Friday Night Lights: 4×03 – In the Skin of a Lion (DirecTV)

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[SPOILERS] A vida de Eric Taylor (Kyle Chandler), já se sabe, nunca foi fácil. Nem será agora, que treina a mais pobre equipa do estado do Texas. Conseguiu, de forma árdua, motivar um grupo insolente de jogadores. Ia-lhe custando caro, mas o “mea culpa”, protagonizado no episódio anterior, conseguiu congregar o plantel em redor de um ideal. Pelo menos, aparentemente. A queima dos equipamentos, espécie de ritual de reinício, forçou-os a angariar dinheiro. Sair pela periferia de Dillon, empurrando um velho carro, metáfora do estado actual da equipa, parecia um protocolo de união, entre equipa técnica e jogadores. Se Eric alguma vez questionou a sua decisão de rumar à escola de East Dillon, não sabemos, mas a sua vida lá não tem sido fácil. Aliás, parece que o conceituado técnico entrou numa travessia de um deserto, tamanhas são as dificuldades que lhe são impostas.

Num episódio mais centralizado em Eric, e na sua necessidade de desdobramento para colmatar as imensas lacunas existentes no programa de futebol da escola, poucas personagens tiveram direito a tempo de antena. Entre elas:

Landry (Jesse Plemons) – um dos meus predilectos – teve uma breve cena, que permitiu verificar que poderá existir alguma empatia entre ele e Jess (Jurnee Smollett). No primeiro encontro, Landry quase atropelou a rapariga, o que motivou um choque cultural/social entre ambos. Desta feita, a situação foi bem mais ternurenta, com Jess a servir de orientadora no treino futebolístico de Landry. Poderá surgir dali uma relação? Espero que sim, sobretudo porque a mesma levaria a cenas bem intensas. Basta relembrar o ar feroz do pai da moça, que apareceu brevemente no 1º episódio…

Luke (Matt Lauria), aos poucos, vai desvendando o seu âmago. Rapaz educado, avesso a grandes conflitos, vê no futebol a sua oportunidade de escapar para longe de Dillon, oportunidade única de crescer espiritualmente distante de uma terra que asfixia quem nela vive, pela obsessão futebolística de que padece. Ironicamente, para Luke, o bilhete de saída [leia-se bolsa de estudo] só pode ser obtido com um bom desempenho nos jogos. É ele o escolhido por Eric, num pacto de sangue que unirá os dois. Os East Dillon ganham um líder. Eric motiva o seu melhor jogador. Sou só eu que acho isso, ou a decisão do treinador trará problemas acrescidos, no futuro imediato, com Vince a ver-se relegado do protagonismo?

Buddy (Brad Leland) – é, igualmente, uma das personagens por quem nutro bastante carinho – perdeu protagonismo. Em Dillon, onde o grupo de investidores liderado por Joe McCoy (D.W.Moffett) o vai ostracizando, lentamente, sabendo da sua amizade com o agora renegado Eric, e na própria série, com aparições cada vez mais curtas. É pena. O antigo jogador de futebol, glória de Dillon, vendedor de carros actual, sempre apresentou um imenso rol de defeitos. Mulherengo, truculento, mas possuidor de um enorme coração, fiel aos seus princípios e amizades. E, quando foi necessário escolher entre a permanência no séquito de Joe McCoy ou a defesa da honra de Tammi (Connie Britton) [o termo “vadia” e a ameaça de despedimento], o velho gladiador escolheu a 2ª. Exemplo flagrante do “coração perto da boca”, a emotividade levou-o a discursar, de forma feroz, apelidando Joe de “cancro” para a cidade, equipa e amigos, terminando de forma exemplar: “Clear eyes, Full heats, Can´t lose”. A explosão de cólera poderá, no entanto, trazer-lhe sérios reveses no futuro. Mas que constituiu um dos pontos altos do episódio, lá isso constituiu…

