[SPOILERS] Pode ser algo fastidioso. Reconheço que às vezes pareço um daqueles objectos de colecção, substituídos na preferência dos consumidores pelo CD. O disco de vinil. Quando estes se encontravam riscados, lá ficávamos nós, tempos infindos, a ouvir a mesma cantinela. Até alguém se levantar e retirar a agulha do local. Sou assim em relação a “Friday Night Lights”. Não me canso de enaltecer os seus méritos. E são tantos. Semanalmente, a série consegue ser genuína. Comovente. Emocionalmente desgastante.
Mas vamos por partes. A vida não continua a sorrir a Tami (Connie Britton) e a Eric (Kyle Chandler). A esposa do treinador, e directora do liceu de Dillon, continua a atrair a ira dos fundamentalistas adeptos dos Dillon, pela transferência de Luke (Matt Lauria) para o rival citadino Lions. Apontada a dedo pela comunidade, por um pretenso tratamento preferencial dado ao marido, assiste de forma incrédula ao definhar do seu projecto para uma nova biblioteca. Tami passa a ser uma “personna non grata” na cidade texana, com direito a insulto ordinário estampado no carro. “Phanter Hater”. Não tinha já escrito que o futebol era tido como uma religião, por aquelas bandas?
A sua cara-metade também não tem o quotidiano fácil. Gerir uma equipa depauperada, sem qualquer verba para apoio logístico, já parece ser uma enorme carga de trabalhos. Mas, se adicionarmos a isso as regulares picardias entre os seus dois melhores jogadores, a tarefa torna-se hercúlea. O ódio entre Luke e Vince (Michael B.Jordan) atinge o ponto alto quando este último rouba a carteira do outro, originando uma refrega que se estende depois às ruas de Dillon. Daí até ao posto policial é um pequeno passo. Que Eric, sabiamente, aproveita para procurar consolidar o espírito de grupo, obrigando literalmente Luke a assumir a culpa pela luta na via pública, evitando que Vince seja enviado, como reincidente, para o reformatório.
O espírito de grupo é igualmente moldado no “pep rally”, uma festa que visa encorajar o espírito escolar e apoiar os membros da equipa, antes do jogo.
Buddy (Brad Leland), já o tinha dito, aparece pouco. Mas quando aparece, a cena literalmente pertence-lhe. É fácil sentirmos empatia com aquele homenzarrão, possuidor de um coração enorme, quando o vemos sentado, junto a Eric, afogando as mágoas num copo de álcool, enquanto disserta a sua angústia por já não ser um Panther, após a discussão no último episódio. A autêntica devoção dele pela mais representativa equipa da cidade não é uma obsessão. É uma forma de vida, para a qual muitos de nós, que assistem à série, mostram compreensão. Porque, como afirma Buddy, “vem do coração e é essa a beleza disso”.
E é o mesmo Buddy que salva literalmente a pele de Eric, quando este organiza um jantar com antigas glórias dos Lions, que não vêem com bons olhos a mistura com o lado “bom” de Dillon.
Num episódio extenso, a nível de histórias, a surpresa fica por conta de Matt (Zach Gilford). Sente-se o desconforto do jovem, quando o reencontro com Tim Riggins (Taylor Kitsch) – e a constatação que a vida deles permaneceu imutável – o leva a um fim-de-semana de caça e copos. Pretexto ideal para o desabafo amargurado do jovem, argumentando que a sua permanência em Dillon se deveu… a Julie (Aimee Teegarden). Algo inverosímil no discurso – sabe-se de antemão que a sua permanência foi motivada pela avó – mas coerente com os sentimentos frustrados. A constatação de que Julie irá para a faculdade, no final do ano lectivo, azedou o humor da antiga estrela da equipa de futebol. E se a raiva estava lá, fermentando em lume brando, a noticia da morte do pai, no Iraque, apenas vem acentuar o fatalismo que paira sobre o jovem…
O Melhor: A forma pragmática como as temáticas são desenvolvidas. Habituados já à forma linear e adulta como os temas são tratados, sem subterfúgios de qualquer espécie, apreciei a maneira salutar de incorporar na série a temática gay. Com o aparecimento de uma velha conhecida. Devin (Stephanie Hunt), amiga de Landry, que procura, como qualquer jovem da sua idade, um relacionamento amoroso. Neste caso, com alguém do mesmo sexo. Como reagirá a cidade texana, sulista e conservadora, a um relacionamento destes?
O Pior: Durar apenas 43 míseros minutos…





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Adorei o episódio. Friday Night Lights é das melhores séries que por aqui andam.
Ainda bem q não sou o único a achar isso :yeahhh1:
A história foi excelente, deixando água na boca para o que aí vem…
É mesmo. Ainda por cima agora que parece que a história vai incidir um pouco mais no Matt. Pensei que a personagem iria perder muito protagonismo por não ser regular, mas ainda bem que lhe estão a dar uma saída à altura. Isto é, apesar das inconsistências.
Podiam mandar antes o Riggins e deixar o Matt.
O Riggins neste momento é completamente inútil.
Eu estou a gostar do Riggins e faz mais sentido alguém como o Riggins não ir para a faculdade do que o Matt. A questão é, já que fizeram o Matt ficar em Dillon mais um ano, podiam tê-lo posto como regular.
Friday Night Lights é para mim a minha série querida, aquele que tal como tu não me canso de elogiar e espero ansiosa por cada episódio. Concordo com tudo e o pior é mesmo isso durar pouco tempo.
Cumpz
subscrevo completamente o que foi dito anteriormente.
Mais um grande episódio de uma excelente série.
realmente é pena só durar 43 min
:4meio:
Mais um grande episódio, normal diria eu.
:4meio: