[SPOILERS] De um lado os homens, do outro as mulheres. Eles com vontade de esquecer os problemas profissionais e de relembrar outros tempos. Elas amarguradas pelos seus problemas pessoais. Em ambos os lados há muita vontade de espairecer e desabafar.
O episódio regressa a uma antiga “Californication”. Deixa-se de lado as personagens que apareceram esta temporada e foca-se nas que sempre suportaram as histórias da série. Em duplas elas se dividem (uma delas até tem direito a levar companhia) e a noite pertence a ambas.
Hank (David Duchovny) e Charlie (Evan Handler). Já no último episódio tinha referido a minha admiração pelas cenas entre estas duas personagens. Mas neste temos mais. E neste caso, mais é melhor. A variedade de situações em que eles se envolvem é enorme, tendo em conta a duração do episódio e o facto de haver outras histórias. Temos direito a tudo: à conversa no bar (eu acho “bonito” ver homens, que se acham durões e machões, sentirem-se angustiados pelas maleitas do coração e falarem sobre isso), ao beijo (quem estava à espera daquilo?), à cena na livraria e, por fim, ao que lhes marcou a noite.
Naquela loja, o estado de embriaguez passou-lhes rapidamente. Perante o calafrio da situação, ambos pararam para pensar e sentiram que basta bem pouco para se ver o fim da linha. É ver a vida a passar à frente dos nossos olhos. Serviu-lhes de lição? Claro que sim! A partir daí ainda tinham mais motivos para festejar e duas lindas tatuagens (a de Charlie colocou-me largos segundos a gargalhar) foi o que restou das memórias da noite. O acordar de ambos, na manhã seguinte, tem tanto de emblemático como de romântico. Uma boa imagem que traduz bem a amizade existente entre ambos.
Karen (Natascha McElhone), Marcy (Pamela Adlon) e Becca (Madeleine Martin). Uma antiga dupla que agora é tripla. E que tripla! A Becca de sempre voltou e bem que teve de puxar do seu melhor palavreado. Palavras sábias (e óbvias!) e uma chamada de atenção para Karen. Também elas tiveram o seu momento para parar para pensar. Será agora que a vida daquele casal toma um rumo definido? Será agora que aquela família saberá, exactamente, o que esperar uns dos outros? A cena final poderá indicar uma decisão mas mesmo que seja inconsequente, foi uma bela maneira de encerrar o episódio e reforçar a conversa do bar entre Charlie e Hank.
Não deixa de ser interessante reparar que este episódio surge duas semanas depois do excelente “The Apartment”. Naquele tivemos uma onda de situações surreais, de muita loucura e de muita agitação. Aqui temos quase a antítese. Digo quase, porque nesta série há sempre lugar a alguma loucura. E situações inusitadas e cómicas é o que não falta. Mas este foi claramente um episódio com mais vontade de conjugar o verbo “acalmar” do que o “agitar”. E por mim tudo muito bem. Tudo excelente! Porque a série consegue muito bem viver nestes dois extremos. Consegue mostrar que, tal como na vida, há lugar e espaço para tudo.





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Gostei. E o regresso da “nossa” Becca é muito bem vindo!
Sem palavras relativamente ao que esta série nos anda a mostrar…
Tramp Stamp! Lindooooo!