[SPOILERS] A viagem percorre a estrada com um certo fim. Um determinado propósito que se deixa avistar na linha horizontal. Os quilómetros passam comendo as horas e cada minuto parece mais curto. A tensão aumenta. Está tudo a postos. Ouvi dizer que hoje é o dia. Será?
Não. Ainda não é desta que o reinado de Trinity Killer (John Lithgow) é encerrado. Dexter (Michael C. Hall) autopromove-se a companheiro de viagem de Arthur com o objectivo final de, finalmente, o matar. Aquele engano com que terminou o último episódio serviu então de alavanca para o protagonista perceber que não pode adiar mais esta questão. Um inocente morreu devido a este atraso, chega! gritou. Esta morte foi também fundamental para Dexter estabelecer um laço forte com Mitchell: confessa-lhe o pecado e recebe também uma confissão em troca, a razão para os seus ciclos de três. Foi ele o “culpado” da morte da irmã que seria a causa indirecta das outras duas fatalidades, foi ele que com apenas dez anos viu o seu mundo ruir e a loucura a vir. Para nunca mais o largar, matando para aliviar a dor, para ter o perdão, o descanso.
Quem sabe. Sabemos e vimos é que a sua máscara está cada vez mais frágil, intercalando momentos de pura euforia com alturas de raiva, passa de gentil a inconveniente num estalar de dedos. O que não abona a seu favor no confronto com a genialidade e sangue frio de Dexter, o que não o torna um inimigo à altura e o que é, em última instância, uma pena. Claro que toda esta inconstância podia ser apenas devido àquilo que o levou a viajar: Arthur ia-se suicidar (e daí o caixão construído anteriormente). No momento em que o protagonista se preparava para levar a cabo mais um dos seus rituais percebe que a vítima não está no quarto. Corrida contra o tempo até ao instante que o velho Mitchell atira o seu corpo para o vazio. Dexter agarra-o, Dexter salva-o. Aquela que seria a viagem para matá-lo acabou por ser a viagem para salvá-lo. Destino irónico. E assim regressam, assim se adia por mais uns dias o inevitável. A vontade do protagonista em terminar ele aquela história, a vontade de continuar a aprender e a vontade de ter ali um ser semelhante foram maiores que qualquer outra justiça. Um bom par de surpresas numa dupla de interpretações absolutamente de sonho.
Mas a grande revelação veio de outro lado: Debra (Jennifer Carpenter) descobre, através da altura das suas cicatrizes – momento hilário com Masuka (C. S. Lee) – que não pode ter sido o Trinity Killer a alvejá-la e a matar Lundy (Keith Carradine). O facto de nunca terem mostrado o rosto do atirador sempre deixou esta porta aberta que traz então de volta o mistério à série, e ainda bem. Então eu pergunto: quem foi? Colocando as cartas na mesa, e deixando motivos de parte, só estou a ver uma pessoa capaz de tal acto: Christine (Courtney Ford), a jornalista e namorada de Quinn (Desmond Harrington). Personagem que se manteve lateral mas sempre presente, preparando terreno para aquilo que eu penso vir a ser uma entrada de rompante. Mas isto é apenas um palpite.
Rita (Julie Benz), por seu lado, aproxima-se do seu vizinho na ausência de Dexter. Avizinham-se problemas conjugais no seio desta família e seria interessante ver a intocável (santa) esposa do protagonista pecar.
As repetições terminaram. O mistério regressou para nos mostrar que as coisas serão bem mais complexas do que estávamos à espera.
O Melhor: O regresso do mistério “Quem matou Lundy?”
O Pior: Como é que uma pessoa tão perturbada e desorientada como Mitchell não foi apanhada ao longo de mais de 30 anos?





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Bem, o que me ri com a cena do Quinn a pensar que a Deb lhe estava a propor um BJ. A sério: revi aquilo umas sete ou oito vezes e ainda me parto a rir de cada vez que me lembro. :loool:
Quanto ao “quem matou o Lundy?”, a Christine e o filho do Trinity foram algumas das hipóteses que mais opiniões a favor encontrei. Mas quando o assassino se debruça sobre o Lundy, dá para perceber que a constituição é de homem, logo não me parece que seja ela.
(spoilers sobre o episódio seguinte)
Não podia estar mais de acordo com a review.
Gostei deste regresso do mistério em volta do assassino do Lundy e também pensei logo na Christine. Mas não sei, não me convence… Será que ela estava desesperada por uma nova notícia? Queria vingar-se da Deb ou do Special Agent Grandpa? :what: Não vejo nenhum motivo forte. Além disso pareceu-me (mas é a minha opinião) que o ar do Lundy quando vê o assassino é um ar de reconhecimento… E quem disparou quis mesmo matar o Lundy e não matar a Deb…
Fala-se na possibilidade de ter sido o Anton, mas apesar de aqui haver um motivo ele é da altura do Quinn e por isso não conta. Só se ele estava agachado para se esconder quando disparou…
Também não percebo como é que o Arthur nunca foi descoberto. Em princípio, ao longo de 30 anos, já podia ter-se “aberto” com outras pessoas sobre os seus problemas, já que desabafou com o Dex.
E coitado do Dex que vai ter mais um problema em casa… Só faltava que a “Santa” fosse para a cama do vizinho… :spsnking:
A parte do B. J. foi mesmo hilariante
:4:
A repórter dá-me comichão desde o início, há ali qualquer coisa estranha. Sim, porque não é pelos belos olhos do Quinn que ela ali foi parar.
O Masuka a olhar para a Deb foi hilariante. Vamos a votos – quem é que quer um “Show do Masuka” numa qualquer MTV perto de vocês!
Gostei da revelação do Trinity não ter morto a família. Teve mais impacto assim. mas realmente, este homem que vemos aqui não é o mesmo que vimos nos últimos episódios, está muito mais vulnerável, irrascível…
Eu voto no show do Masuka, sem dúvida. :yuupii:
Sempre que vejo o vizinho deles acho que a Sue Thomas vai aparecer do nada…
:4:
:rotf: Ya! O BJ foi demais!
“O Pior: Como é que uma pessoa tão perturbada e desorientada como Mitchell não foi apanhada ao longo de mais de 30 anos?”
Miguel não achas que o Trinity quando mata, parece ser muito seguro de si, controlado, meticuloso e focado no que está a fazer…
Penso que seja essa a razão de ele ainda nao ter sido apanhado, nao achas?
A cena do Masuka a olhar embasbacado para a Debra foi demais. E ainda bem que ela descobriu que foi outra pessoa a alvejá-la.
Mas o melhor do episódio é mesmo o Dexter e o Arthur. Aqueles dois são mesmo fenomenais noutro episódio espectacular.