[SPOILERS] There´s a moment sailors call slack tide, when the tide is neither coming in nor going out, but perfectly still. It´s a moment frozen in time, when all is calm and peaceful.
É assim que Dexter (Michael C. Hall) define o seu estado: harmonioso. Um barco que flutua em perfeito equilíbrio entre as águas da família e o sangue do seu ser. Foi alcançado um delicado conceito, que como ele diz, por muito que o queiramos suspenso no tempo, ele nunca o fica. Descongela e desregula na acidez dos problemas. Que neste episódio nos ofereceram o chamado déjà vu e se dividiram em três frentes.
- Arthur Mitchell (John Lithgow), ou Trinity Killer, que depois de um episódio anterior em alta rotação, assume aqui um papel menos luminoso. Dexter continua a procurá-lo e a adiar a sua morte com o propósito de que vê nele um excelente professor, um apoio para didáctico para esta nova fase da sua vida. Pergunta, interroga e aplica as respostas sábias de quem articulou ao longo de uma vida o amor da família com o ódio da matança. Mas este orador sereno de “If I Had a Hammer” parece estar a perder a máscara, pelo menos diante do protagonista. Toda a cena do corte da árvore e do veado mostraram um homem descontrolado, azedo, doentio, na altura em que devia ser o oposto, na altura em que devia dominar a fachada da sociedade. E isso é um ponto a menos no duelo que se avizinha. Dexter é um mestre na arte de dominar as emoções, é frio, calculista, metódico e muito inteligente. Trinity demonstrou não o ser – o motivo ainda não o percebemos, apenas vimos que ele construiu um caixão, irá recomeçar um ciclo totalmente novo? – e isso não abona nem a seu favor nem a favor de quem vê, porque seria de todo mais interessante uma luta de igual para igual.
- No episódio número 3 questionei se Quinn (Desmond Harrington) iria ser um novo inimigo. Neste episódio número 7 a resposta é fornecida e é afirmativa. O agente corrupto é o novo Doakes (Erik King), e aqui vem o sentimento de já visto. A rota de colisão entre os dois colegas foi muito bem arquitectada, desde a cena do dinheiro até à entrada em cena da jornalista, deliciando aos poucos a audiência com uma tensão crescente e inevitável. E Quinn é das personagens mais recentes aquela que se manteve com vigor apresentando um desenvolvimento notável. É dúbio, ora se gosta ora se odeia. O único senão nesta construção é o facto desta linha narrativa se assemelhar em tudo com aquela que já foi esprimida na segunda temporada e aparentar não trazer ventos de mudança à série.
- No final, regressamos até um passado mais recente. Dexter apercebe-se que matou um inocente, tal como se tinha apercebido no início da temporada número 3 com Oscar Prado. Para além de não ter sido uma surpresa assim tão grande – pelo discurso desesperado da vítima percebeu-se com rapidez que algo ali não batia certo – este é um dilema que já foi falado, discutido e tricotado. É outra vez a mesma estrada das dúvidas e angústias que irá ser atenuada pela desculpa do “afinal ele não era assim tão boa pessoa”.
O resto do episódio focou-se na vitória de Debra (Jennifer Carpenter) em conseguir abrir uma investigação sobre o Trinity Killer. Mais um problema que Dexter terá de resolver, acelerar o passo, antes que a sua irmã e os seus colegas cheguem perto de mais do seu novo mentor.
A harmonia terminou. A tempestade chegou. Agora resta esperar que ela nos atinja para perceber se causará ou não destruição já vista.
O melhor: A história infantil que Dexter contou na fogueira.
O pior: A sensação de déjà vu.







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Tenho muita dificuldade em encontrar defeitos aos episódios de Dexter. Ainda bem que escreves estas críticas, para transpores para o papel essas pequenas máculas.
Mais um bom episódio desta série.
Dexter apercebe-se que matou um inocente, tal como se tinha apercebido no início da temporada número 3 com Oscar Prado.
Mas aí era ele ou o outro. Foi mais questão de sobrevivência que outra coisa. Aqui houve todo o ritual dele: a escolha, a preparação e a execução. E em tudo isto ele nunca falhou. Até agora.
A mim não me deu sensação de déjà vu.
Na história do Quinn, aí sim deu-me essa sensação. Espero que usem outra saída.
:4meio:
Esta temporada está fantástica…
Este episódio especialmente bom, a mostrar a vulnerabilidade de Trinity. Qual o objectivo? Veremos.
O que acham do romance de entre LaGuerta e Batista? Será só um fait-diver?
Eu diria que sim, que é apenas um fait-divers.
No final da segunda temporada, quando a LaGuerta prometeu vingar a morte do Dakes e ilibá-lo, ainda pensei que a personagem fosse ter algum destaque, mas desde então… nada.
Concordo!
Tiveram de lhe arranjar um romance para a personagem ter algum conteúdo.
É pena que uma série como esta tenha personagens secundárias (excepto a Debra e a Rita) tão fraquinhas. É o calcanhar de Aquiles da série.
Aquele Quinn tira-me do sério! Já estou como o Baptista: palhaço!
:4:
O que mais me intriga nesta série é ver que Dexter consegue fazer sempre um excelente serviço como detective. Compreendemos que sendo um serial killer tem instintos semelhantes mas mesmo assim não consegue justificar tudo o que ele consegue descobrir tão rapidamente e o departamento onde trabalha não conseguir nada continuamente.
Ele com tão pouco tempo a investigar descobriu logo quem era o Trinity, que é simplesmente álguém que ninguém descobre e apanha há 30 anos.
Ainda cheguei a imaginar que, Dexter, como sendo um novo amigo de Trinity desse uma boa vitima para ele. Afinal, se Dexter também tem mulher e com filhos grandes… encaixava bem como vitima.
Outro caso é como sai Dexter à noite por tanto tempo e a Rita não acha estranho. Então um homem de família com tantas saídas pela noite dentro. É que como eles jantam pelas 18h a noite torna-se grande até demais…
Já percebemos que uma futura vitima vai ser o Quinn mas ele até que teve uma boa intuição em seguir Dexter. E admira-me a Rita não ter ainda pensado em fazer isso também.
Já na temporada passada achei estranho não ter sido ainda mais investigado o relacionamento do Dexter com a morte daquele que era um grande amigo e que ia ser o seu padrinho de casamento.
Actualmente mata criminosos que o departamento dele anda a investigar. Admira-me ninguém ter ainda feito esse relacionamento.
É uma grande série mas parece que ele vive muito á solta sem problemas e sem ser muito questionado por isso. Acho que é isso que falta na série actualmente, mais tensão para Dexter.
Adorei a cena em que o Dexter distraiu o Quinn na discoteca.
Outro episódio muitíssimo bom. Devo admitir que o Trinity arrepia-me e o John Lightow é espantoso. As cenas entre ele e o Dexter deixam-me tensa.
Mal posso esperar pelo próximo.