O Melhor: Não canso de enaltecer os pequenos dramas, as acções e suas consequências, que a série nos dá. De forma adulta, sem apelo ao lado mais melodramático e lamechas da emotividade. Gosto da forma como as personagens são laboriosamente construídas, conferindo-lhes sempre um cunho humano. Retive alguns exemplos:
a) A campanha dos Lions, para angariação de dinheiro, na zona mais empobrecida da cidade, parecia fadada ao insucesso. E este, num grupo sem grandes laços emocionais, poderia ter um efeito devastador. Foi isso que Eric deve ter pensado. E assim, com o auxílio de Tim Riggins (Taylor Kitsch), o dinheiro obtido proveio em parte do bolso e da conta bancária do próprio treinador. De corpo e alma com os Lions, não vos parece?
b) O jogo dos Lions. Não se tratava de saber se a equipa venceria. Isso seria um enorme atestado de incoerência. O que se jogava ali, na estreia dos novos equipamentos, era apenas a aferição do estado da equipa. E a vitória, moral obviamente, era apenas terminar a partida. Derrotados, sim, mas de cabeça orgulhosamente erguida.
c) Qualquer um sabe que, num grupo, a coexistência de personalidades díspares provoca sempre atritos. Os sentimentos como o ciúme, a inveja, a desconfiança ou a rivalidade estão sempre lá. Mesmo que latentes. E é aqui que tenho adorado a descoberta de uma das novas personagens. Vince (Michael B.Jordan) não é um daqueles típicos meninos de liceu. Com dezenas de miúdas caídas de paixão por ele. Não pertence ao grupo de populares, na escola. Nem tem um coração de ouro. Vive num gueto. Tem uma mãe toxicodependente. Um passado criminal, que o persegue. Uma personalidade forte. Mas possui um talento imenso. Que terá que ser limado. A rivalidade com Luke – claramente, os dois melhores jogadores da equipa – sobrepôs-se ao espírito corporativo. Anos de recalcamento, de racismo dissimulado, falaram mais alto. Entre a equipa pontuar – o que seria importante, psicologicamente – com a façanha a ser creditada a Luke, ou o abortar da jogada, Vince optou por esta última.
d) Mentir é humano. Todos o fazem. Inócuas ou perversas, importantes ou irrelevantes, as mentiras fazem parte da natureza humana. Por isso, a mentira com que Eric justificou à esposa a falta de um cheque pode parecer natural. E é. Mas não neles. Habituamo-nos, ao longo de 3 temporadas, a uma relação sedimentada em confiança. Com alguns – poucos – momentos tumultuosos, mas onde a compreensão, a honestidade e o entendimento mútuo ajudaram a ultrapassar os momentos maus. Não se coaduna ao carácter que conhecemos a mentira praticada por Eric. Mas a revelação, à esposa, do verdadeiro destino do cheque, foi uma das cenas que sempre engrandeceram a série. Intensa e brilhante. Eric Taylor está em grande, nesta 4ª temporada, “roubando” todas as cenas em que intervém…

O Pior: Já me começa a irritar a história do mentor, arvorado em narcisista irritante, de Matt (Zach Gilford). A espécie de lição sobre o sentido da vida, que pretende ministrar ao jovem, está a tornar-se sensaborona. E sem sentido. Sobretudo, quando ele aponta o dedo acusador a Julie (Aimee Teegarden), denunciando-a como a razão do adiar/atrasar os sonhos artísticos de Matt. É impressão minha, ou foi o próprio Matt que desistiu deles, optando por permanecer junto da avó? Que sentido faz isto?

Lista de EpisódiosNota (0/100)
Friday Night Lights: 4×01 – East of Dillon (DirecTV)82
Friday Night Lights: 4×02 – After The Fall (DirectTV)85
Friday Night Lights: 4×03 – In the Skin of a Lion (DirecTV)87
Friday Night Lights: 4×04 – A Sort of Homecoming (DirecTV)89
Friday Night Lights: 4×05 – The Son (DirecTV)90
Friday Night Lights: 4×06 – Stay (DirecTV)80
Friday Night Lights: 4×07 – In The Bag (DirecTV)82
Friday Night Lights: 4×08 – The Toilet Bowl (DirecTV)85
Friday Night Lights: 4×09 – The Lights in Carroll Park (DirecTV)79
Friday Night Lights: 4×10 – I Can’t (DirecTV)92
Friday Night Lights: 4×11 – Injury List (DirecTV)85
Friday Night Lights: 4×12 – Laboring (DirecTV)90

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Ari Gold, talking with Vinnie Chase: I swear by God you comeback stonger than ever Like Lance Armstrong. Only with two balls.

9 Respostas para “Friday Night Lights: 4×03 – In the Skin of a Lion (DirecTV)” Subscribe

  1. Ricardo 15/11/2009 às 14:48 #

    Boa review.

    Gostei muito do episódio, só não concordo com uma pequena coisa: a Julie é uma das razões pelas quais Matt ficou. Sim, a culpa é toda dele, mas ela influenciou-o. Foi quando estava a falar com ela que ele decidiu que queria ficar em Dillon, no último episódio da 3ª temporada.

  2. Unreal 15/11/2009 às 15:23 #

    Tens razão, foi o Matt que decidiu ficar por causa da avo, o mentor deve estar frustrado é com alguma relação anterior.

    Já agora, serei só eu que está farto de ver o Coach Taylor chateado?

    Aquela maneira como ele se expressa, com o ranger dos dentes (acho que é assim que se diz) e falar com os dentes fechados…

  3. Paulo Pereira 15/11/2009 às 15:27 #

    Ricardo, obrigado pelo feed-back relativo à crónica. Mas em relação a Julie, não estamos de acordo. Matt provou já possuir uma personalidade forte. Não seria o belo rosto de Julie (por sinal, um óptimo motivo para o rapaz se entreter por Dillon :yum: )que o faria desistir de uma carreira no mundo das artes. Julgo que o factor “avó” teve um peso enorme. Tendo Lorraine desempenhado o papel da mãe ausente, ao cuidar de Matt, foi visível na 3ª temporada que, quando ele teve que escolher entre partir ou ficar, a hesitação não foi muita.

    Concedo que o factor Julie posse ter pesado, mas de forma mínima. Só por isso é que achei aquela sequência entre Richard e ela perfeitamente descabida. Se existiu ali uma tentativa de criar qualquer tensão entre o casal, ela foi mal sucedida.

  4. Maciel 15/11/2009 às 15:47 #

    Sim, sem dúvida que foi a avó que o fez ficar. A conversa dele com Julie (na outra temporada) na festa fez-lhe ver precisamente isso. A influência de Julie foi residual.

    Já agora, serei só eu que está farto de ver o Coach Taylor chateado?

    Se calhar és só tu Unreal :)

    Eu acho que é uma imagem de marca. Ele sempre se exprimiu assim. Seria altamente incoerente ele passar a falar com os jogadores de forma bem “normal”.

    • Unreal 15/11/2009 às 20:40 #

      Eu sei que ele sempre se exprimiu assim, mas antes não andava sempre com os nervos a flor da pele :) .

      Seja como for, a série é excelente (passa num instante os 45min) .

      Eu é que as vezes sou picuinhas… :suar:

      Já agora :

      :4meio:

      • Maciel 15/11/2009 às 21:32 #

        Ele anda com os nervos à flor da pele, mas também não é para menos com aquela equipa. Lol!!!

        Realmente a série é muito boa. Eu nunca pensei quando a comecei a ver o ano passado.

  5. Paulo Ferreira 15/11/2009 às 16:50 #

    Realmente aquela lá do “artista” para a Julie não caiu bem. De resto a habitual qualidade.

    :4meio:

  6. Saulo 15/11/2009 às 19:53 #

    Será que vem por aí uma separação entre o casal Taylor em um chiffhanger de final de temporada?

    Seria muito triste, mas renderia momentos memoráveis com Atuações Sensacionais de Connie e Kyle.

    :4meio:
    Os episódios poderiam ser maiooooooooores! 45 minutos semanais de FNL é muito pouco…

    • Ricardo 15/11/2009 às 23:58 #

      Hum… Acho que isso nunca vai acontecer. Seria fora do personagem e mesmo que fosse bem antecipado e justificado, não me parece que eles mexam com o “centro” da série. Não vejo o casal a separar-se ou mesmo um a trair o outro.

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