[SPOILERS] Numa metrópole onde habitam e trabalham milhões de pessoas, a rapidez de movimento pode constituir a diferença. Circular de bicicleta, em avenidas pejadas de veículos, para entregas urgentes, surge assim como um negócio tremendo, satisfazendo os clientes. E é aqui, sob duas rodas, que se inicia o episódio. Uma bicicleta a toda a velocidade. Um carro emboscado. O choque inevitável. O corpo estatelado do estafeta, pronto a ser analisado, em busca de pistas, pela equipa de Beckett (Stana Katic)…
A investigação subsequente, algo confusa, leva-os a descobrir que o pacote roubado ao estafeta era dirigido a… Roy Montgomery (Ruben Santiago-Hudson), o proeminente chefe de Beckett. Aparentemente, anos atrás, enquanto ainda envergava a imaculada farda das forças policiais, Roy prendeu um meliante, Brady Thompson. Este, por sua vez, entregou o referido pacote à sua tia. E esta, diligentemente, guardou-o durante uma década.
O caso torna-se mais estranho – e suspeito – quando Brady é encontrado morto, na cela da prisão onde cumpria pena, logo após ter pedido à tia que enviasse o pacote. Mera coincidência, ou algo mais?
Com as suspeitas a adensarem o mistério em torno do pacote, é o interrogatório da esposa de Brady que lança alguma luz sobre o caso. Apesar das aparentes provas e da confissão do marido, 10 anos atrás, ele estava inocente, aceitando passar longa parte da sua vida atrás das grades pelo dinheiro que a sua esposa e filho receberiam. Dinheiro que reverteria para o tratamento da doença respiratória rara que o filho padece. O pacote constituía uma espécie de apólice de seguro, provavelmente com provas inequívocas da sua inocência.
A investigação toma então dois rumos distintos, mas que poderão ser compatíveis, no final. À procura de pistas, no presente, junta-se o ressuscitamento de lembranças do homicídio de uma década atrás, que motivou a prisão de Brady. Uma revisitação das lembranças de Montgomery.
Como o verdadeiro assassino pagava uma quantia assinalável, mensal, pelo silêncio de Brady, o milionário Jeff Dilahunt (Ron Melendez) torna-se o principal suspeito, ele que uma década atrás namorava com Olivia, cujo assassínio foi imputado a Brady. Com o forte álibi deste a destroná-lo da possibilidade de ser o culpado, as atenções viram-se para o depoimento – considerado irrelevante, na altura – de uma empregada, que assiste a uma discussão entre a vítima e um homem, trajando um blazer azul e uma gravata laranja. A investigação aterra então no mundo sinuoso da política, com uma das mais poderosas famílias americanas, os Wellesley, a ficarem sob a mira da averiguação. Mesmo com situações caricatas a acontecer – na exumação do cadáver de Olivia, o corpo não estava lá – a investigação continua, perante um adversário poderoso, que parece andar um passo à frente de todos.
Até que o desenlace final revela a amoralidade da família, com a matriarca a administrar a seu bel prazer o poder quase infindável que possuía. Neste caso, o estereotipo dos policiais de bolso, onde o mordomo é sempre o culpado, bate certo.
O Melhor: A entrada de Martha (Susan Sullivan) no mundo das redes sociais, na internet, que permitiu alguns dos melhores diálogos do episódio, com Castle (Nathan Fillion) a abusar da ironia. Excelente.
O Pior: O estafeta, inocente vítima colateral do caso investigado por Montgomery, 10 anos antes, morre. Brady, preso como culpado pelo homicídio do passado, é assassinado. A investigação de Beckett e Castle, desse mesmo homicídio, produz logo uma significativa quantidade de provas, provando de forma involuntária que o caso foi mal investigado por Montgomery. E ninguém aborda o assunto, perante cenário tão negligente e que colocou um inocente atrás das grades, com os resultados conhecidos? É esta forma, quase simplista, de resolver a maioria das situações, que me provoca um desconforto crescente. A série pode assumir-se livremente como um entretenimento despretensioso, roçando o banal, bastas vezes. Mas não deve passar atestados de estupidez a quem a vê, de forma fiel.





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Um episódio mais fraquito, é verdade. Sempre nos divertimos com as já habituais conversas da familia de Castle.
:3:
Gostei do episódio, momentos engraçados e muitas reviravoltas como é habitual.
:3:
Booooooring!
E a Martha a dizer que estava inserida no “myface” em vez de myspace foi espectacular. Até tive pena do estafeta porque a morte dele foi mesmo um dano colateral.