clichê e mal interpretada… fora que ver um investigador solucionar crimes por que ele fala “você mentiu” é muito trash… e se eu disser “não menti”, o que ele faz? Bom, gosto é gosto…
:cool2: belíssimo episódio! Momentos de tensão que deram ainda mais impacto à resolução do caso.